Pub

A paróquia de Albufeira tem sido uma das que no Algarve mais tem procurado manter por via digital a ligação aos paroquianos durante os períodos de confinamento impostos pela pandemia de covid-19.

Para além de manter a funcionar a catequese por videoconferência e a transmissão em direto das eucaristias diárias, a paróquia promove ainda à terça-feira, pelas 21h30, uma formação sobre a encíclica ‘Spe Salvi’ do Papa Bento XVI, realizada no âmbito do serviço interparoquial celebrativo-formativo que implementou em conjunto com as paróquias algarvias de Boliqueime, Ferreiras e Paderne e com as alentejanas da Conceição, Garvão, Ourique, Panóias e Santana da Serra da vizinha diocese de Beja.

No entanto, e apesar de toda esta dinamização pastoral no ambiente digital, o pároco confessa ao Folha do Domingo que da sua parte “houve sempre uma grande resistência” inicial, tanto no primeiro confinamento como neste segundo, ultrapassada com a ajuda dos seus colaboradores mais próximos. “Eu não sou muito dado a este tipo de tecnologias, nem a estas formas de celebrar e de estar com as pessoas. Portanto, a minha reação foi sempre a mesma, tanto da primeira vez como agora”, conta o padre Flávio Martins, reconhecendo que a nível pessoal se pode quase falar de uma conversão às tecnologias.

“Deixei de pensar no que eu queria, no que era bom para mim e comecei a fazer isto, não por mim, mas pelo serviço à comunidade e aos meus paroquianos”, acrescenta o sacerdote, explicando que recorre à tecnologia para que aqueles “não se sintam sozinhos, isolados, abandonados”. O agradecimento que motivou continuar a fazê-lo chegou, após o primeiro confinamento em março e abril do ano passado. “Foi pela reação das pessoas que julgámos que seria necessário que agora, pelo menos a eucaristia semanal, se mantivesse presente na vida da comunidade”, sustenta.

Se essa primeira experiência apanhou a todos de surpresa, este segundo confinamento que se está a viver desde o mês passado, já pôde desta vez ser preparado. “Quando começámos a perceber que iria acontecer o mesmo agora, começámos a preparar tudo para viver outra vez esta experiência assim. Não é a mais adequada, mas é aquela que é possível”, refere o padre Flávio Martins, acrescentando ter havido necessidade de adquirir algum equipamento no último verão, sobretudo ao nível do som para as celebrações campais da eucaristia que a paróquia promoveu e que agora também está ser útil.

O sacerdote conta que a paróquia tem procurado “manter o programa pastoral”, adaptando-o à realidade da pandemia. Para a catequese e para as reuniões, a paróquia adquiriu ainda uma licença na plataforma Zoom que também tem servido para a realização de celebrações mais interativas com os paroquianos. Uma dessas celebrações ocorreu no passado domingo, com a bênção das crianças inserida na eucaristia em que participaram cerca de 60 famílias.

A paróquia aumentou ainda a sua presença nas redes sociais e até já criou um canal no cabo (383603 na operadora Meo, disponível no botão verde da box) a pensar naqueles que não têm facilidade de acesso às redes sociais e que assim poderão assistir em diferido à eucaristia.

Ao nível da catequese, o pároco refere que grande parte das crianças e jovens aderiu à sua realização por via digital, contudo foi preciso adaptar e reduzir as sessões porque ao fim de 40 minutos é difícil manter os níveis de concentração dos catequizandos. “O que procuramos fazer é dar um trabalho em todas as catequeses para que as crianças, os jovens e os do crisma possam fazer qualquer coisa mais prática”, acrescenta, garantindo que “o impacto das primeiras catequeses foi muito positivo”, não obstante ter começado a haver algum “cansaço” por serem “muitas horas à frente do computador”. “Temos consciência de que agora, com as aulas, possa haver alguma diminuição. Vamos também agora avaliar e veremos o que podemos fazer”, acrescenta.

No primeiro desconfinamento, a paróquia regressou à catequese presencial mas teve de a reestruturar, deixando de a levar a cabo para todos os anos no mesmo dia da semana e estendendo-a por três dias. Este ano acredita que fará do mesmo modo, quando terminar o atual confinamento. Nessa altura, também as celebrações da eucaristia deverão deixar novamente de ser transmitidas, tal como já acontecera o ano passado. No Natal, a paróquia chegou a celebrar as eucaristias no Pavilhão Desportivo, cedido pela Câmara Municipal, para que mais paroquianos pudessem participar. Em relação à manutenção de outras ações em simultâneo no ambiente digital, o pároco adianta que ainda não foi decidido.

Pub