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A transferência do médico deixou, desde 1 de junho, o centro de saúde de Alcoutim com apenas dois clínicos a prestarem serviço à população, que viu também o horário de funcionamento ser reduzido, com o encerramento a passar das 21:00 para as 18:00, explicou à agência Lusa o autarca, Francisco Amaral.

Embora tenha sublinhado que os médicos do centro de saúde de Alcoutim vão ter 1.500 doentes cada e toda a população do concelho, que ronda os 3.000 habitantes, vai ter médico de família, Francisco Amaral considerou que a dispersão territorial do município e a população maioritariamente envelhecida justificavam um tratamento diferenciado e a manutenção do terceiro clínico.

“Este é um concelho com a população dispersa, com cerca de 100 povoações espalhadas pelo seu território, que há cerca de meia dúzia de anos já viu ser fechado o Serviço de Atendimento Permanente (SAP), que resolvia 99 por cento das situações, e as extensões de saúde de Giões e do Pereiro”, recordou.

O presidente da câmara, que é médico de profissão, sublinhou que muitas das pessoas que residem no município são idosos, dependentes de filhos e netos para serem transportados das suas povoações até ao centro de saúde, e “só depois de esses familiares saírem do trabalho é que costumavam ir ao médico”.

“Uma grande afluência ao centro de saúde de Alcoutim é a partir das 18:00. E isto vai inviabilizar que esta gente venha ao centro de saúde e fazer com que tenha que se deslocar a Vila Real de Santo António [situada a cerca de 45 quilómetros]”, afirmou, numa referência à antecipação de três horas no horário de encerramento”.

Francisco Amaral disse estar já a efetuar contactos com o Agrupamento de Centros de Saúde de Tavira, no qual está inserido o centro de saúde de Alcoutim, e com a Administração Regional de Saúde do Algarve para encontrar uma solução que permita reabrir o centro de saúde entre as 18:00 e as 21:00.

Entre as hipóteses em estudo está, segundo o autarca, a contratação de um médico por uma Instituição Particular de Solidariedade Social do concelho, que prestaria serviço nesse horário, com a ARS e ceder as instalações, os enfermeiros e o pessoal administrativo, como fazia até aqui.

Lusa

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