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Foi com um discurso onde estava incluída esta expressão, que o Dr. Oliveira Salazar, em 1961, deu início à Guerra do Ultramar. Essa guerra viria não só a desgastar-nos economicamente, como levou o nosso país a uma quebra geracional importante.

Pedro Passos Coelho, não tendo nada de salazarista, parece que também nos quer mandar não só para Angola, mas também para o Brasil ou Timor. Outrora íamos defender o que nos diziam que era nosso. Agora, somos convidados a levar o que temos de saber e técnica, fazendo-nos à vida.

O convite foi feito com particular evidência aos professores excedentários que temos. Segundo o próprio Primeiro-Ministro temos muitos, e por isso aconselhou a abandonarem a sua zona de conforto e a procurarem emprego noutro sítio.

Enumeras vozes se levantaram logo contra este e outros incentivos à emigração que o nosso governo, através de várias vozes, tem feito.

Pois eu, sabendo que vou ser controverso e polémico, concordo! Digo mais, se não fosse a Missão a que fui chamado a exercer na Igreja, particularmente na Diocese do Algarve, eu já estaria a trabalhar fora de Portugal. Não gosto do meu país? Gosto. E muito. Tenho até em mim um forte sentimento nacionalista! Ao contrário do que alguns afirmam, quem sai de Portugal para viver não gosta menos do país do que os que cá ficam. Para além de ser uma questão de lutar por melhores condições de vida, é sobretudo uma questão de abertura de horizontes e de crescimento pessoal que está em causa. Muitas vezes, só quando estamos fora de Portugal é que damos valor ao que temos por cá. (Eu próprio, só gostei de ouvir fado quando vivi fora de Portugal!) Valorizamos mais o nosso país quando temos um termo de comparação e uma abertura de horizontes que um dia nos permitirá voltar e ser diferentes. Ao contrário, muitas vezes limitamo-nos a ficar por cá. Queixarmo-nos de tudo e de todos. Esperamos passivamente que nos resolvam os problemas, em vez de lutarmo-nos para construir e conseguir os nossos sonhos. Aqui ou noutro lado qualquer do mundo.

Sempre apreciei e valorizei as pessoas que foram e são emigrantes. Na generalidade têm uma outra forma de ultrapassar os problemas. Valorizam as outras pessoas de forma diferente. Muitas vezes proporcionam a quem trabalha de perto com eles um salutar crescimento, fruto das várias experiências de readaptação que tiveram que enfrentar.

Por outro lado partindo, fazendo do mundo a nossa casa, damos uma parte de Portugal ao mundo. Para muitos países, Portugal resume-se às estrelas de futebol e a um bom local de férias. Exportando cérebros, podemos mostrar que nós portugueses não demos, outrora, novos mundos ao mundo por mero acaso. Mas que, de facto, temos valor e saber para lutarmos por um mundo melhor.

Miguel Neto
sacerdote da Diocese do Algarve
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