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Depois de Vila Real de Santo António e de Lagos, Loulé foi o terceiro concelho algarvio onde o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve, no âmbito de um conjunto de visitas à região que decorrerá até setembro.

Num concelho marcado pela diversidade, foi também em diferentes contextos que o Chefe de Estado português foi recebido: primeiro, numa tónica social, visitou o Lar da Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime, e depois, numa reunião de carácter económico, contactou com elementos da comunidade britânica, residentes e investidores, naquele município.

O Presidente cumpriu a promessa que fez na altura em que surgiu o foco de Covid-19 e veio ao Lar da Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime, “homenagear o esforço coletivo num momento muito dramático da vida de todos, que envolveu uma instituição com história mas com futuro, e que foi apoiada pelo Município, pela Freguesia e pela comunidade”.

“Solidariedade!” e “Estamos juntos!” foram as principais mensagens que Marcelo Rebelo de Sousa quis deixar aos utentes, funcionários e corpos dirigentes deste lar fustigado pela pandemia em abril passado.

“Acompanhei desde o início o que se passou e, felizmente, depois de meses complicados, desde o princípio de junho conseguiu dar a volta. Tem que continuar assim”, sublinhou, referindo-se à atual ausência de casos positivos.

O Presidente da República foi ainda presenteado pelo pároco da freguesia, padre Pedro Manuel, com uma imagem do padroeiro São Sebastião. Já na igreja matriz de Boliqueime, Marcelo Rebelo de Sousa participou numa sessão em que o presidente da Câmara de Loulé, que se referiu ao papel ativo do Município de Loulé no apoio à Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime neste momento difícil. “Desde o primeiro ao último minuto, a Câmara, com todos os seus recursos materiais e morais, esteve presente. Autarcas e funcionários municipais viveram intensamente aqueles dias que nos deixaram lições para o futuro e vários motivos de reflexão”, afirmou Vítor Aleixo.

O autarca informou que a ação conduzida pela Câmara Municipal de Loulé no Lar da Santa Casa da Misericórdia custou ao erário público mais de 90.000 euros e falou dos momentos de incerteza provocados pela pandemia em que “a saúde física e mental de muitas pessoas foi submetida a dura prova”. “Perderam-se vidas, algumas de entes queridos, familiares e amigos, em circunstâncias especialmente dolorosas. Perdeu-se economia de forma traumática. Ainda desconhecemos a devastação das consequências sociais mas trabalhamos já, a fim de nos prepararmos para o que for preciso, com uma mão amiga, solidária e para nos relembrar que esta pandemia, por mais que nos leve, não nos levará nunca a nossa humanidade”, considerou o edil.

Neste momento, o responsável do Município de Loulé deixou uma palavra de apreço para todos os que tiveram um papel determinante numa situação difícil de crise sanitária, desde os profissionais de saúde, forças de segurança, trabalhadores dos lares, funcionários municipais e muitos outros homens e mulheres.

O momento teve como convidada Lídia Jorge, filha da terra. Com um discurso emotivo, a escritora relembrou o papel central desta instituição na comunidade local, “uma casa-mãe, aglutinadora, reparadora, acolhedora, ao mesmo tempo um polo colonizador da ação de solidariedade para com os mais velhos e instituição de auxílio para com as famílias que a ela entregam os seus parentes”.

A escritora sublinhou ainda todas as “medidas de precaução tomadas antecipadamente e com rigor absoluto”, apesar do vírus ter conseguido entrar na instituição, e enalteceu o trabalho de todos e sobretudo, “a coragem de duas dezenas de cuidadoras e cuidadores que não se afastaram dos seus postos de trabalho e se dedicaram dia e noite a cuidar dos idosos, dos infetados e não infetados”.

Nas palavras dirigidas aos presentes no interior da igreja de Boliqueime, Marcelo Rebelo de Sousa falou do exemplo português como um caso de exceção naquilo que é o respeito pelo outro no contexto da pandemia. “Os portugueses souberam superar-se a si próprios num momento de medo, de pânico. Foram inexcedíveis aqueles que confinaram, os que trabalharam, que providenciaram o nosso sustento, os que lutaram pela saúde e pela vida e saúde dos seus conterrâneos, os que cuidaram dos outros, os responsáveis das autarquias, membros do Governo”, considerou.

Foto © Jorge Gomes/Click Time Photo

Depois de Boliqueime, o líder da nação rumou à cidade de Loulé para um encontro com britânicos residentes e investidores no concelho. O encerramento do corredor aéreo com Portugal, o Brexit e as relações económicas entre Portugal e o Reino Unido foram alguns dos temas abordados neste encontro, realizado no Palácio Gama Lobo, onde marcou também presença o autarca Vítor Aleixo.

“São britânicos, na sua maioria ingleses, que vivem e gostam de viver aqui em Loulé e que puxam pela região. Vieram dizer como veem esta relação, o que é que acham que podia ser feito mais e melhor para ultrapassar estes problemas que agora apareceram e que afetam o turismo britânico, tão importante para Portugal. Foi uma conversa muito franca, foram muitos os que intervieram, disseram o que pensavam no plano das regras sanitárias, da sua aplicação, das relações económicas”, explicou o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa terminou este périplo pelo concelho de Loulé com uma passagem pelo Percurso Eco-Botânico Manuel Gomes Guerreiro e um jantar de trabalho com os autarcas num restaurante na típica aldeia de Querença.

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