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Pe. Carlos de Aquino considera que a Igreja algarvia deve cumprir melhor o seu papel cultural

Foto © Samuel Mendonça
Foto © Samuel Mendonça

O responsável do Setor da Pastoral da Cultura, Património e Bens Culturais da Diocese do Algarve considera que a igreja algarvia “não tem cumprido bem o seu papel cultural”.

“Tenho de me penitenciar nessa dimensão como coordenador e responsável do Departamento da Cultura e dos Bens da Igreja porque ainda não conseguimos tentar alguma coisa neste âmbito”, lamentou o padre Carlos de Aquino, acrescentando que “falta um percurso identificativo”, pese embora haja “ensaios que se vão fazendo num ou noutro lugar, também por facilidade de relação com as Câmaras Municipais e mesmo com a Direção Regional da Cultura”.

O sacerdote falava no encontro, promovido na passada quinta-feira pelo Cine-Teatro Louletano, que teve como tema “Roteiros da fé para a valorização do Património e do Turismo” e no qual apresentou a proposta de criação de quatro itinerários.

“Neste âmbito cultural há muito a fazer. É um parente, às vezes pobre, nesta dimensão religiosa. Valorizamos muito o culto, a celebração; assistimos muito a manifestações mais exteriores, mas depois estas dimensões que também são importantes (embora não exclusivas) e que até ajudam as outras, nem sempre são valorizadas”, lamentou, lembrando que “a Igreja não apenas evangeliza quando celebra e vive o culto”. “Também evangeliza nos seus espaços, na cultura”, frisou.

O sacerdote destacou que “faz falta formação, educação e isso não está proposto, infelizmente”. “A Igreja ainda é muito pobre na sua dimensão cultural. Criou muita coisa mas não sabe educar os filhos para aprender a estar em casa e usufruir da casa”, criticou, lembrando que “o património cultural da Igreja constitui um recurso permanente para uma educação cultural, catequética, espiritual e humana”. “Este património, memória de uma tradição viva de épocas, contextos e estilos, procura conduzir sempre ao berço indizível e invisível de Deus”, prosseguiu, sublinhando que a dimensão cultural como um “convite permanente a uma experiência única de fé”. “A Igreja não pode deixar de assumir o ministério de ajudar o homem contemporâneo a encontrar o assombro religioso perante o fascínio da beleza, da sabedoria que emana de tudo o que a história nos entregou”, advertiu.

Citando o papa Paulo VI na exortação apostólica Evangelii Nuntiandi considerou que “o grave perigo e risco do tempo de hoje é o grande divórcio entre evangelho e cultura”. “O património que possuímos ainda é fascínio apelativo e uma mais-valia na valorização da vida, da pessoa, de quem caminha, de quem procura usufruir desses espaços?”, interrogou, lembrando que “as igrejas são fóruns”. “A basílica era um fórum de cultura, de humanismo”, recordou, considerando que as igrejas não servem apenas para concertos musicais e que pode haver “debates e reflexões cívicas” que podem acontecer dentro da “casa-igreja”, “desde que se respeite o espaço sagrado, que não se adultere na presença que lá se tem”.

Aquele responsável criticou ainda que o património esteja longe do olhar das pessoas. “Às vezes pensamos que para a dignidade do espaço e para a sua conservação é melhor mantê-lo fechado. Esse é um conceito errado. A salvaguarda do património não é escondê-lo e limitá-lo à visibilidade do povo e permitir que não seja usado para a celebração festiva da fé. Não podemos tornar as imagens como se fossem sagradas, mais sagradas, por exemplo, do que a eucaristia que é a única coisa sagrada porque real. Esconde-se, guarda-se muito mal e deteriora-se e as pessoas não veem os bens que fizeram parte de uma memória e de uma história que podiam ser valorizados por catequese ao povo”, lamentou, reconhecendo a falta de “equipas” nas comunidades eclesiais para que os espaços estejam abertos. “Não se delega missões. Este é um grande desafio à igreja”, frisou, defendendo a necessidade de um trabalho de formação com os guias turísticos.

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