Inicio | Política | Presidente da Câmara de Faro acusa PS de “obstaculizar” aprovação de Orçamento na Assembleia Municipal

Presidente da Câmara de Faro acusa PS de “obstaculizar” aprovação de Orçamento na Assembleia Municipal

Rogério Bacalhau (E) e Luís Graça (D) • Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O presidente da Câmara de Faro, o social-democrata Rogério Bacalhau, acusou hoje o PS de “obstaculizar” a gestão do executivo, ao reprovar o Orçamento para 2019 na Assembleia Municipal (AM), com o voto de qualidade exercido pela presidência socialista.

Rogério Bacalhau disse ter sido “surpreendido” com a posição da bancada do PS na Assembleia Municipal de segunda-feira porque, “dias antes, o Orçamento tinha sido aprovado pela Câmara Municipal e a vereação socialista não tinha manifestado discordâncias relativamente às taxas” de impostos a aplicar no próximo ano no município.

Em declarações à Lusa, o presidente da Assembleia Municipal, Luís Graça, disse que não aceita ser responsabilizado pela eventual perda de receitas de dois milhões de euros que, segundo o executivo, a reprovação do Orçamento implica, e acusa a coligação de direita (PSD/CDS-PP/MPT/PPM) liderada por Rogério Bacalhau de “egoísmo” por não refletir a melhor situação económica que se vive no concelho na descida de taxas com o IRS ou a Derrama.

Rogério Bacalhau afirmou que a atitude da presidência da Assembleia Municipal “já não surpreende muito, porque o PS tem vindo a tentar obstaculizar a atuação” do executivo desde “o ‘chumbo’ dos serviços especializados para as piscinas e os serviços educativos na área do desporto”, que “ainda não foi resolvido”, observou.

“E agora foi esta questão de chumbarem a Derrama sobre as empresas, que nos daria uma receita de 2,1 milhões de euros e, sem essa receita, o investimento que temos para o concelho fica posto em causa”, lamentou o presidente da Câmara algarvia.

Rogério Bacalhau disse ter chegado à Assembleia Municipal com a ideia de que “os vereadores do PS de alguma forma concordaram com todas as taxas” contidas no Orçamento, que fora aprovado pela Câmara Municipal, e que “não tinha indicações” de que poderia ser reprovado por causa da exigência de reduzir a Derrama e o IRS.

“No ano passado baixámos o IMI de 0,5% para 0,4%, reduzimos receita, também já tínhamos reduzido no ano anterior, mas não podemos estar aqui a baixar todos os anos sucessivamente a receita, sob pena de não termos capacidade para fazer investimentos”, argumentou o autarca, que já está a “refazer” o orçamento e vai aguardar para “ver o que o PS vai continuar a fazer” e se continuará “a prejudicar os farenses”.

O presidente da Assembleia Municipal, o socialista Luís Graça, disse que não esteve presente na reunião em que o orçamento foi votado, na qual foi substituído por uma secretária, mas rejeitou qualquer responsabilidade por uma eventual perda de receitas motivada pelo sentido de voto do PS.

Luís Graça acusou a autarquia e Rogério Bacalhau de “egoísmo” e argumentou que, na atualidade, “há muito mais pessoas a trabalhar” e “empresas em atividade” depois “da tempestade do Governo de direita em que as taxas de desemprego e as falências de empresas eram altíssimas”, e uma diminuição de IRS ou de Derrama “pode não implicar uma perda” de receitas.

“O que estamos a dizer à Câmara é que não seja egoísta, pense um pouco nas pessoas e nas empresas, diminua um pouco a taxa de IRS, diminua um pouco a Derrama e vai ver que ganhamos todos: as famílias, porque ficam com mais rendimento disponível, as empresas, porque ficam com lucro para poder reinvestir, e ganha a câmara, porque provavelmente nem perde receita”, disse o também deputado socialista.

Verifique também

Parlamento recomenda procedimento simplificado para apoiar vítimas do incêndio de Monchique

A Assembleia da República aprovou hoje recomendações do PSD, CDS-PP e BE para que o …

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.