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Joao_moura_reisA falta de médicos no interior do país é um problema que pode ser combatido pelo Governo com a abertura de concursos nacionais, defendeu no sábado o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, durante um debate em Loulé.

“Acaba por ser como com os professores, um concurso nacional” que permitiria distribuir os médicos de forma mais eficaz pelo país e combater a dificuldade que as regiões do interior têm em atrair médicos para os seus serviços, explicou à Lusa João Mora Reis.

No Algarve, um terço da população não tem médico de família atribuído e, de acordo com os estudos feitos, a região tem falta de 82 médicos para esta especialidade, para os quais já foi aberto concurso.

A opinião é partilhada pelo presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve, Pedro Nunes, que também participou no debate sobre o estado da saúde no distrito de Faro promovido pelo PSD Algarve.

Para Pedro Nunes, a solução para atrair médicos pode passar pela chamada discriminação positiva, por suplementos remuneratórios ou pela concentração das contratações através de um concurso nacional semelhante ao que acontecia na década de 90.

“Nesses concursos as pessoas ou concorrem para as vagas abertas no interior, ou ficam fora do sistema”, explicou.

No caso do Centro Hospitalar do Algarve (CHA), a falta de especialistas é generalizada em quase todas as áreas, tendo aquele responsável dito que a falta de anestesistas, ginecologistas, obstetras e pediatras são algumas das mais prementes.

A falta de anestesistas afeta o trabalho de todos os outros especialistas, em particular na área cirúrgica, e a falta de especialistas na área da saúde materno-infantil, a manter-se, poderia obrigar a administração a fechar uma das maternidades, pormenorizou Pedro Nunes.

Um cenário que Pedro Nunes disse querer afastar do horizonte de possibilidades, quanto antes.

A dificuldade está no atrair os especialistas para a região e não na falta de verbas, vincou aquele responsável observando que, no último ano, foram contratados 90 enfermeiros, 70 assistentes operacionais e está em curso um concurso para assistentes técnicos.

“No caso dos médicos, não é por falta de ‘cabimentação’ – estão orçamentados. Se eles virem temos como lhes pagar. O problema é eles virem”, prosseguiu.

No último ano, foram abertos procedimentos para a contratação de 210 médicos para o Algarve, mas apenas 24 vagas foram preenchidas.

Durante o debate, Pedro Nunes mostrou um quadro da média diária da afluência de utentes às urgências do CHA, tendo comentado que, apesar da maior afluência registada no verão, durante o pico turístico na região, os casos registados, por exemplo, em janeiro, o preocupam mais, por apresentarem quadros clínicos mais complexos.

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