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Os pescadores estão preocupados com o assoreamento que dificulta a navegabilidade na barra de Tavira e pedem ao Governo a realização de dragagens “urgentes” para permitir a entrada e saída de embarcações em segurança.

As preocupações sobre a falta de desassoreamento da barra de Tavira e canais de navegação de acesso aos portos de Tavira, Cabanas e Santa Luzia foram manifestadas pelas Associação de Armadores e Pescadores de Tavira (APTAV) e secundadas pela autarquia, que alertou para as dificuldades dos profissionais, já afetados pelos efeitos da pandemia de covid-19 na economia.

Leonardo Diogo, presidente da APTAV, disse à agência Lusa que os pescadores estão a assistir “há vários meses a uma degradação da barra de Tavira” e que os últimos “vendavais de sudeste na costa algarvia deixaram a barra toda assoreada”, com “meio metro de água com a baixa a mar”, o que dificulta a entrada e saída da barra.

“As embarcações querem ir para o mar e não conseguem, só conseguem entrar e sair com a meia maré enchente e, por causa disso, os pescadores da comunidade de Tavira estão todos revoltados”, afirmou, apelando ao Governo para que interceda junto das entidades com competência na matéria para avançarem com trabalhos de dragagem.

Segundo o dirigente associativo, os “pescadores e famílias estão a passar fome por não conseguirem ir ao mar”, sendo que a associação está a ter o apoio da Câmara para que seja encontrada uma solução para o problema tão breve quanto possível.

O capitão do porto de Tavira, Rui Andrade de Vasconcelos, reconheceu à Lusa que a barra de Tavira tem problemas de assoreamento, “sobretudo no lado oeste”, e que a segurança “pode estar em causa, em situações de mau tempo”, mas remeteu mais esclarecimentos para a Docapesca, gestora dos portos portugueses.

A Lusa também questionou a Docapesca e fonte da empresa respondeu que o “decreto-lei n.º 16/2014, de 03 de fevereiro” lhe atribuiu a “jurisdição portuária direta dos portos de pesca e marinas de recreio”, mas sublinhou que o “artigo 18.º do referido decreto-lei” faz a regulação da “proteção portuária e dragagens” e estas “são confiadas à Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos [DGRM]”.

A presidente da Câmara de Tavira, Ana Paula Martins, disse à Lusa, por seu turno, que as condições da barra local são “um problema que já vem de há bastante tempo, que se procurou minimizar em 2017 ou 2018”, com uma intervenção realizada no âmbito da Polis Litoral da Ria Formosa, “mas que não resolveu completamente e, daí para cá, a barra tem vindo a assorear”.

“É realmente um problema e vamos fazer uma exposição formal à DGRM”, afirmou Ana Paula Martins, adiantando que já houve “contacto com a secretaria de Estado” da tutela por parte da autarquia.

O objetivo, acrescentou, é “tentar ter a dragagem agora, o mais rápido possível”, com a possibilidade de se avançar com uma solução “em junho ou setembro”.

A autarca lembrou que estes procedimentos também têm “burocracia” e “levam algum tempo”, mas assegurou que a “situação da barra já está sinalizada” e falta “a DGRM arranjar verbas para proceder a esta empreitada”.

O custo estimado dos trabalhos prioritários a realizar é de cerca de “250.000 euros”, quantificou.

Ana Paula Martins advertiu que a “situação da pandemia de covid-19 está a afetar todas as atividades” e classificou as dragagens a realizar como “urgentíssimas”, porque os pescadores “têm de fazer [o atravessamento da barra] para sobreviver” e as condições atuais “não podem persistir por muito mais tempo”.

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