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PCP diz que o Governo deve intervir no extremo nascente da Ria Formosa com “urgência”

O Governo deve reconhecer a necessidade de intervir com “urgência” no extremo nascente da Ria Formosa para permitir a subsistência dos valores naturais e patrimoniais e das atividades económicas das populações locais, defendeu o PCP.

O deputado Paulo Sá, único eleito do PCP pelo círculo eleitoral de Faro, visitou na segunda-feira Cacela Velha e o Sítio da Fábrica, e no final disse à agência Lusa que o partido vai pressionar o Governo e exigir na Assembleia da República uma intervenção para “repor as condições de navegabilidade” e o “reforço do cordão dunar” nessa zona.

Paulo Sá lembrou que o PCP questiona o Governo sobre a necessidade de realizar estas intervenções desde 2014, mas até ao momento nada foi feito para desassorear a barra de acesso à Ria Formosa em Cacela Velha e para reforçar o cordão dunar que separa a ria do mar.

“Infelizmente não tivemos nenhuma resposta do anterior Governo, que mostrou uma desconsideração por este problema. E o atual Governo deu uma reposta que não aceitamos, dizendo que o que se passava aqui era um processo natural, a natureza ia fazer o seu trabalho e não estava prevista nenhuma intervenção para esta zona”, contou.

O parlamentar do PCP advertiu que “a situação como está, e se nada se fizer, coloca em causa não só o património natural, mas também o património cultural em Cacela Velha e todas as atividades económicas que se desenvolvem na Ria Formosa em torno da produção de bivalves”.

Paulo Sá exemplificou com o número de viveiristas que foi caindo e que é atualmente de apenas um na Fábrica, depois de o que estava ainda em Cacela Velha ter “abandonado a atividade nas últimas semanas”, porque o assoreamento da barra impede a circulação da água, a sua oxigenação e a circulação de nutrientes necessária aos viveiros de ostras e ameijoa.

“Se não se fizer uma intervenção, esta atividade económica tradicional desaparece e é uma atividade que, no passado, envolveu dezenas e dezenas de famílias”.

Justino Correia tem uma embarcação marítimo-turística que, na época alta, transporta os turistas pela ria, desde a Fábrica até à língua de areia que a separa do mar e onde estão as praias, e criticou a intervenção feita em 2010, que abriu a barra em frente a Cacela Velha, levando ao encerramento de outra que existia a poente do Sítio da Fábrica.

A última intervenção no cordão dunar foi feita há 20 anos, quando a barra estava no Lacém, a cerca de um quilómetro da Fábrica, localização que “é a ideal” para os barcos entrarem e saírem sem problemas da ria e para a água circular, permitindo a atividade de viveiristas, disse.

“Se abrissem no Lacém de novo é que era bom. Porque em 2010, em vez de uma intervenção, fizeram uma destruição e mataram isto. Se nada for feito e isto continuar ao abandono, acabam com tudo”, lamentou.

Alexandre Rita também trabalha com uma embarcação na Fábrica e disse que haveria viveiristas interessados em regressar à atividade caso o desassoreamento fosse feito e repostas as condições na ria.

“O mesmo aconteceria com pescadores que foram obrigados a ir para Tavira ou para a Manta Rota, porque só conseguiam sair ao mar na maré cheia e com dificuldade”, acrescentou.

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