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Padre Nuno Tovar de Lemos aconselhou educadores a ajudarem as crianças a perceber que não são o “centro do universo”

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O padre Nuno Tovar de Lemos aconselhou os pais e demais educadores a ajudarem as crianças e adolescentes a perceber que não são o “centro do universo”.

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“Sem dúvida nenhuma que os miúdos são muito especiais, mas certamente não são o centro do universo e têm de perceber que não são. Querem estragar os miúdos expliquem-lhes que eles são o centro do universo. Mas depois, quando eles entrarem no mundo do trabalho vão parar ao psicólogo porque acham que o universo está todo errado porque não lhes dá valor”, advertiu o sacerdote jesuíta na passada sexta-feira, durante a “Oficina de Pais”, subordinada ao tema “O que é educar bem?”, que teve lugar no Colégio de Nossa Senhora do Alto, em Faro.

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Na formação, promovida por aquele estabelecimento de ensino e participada por cerca de 65 educadores, o padre Nuno Tovar de Lemos considerou que “a tarefa de educar é mais difícil hoje em dia do que era há algumas décadas atrás”. Mas, segundo o sacerdote, se é “das coisas mais difíceis hoje em dia” é também “das coisas mais importantes”.

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O formador lamentou quando “um pai sente tanto o peso da responsabilidade que acha que tudo depende dele e depois estraga o processo”. “Educar é preparar um miúdo para não precisar de mim, é preparar um miúdo para poder viver autonomamente no mundo, tomar decisões por si e ser feliz com as «asas» que eu lhe der ou que eu ajudar a criar”, sustentou, acrescentando que “educar é dar asas para o miúdo poder «voar» alto”.

Nesse sentido, o padre Nuno Tovar de Lemos considerou “um disparate os pais que deixam de fazer os programas deles por causa dos filhos” e aconselhou-os também a não ceder a birras. “Deixem-nos fazer birras porque um miúdo não pode ter sempre a atenção dos adultos porque depois não vai ter sempre a atenção do patrão, da mulher, da sociedade”, afirmou.

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O sacerdote considerou que um “miúdo bem-educado” é aquele que está “atento aos outros”, que “não pensa só em si”, lembrando que “toda a educação visa abrir, ajudar a sair para fora, para os outros”. “Acho que qualquer educação deve ser implacável em relação ao egoísmo. Não se pode dar atenção a tudo, mas ao egoísmo deve ser implacável”, destacou.

O orador considerou também que uma criança bem-educada é aquela que dá valor às “coisas que não têm código de barras”, ou seja, “às coisas que não têm preço” como a “amizade”, a “natureza” ou o “convívio com os outros”.

De entre as “sugestões pedagógicas” para aprender a dar valor a “coisas que não têm código de barras”, o padre Tovar de Lemos apontou o “exemplo dos pais”, considerando que “a coisa mais importante é o exemplo dos mais velhos”. A este nível referiu “a maneira como lidam os pais com a frustração” porque os filhos apreendem o comportamento dos seus educadores. “Creio que a coisa mais importante na educação de miúdos é, nós adultos, sermos bem-educados”, acrescentou.

O sacerdote considerou, por isso, um outro sinal da boa educação um miúdo que “saiba não ter sem ficar frustrado”. “Ninguém gosta de ver um miúdo dececionado por não ter, mas os miúdos precisam de ficar dececionados por não terem”, defendeu, explicando ser “importantíssimo não ceder, não ter pena”. “Ao longo da vida vai ter que aprender a não ter imensas vezes sem ficar destruído, sem ficar humilhado. Se não faz essa aprendizagem em miúdo, depois, mais tarde, é muito complicado lidar com a frustração”, alertou.

“É importante também não poupar os miúdos às coisas chatas”, acrescentou, garantindo que “os miúdos precisam de se aborrecer”. “A vida não é só estímulos. Desse aborrecimento pode vir uma coisa ótima que é o amor interior”, prosseguiu, considerando que “a coisa mais disparatada é, em coisas importantes, perguntar a um miúdo o que é que ele quer”. “Um miúdo, para poder exercer uma preferência, tem de estar formado”, sustentou.

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O padre Nuno Tovar de Lemos defendeu ainda que uma criança bem-educada é aquela que “sabe esperar” e que há que ensinar a “ter horas para as coisas”. “Quem não sabe esperar, não sabe construir”, advertiu, acrescentando que “ser capaz de adiar a gratificação é muito importante” porque poderá “educar que investindo, podem vir coisas muito boas a seguir”.

Por outro lado, o sacerdote considerou ainda que um “miúdo bem-educado” é “aquele que sabe estar consigo mesmo”. “Não é a desvalorização do convívio, mas é um miúdo que sabe entreter-se sozinho”, sustentou, considerando “muito importante na educação educar para que o miúdo aprenda a ter um mundo interior seu”. “Se não faz isso, ele não vai conseguir amar no futuro porque todas as histórias de amor em que entrar será para «tapar os seus buracos». Vai estar à espera que o outro tape os seus «buracos» afetivos”, alertou.

Por fim, o sacerdote jesuíta destacou que “o miúdo tem de aprender a ser verdadeiro e a ser honesto”. “Temos de ser implacáveis com a falta de verdade”, pediu, aconselhando os educadores a darem “atenção ao essencial”. “Muitas vezes na educação ficamos no acessório e deixamos passar coisas muito importantes”, lamentou, deixando ainda um pedido aos pais. “Não façam dos vossos filhos os vossos melhores amigos”, exortou.

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