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A nossa velha Europa, actualmente organizada e unida e que teve a sua génese e se desenvolveu, séculos fora, à sombra do ideal cristão, parece, hoje, completamente esquecida dos valores fundamentais que lhe deram origem e a foram sustentando e lhe permitiram tornar-se o continente privilegiado e influente nas mais diversas culturas dos restantes continentes.

Hoje, porém, debate-se com uma crise económica que radica, sem dúvida, noutras crises mais profundas que a foram minando por dentro.

A ganância, o desejo incontrolável do ter, do possuir levaram e precipitaram indivíduos e sociedades para a voragem e ruína das insolvências a todos os níveis…

E devido, precisamente, a essa ganância desenfreada, assistimos à debandada ou deslocação das mais diversas empresas e grandes companhias sediadas no nosso país, para regiões onde a mão de obra abunda a preços, muitas vezes irrisórios e, por isso, com obtenção de lucros rápidos e fabulosos!…

Por outro lado e ao mesmo tempo, as facilidades propostas por uma publicidade bem dirigida e cada vez mais incentivada pelas instituições de crédito, levaram os cidadãos e as sociedades a endividarem-se de um modo incontrolável e muito para além das suas capacidades…

Sucede ainda que as próprias instituições financeiras que proporcionavam todos os empréstimos consumistas e não só, viram, por sua vez, as suas possibilidades de se financiarem noutras mais sólidas instituições congéneres, falharem…

As consequências de todo este estado de coisas estão à vista: a Europa, como união monetária está quase a soçobrar, apesar dos sacrifícios inauditos que aos cidadãos de todos os países que fazem parte da U.E., sobretudo aos mais pobres, incluindo o nosso Portugal, lhes são exigidas.

Por isso nos encontramos a penar a empobrecer cada vez mais, com a fome a rondar e a miséria a espalhar-se por toda a parte das classes médias!…

E a par da ganância, e em relação com a mesma, muito tem contribuído também para a agudizar toda a nossa catástrofe, o fenómeno da corrupção que se instalou nos mais diversos sectores da vida e administração pública… E, infelizmente, entre nós, a corrupção tem ficado sempre impune perante a passividade das várias instituições quer de ordem política, quer de ordem judicial e outras…

Mas, apesar de tudo, resta-nos ainda uma certa esperança que se fundamenta quer na história milenar da Europa, quer na história secular do nosso Portugal que soube, em épocas passadas, superar as mais diversas crises…

Joaquim Mendes Marques

O autor deste artigo não o escreveu ao abrigo do Acordo Ortográfico

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