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Pároco de Armação de Pêra acredita em relação entre crime contra igreja e assalto à sua casa

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© Samuel Mendonça

O pároco de Armação de Pêra diz ter uma “esperança grande” de que os responsáveis pelo assalto e incêndio que causou grande destruição na igreja daquela paróquia venham a ser identificados.

“Mal ficaríamos nós se isto não fosse descoberto”, afirmou ao Folha do Domingo o padre Joaquim Beato sobre o crime perpetrado na madrugada do passado dia 22 de agosto e que está a ser investigado pela Polícia Judiciária.

O sacerdote acredita que este assalto possa ter uma “relação muito grande” com um outro realizado à sua casa em junho passado. “Roubaram tudo o que quiseram. Aquilo foi um vendaval, um tsunami. Não houve uma gaveta que não tivesse sido aberta”, lembra, explicando que lhe levaram todos os eletrodomésticos e algumas recordações em prata e que no passado dia 10 de agosto, durante a festa em honra de Nossa Senhora dos Navegantes, a padroeira da igreja de Armação de Pêra, a sua residência voltou a ser alvo de assaltantes. “Tentaram arrombar outra vez a porta, mas desta vez não conseguiram entrar”, testemunha o prior, contando que tem havido vários assaltos, não só em Armação de Pêra, como na freguesia vizinha de Alcantarilha. “Isto não é obra de um só”, considera o sacerdote, admitindo a existência de um grupo.

De facto, o modo de atuação na igreja de Armação de Pêra parece indiciar que o crime possa ter sido praticado por um grupo que não temia ser surpreendido pelas autoridades policiais, uma vez que a igreja fica situada junto à praia, em plena zona turística muito frequentada até de madrugada nesta altura do ano e rodeada por habitações ocupadas nos meses de verão. Há mesmo uma testemunha que afirmou à TVI ter visto a movimentação de três elementos junto à igreja naquela madrugada.

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© Samuel Mendonça

O padre Joaquim Beato acredita que um assaltante tenha ficado escondido na capela batismal, debaixo de uma mesa. O estado em que ficou a porta de uma das sacristias denota a violência do seu arrombamento feito a partir do interior, o que parece fundamentar a tese do sacerdote. Na sacristia principal não restaram marcas para ajudar a perceber a atuação porque a dependência ficou reduzida a cinzas, completamente destruída por ter sido ali ateado o incêndio.

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© Samuel Mendonça

Depois de destruídas as portas das sacristias e de cortados os cadeados dos dois lampadários, de onde terão sido furtados entre 100 a 150 euros, o sacerdote crê que o assaltante terá arrombado também uma das portas de acesso ao exterior para a entrada de cúmplices que ajudaram a carregar por ali o produto do roubo e os próprios lampadários que foram encontrados dentro de um contentor do lixo, envoltos num pano de cobertura do órgão.

“O objetivo foi, fundamentalmente, procurar dinheiro e objetos que pudessem vender. Da sacristia levaram três cálices (um de prata e outros dois dourados, mas menos valiosos), um sacrário pequeno que parecia ser de prata, lavandas de estanho, uma concha grande de estanho com que fazíamos os batismos, umas galhetas e outros objetos”, conta o sacerdote.

Acrescentado que o cofre da igreja, inaugurada em 1970, também foi alvo de uma tentativa de arrombamento, embora sem sucesso, o padre Joaquim Beato admite que o incêndio tenha sido ateado por vingança por não terem encontrado tanto dinheiro como esperavam. O prior explica então que “o prejuízo patrimonial é que foi significativo”. “Fiquei sem um paramento, sem uma toalha, sem os sanguíneos, sem os corporais, sem livros e missais”, lamenta, explicando que na sacristia estavam também móveis e o livro dos registos dos batismos deste ano.

Da sacristia, o fogo propagou-se à estrutura do telhado da capela-mor que terá de ser completamente substituído, ao contrário do da nave central que não chegou a incendiar-se por estar resguardado por detrás de uma cobertura de cal e estuque.

Imagem_incendiada_nossa_senhora_navegantes_armacao_peraNo entanto, toda a igreja ficou afetada, incluindo a imaginária, particularmente a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, bastante danificada. “Consegui tirá-la com os bombeiros”, relata o padre Joaquim Beato, explicando que a imagem ganhou umas «lágrimas» que não tinha. “O calor derreteu a cola dos olhos de vidro que estavam incrustados na imagem e escorreu pela cara abaixo, até ao queixo”, justificou.

A pintura da capela-mor também ficou muito danificada pelo fumo do incêndio que foi detetado por um morador vizinho e que terá dado o alerta por volta das 3.30h, tendo o fogo, combatido pelos Bombeiros Voluntários de Silves e de Albufeira, sido extinto ao fim de uma hora.

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