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Plataforma hispano-portuguesa diz que o Algarve perdeu 50% de visitantes espanhóis em 2013

© Luís Forra/Lusa
© Luís Forra/Lusa

A Plataforma Hispano-Portuguesa de Afetados pelas Portagens da Via do Infante (A22) revelou ontem que o Algarve teve uma quebra de 50 por cento no número de visitantes espanhóis em 2013.

Na sua segunda reunião, realizada em Ayamonte (Espanha), a Plataforma decidiu enviar convites a outras forças políticas e associações empresariais e realizar um almoço a 13 de dezembro, em local ainda a definir, para decidir formas de luta futuras para combater as portagens na A22 e que podem incluir uma ação na ponte internacional do Guadiana, ligação entre Portugal e Espanha a sul.

No final do encontro, João Vasconcelos, da Comissão de Utentes da Via do Infante, anunciou que a estrutura vai entretanto pedir reuniões ao presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve e autarca de Tavira, Jorge Botelho, e ao novo secretário-geral do PS, António Costa, para perceber a sua posição relativamente às portagens na A22 e aos impactos negativos que tem tido na economia transfronteiriça.

A Plataforma deu-se hoje a conhecer às associações, forças políticas e particulares em Ayamonte e fez uma avaliação “muito negativa” do impacto que as portagens na A22 – antiga autoestrada Sem Custos para o Utilizador (SCUT) – teve para o Algarve e a Andaluzia, assim como para a província espanhola mais próxima da fronteira, a de Huelva.

Ao longo do encontro tomaram a palavra representantes dos quatro coletivos que integram a Plataforma – a Comissão de Utentes da Via do Infante e o Bloco de Esquerda, do lado português, e as forças políticas Podemos e Izquierda Unida, do lado espanhol – e foram feitos apelos a uma ação ativa, concertada e mais alargada para acabar com as portagens na A22.

“Ayamonte teve menos 30 por cento de visitantes portugueses no último ano e no Algarve houve menos 50 por cento de espanhóis. O tráfego de transporte é praticamente inexistente na Via do Infante, o que há é de particulares. Isto supõe cerca de 25 por cento de quebra na atividade económica da província [de Huelva] e em Portugal o prejuízo é cifrado em 30 milhões ao ano”, afirmou Fernando Vaquero, de Podemos.

A mesma fonte cifrou em “12 milhões de euros os prejuízos registados na economia da província de Huelva em 2013”, aos que se somaram “2,5 milhões de perdas em receitas fiscais”, enquanto no turismo da província, “que tinha 90 por cento dos 150.000 visitantes anuais proveniente do aeroporto de Faro”, o valor “caiu 10 por cento” e houve “prejuízos de 1,5 milhão de euros na hotelaria, restauração e serviços associados”.

O golfe, que “era um baluarte para combater a sazonalidade do turismo em Huelva, sofreu também uma quebra de 50 por cento”, acrescentou.

A Plataforma quer “convencer as autoridades portuguesas e europeias, com ajuda das autoridades espanholas”, a acabar com o pagamento de portagens na Via do Infante devido ao “impacto económico, social e cultural negativo” que representou, disse António Miravent, da Izquierda Unida.

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