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O papa Francisco com D. Manuel Quintas, D. Manuel Madureira Dias e o padre António de Freitas - Foto © L'Osservatore Romano
O papa Francisco com D. Manuel Quintas, D. Manuel Madureira Dias e o padre António de Freitas – Foto © L’Osservatore Romano

O papa pediu hoje aos bispos portugueses, no primeiro dia da visita ad Limina, participada também pelos bispos do Algarve (residencial e emérito), propostas convincentes para os jovens, manifestando a sua preocupação com a “debandada da juventude” na Igreja.

Segundo o L’Osservatore Romano, Francisco exortou os prelados no discurso entregue em português “a prosseguir no empenho duma constante e metódica evangelização”, porque uma “formação autenticamente cristã da consciência” é ajuda indispensável “também para o amadurecimento social e para o verdadeiro e equilibrado bem-estar de Portugal”.

Sublinhando o “grande número” de adolescentes e jovens que abandonam a prática cristã, depois do sacramento do Crisma, o papa alertou para “um vazio na oferta paroquial de formação cristã juvenil pós-Crisma”, que deve ser preenchido e “que muito poderia obstar a futuras situações familiares irregulares”.

“Não pode deixar de nos preocupar a todos esta debandada da juventude, que tem lugar precisamente na idade em que lhe é dado tomar as rédeas da vida nas suas mãos”, assinalou Francisco, segundo a Agência Ecclesia.

A Igreja em Portugal, prosseguiu, “precisa de jovens capazes de dar resposta a Deus que os chama”, para que volte a haver “famílias cristãs estáveis e fecundas”, “consagrados e consagradas” e “sacerdotes imolados com Cristo pelos seus irmãos e irmãs”.

Foto © L'Osservatore Romano
Foto © L’Osservatore Romano

Francisco lamentou que, em muitos casos, a “proposta de Jesus” apresentada aos mais novos não os convença. “Penso que, nos guiões preparados para os sucessivos anos de catequese, esteja bem apresentada a figura e a vida de Jesus; talvez mais difícil se torne encontrá-lo no testemunho de vida do catequista e da comunidade inteira que o envia e sustenta”, alertou.

Francisco recomendou assim que o processo de catequese passe do “modelo escolar ao catecumenal”, ou seja, “não apenas conhecimentos cerebrais, mas encontro pessoal com Jesus Cristo, vivido em dinâmica vocacional segundo a qual Deus chama e o ser humano responde”.

O papa lamentou também que algumas paróquias estejam “centradas e fechadas no «seu» pároco”, desafiando os católicos à “abertura a uma lógica mais dinâmica e eclesial na comunhão”. “Não percais a coragem perante situações que suscitam perplexidade e vos causam amargura, tais como certas paróquias estagnadas e necessitadas de reavivar a fé batismal”, pediu aos bispos, segundo a Agência Ecclesia.

Francisco identificou ainda outros desafios, como o “ativismo pastoral” que deixa de lado a “profundidade espiritual”.

Francisco elogiou a solidariedade dos católicos portugueses, em particular o “amplo esforço caritativo” em favor dos mais necessitados, e deixou uma mensagem de esperança num “futuro melhor”. “Muito me alegra ver a Igreja em Portugal solidária e solícita com a sorte do seu povo”, referiu.

Na sua intervenção saudou o aumento da “sinodalidade” como opção pastoral, “procurando envolver o maior número possível” de pessoas na evangelização.

“Dos vossos relatórios quinquenais, pude deduzir, com verdadeira satisfação, que as luzes ultrapassam as sombras: a Igreja que vive em Portugal é uma Igreja serena, guiada pelo bom senso, escutada pela maioria da população e pelas instituições nacionais, embora nem sempre seja seguida a sua voz; o povo português é bom, hospitaleiro, generoso e religioso, ama a paz e quer a justiça”, assinalou Francisco.

O presidente da presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e cardeal-patriarca de Lisboa revelou também, segundo a Agência Ecclesia, que o papa e os bispos portugueses falaram da necessidade de acolher os refugiados que chegam à Europa, numa coordenação de “esforços e de boas vontades”.

Foto © Ricardo Conceição
Foto © Ricardo Conceição

Este primeiro dia da visita ad Limina, que decorre até ao próximo dia 12 deste mês, teve início com a celebração da missa presidida por D. Manuel Clemente junto ao túmulo de São Pedro, na basílica do Vaticano, na qual o presidente da CEP lembrou a fé do apóstolo. D. Manuel Clemente frisou que a “felicidade prometida” está na “alegria pascal”, que não é uma “felicidade de segunda, mas uma felicidade última”. “Esta é a fé apostólica. Pedro confessou-a assim”, referiu na celebração concelebrada também pelos padres portugueses a estudar em Roma, entre os quais o padre António de Freitas, sacerdote da Diocese do Algarve.

Foto © Paulo Rocha/Ecclesia
Foto © Paulo Rocha/Ecclesia

Após a missa, decorreu a primeira audiência com Francisco que quis receber os responsáveis portugueses em dois grupos. Segundo apurou Folha do Domingo, Francisco terá preferido encontrar-se apenas com cerca de 20 bispos de cada vez, para que as reuniões fossem mais profícuas.

Às 9.30h (menos uma hora em Portugal), o papa encontrou-se com os bispos do Algarve (residencial e emérito), num grupo que incluiu os prelados do Ordinariato Castrense (Forças Armadas e de Segurança) e das províncias eclesiásticas de Lisboa e Évora, sendo que a diocese algarvia faz parte desta última.

Seguiu-se depois pelas 11h, o encontro com os bispos da Província Eclesiástica de Braga e, às 12.30h locais, a audiência de Francisco a todo o grupo.

com L’Osservatore Romano e Agência Ecclesia

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