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A sessão, que contou com a presença maioritária de professores, mas também de encarregados de educação e representantes de associações de pais, teve lugar no Centro de Novas Oportunidades da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira.

Foi oradora Sofia Mendonça, coordenadora nacional deste programa, que tem o apoio de uma equipa internacional que, além de habilitar formadores, transmite as experiências pedagógicas que o programa vai tendo nos 18 países onde é aplicado. Em Portugal, para já, está a ser aplicado em escolas públicas e privadas do Oeste e da grande Lisboa.

Sofia Mendonça criticou a abordagem feita na escola a esta temática por considerar altamente redutor cingi-la unicamente ao campo da sexualidade e considerou que, por detrás do seu exercício, deve estar primeiramente a ideia de um projeto de vida.

Por isso, concluiu que o programa “Protege o teu coração” acaba por ser essencial, numa perspetiva de formação cívica, e não complementar, precisamente porque pretende despertar nos jovens a ideia de um projeto de vida com consequências mais a médio e longo prazo e não apenas para gozar a vida e aproveitar, de forma irresponsável, as energias da juventude.

A oradora defendeu que os jovens devem reservar o exercício da sua sexualidade para não desperdiçarem a sua capacidade de amar em experiências com nefastos efeitos colaterais para o equilíbrio da sua personalidade ainda em formação, referindo mesmo estudos que associam o início precoce da vida sexual ao insucesso escolar.

Desenvolvido na Colômbia, pela iniciativa de um grupo de pais preocupados com a educação sexual dos seus filhos, o programa pretende ajudar cada jovem a construir um caráter forte e autónomo com base em cinco dimensões da vida que nunca se podem dissociar entre si: a dimensão física, social, racional, emotiva e transcendente. Neste âmbito, é composto por 25 módulos, destinado sobretudo aos 6º, 7º e 8º anos, onde se abordam temas como a autoestima, assertividade, amizade e namoro, influência da pornografia, consciência da fertilidade, entre outros.

Um dos seus principais objetivos reside em ajudar os destinatários a reconhecer a sua vulnerabilidade, através do recurso a vídeos, cartoons ou jogos lúdicos que lhes permita reconhecer as pressões de que são alvo e quais os modos de lidar com elas.

Sofia Mendonça criticou algumas sessões, inclusive em escolas públicas, onde se defende a inocuidade do início da vida sexual precoce desde que se usem os métodos contracetivos. Por um lado, porque a pílula e o preservativo não garantem uma proteção a 100%, sobretudo quando usado por jovens inexperientes, e, por outro, porque estes métodos contracetivos não protegem a dimensão emocional e racional da sexualidade.

De acordo com a sua experiência, evidenciou que muitos jovens não têm qualquer noção da responsabilidade e das consequências da relação sexual, em termos de doenças sexualmente transmissíveis e de gravidez indesejada. Além disso, o início da vida sexual representa, para muitos adolescentes, o agravamento de um estado de instabilidade e insegurança emocional no âmbito de namoros pouco consolidados, se não mesmo de aventuras meramente esporádicas.

Para esta especialista, os pais e os professores falham na forma e na linguagem usada para educar ao tentar incutir “deveres” e “obrigações” causando um efeito precisamente contrário ao desejado.

Perante o interesse manifestado pelos pais e professores presentes, Sofia Mendonça mostrou recetividade para vir ao Algarve desenvolver algumas sessões em escolas (públicas ou privadas) que o solicitem. Cada sessão do programa tem o custo de 60 euros mais a deslocação, embora o mínimo desejável para atingir alguma eficácia passe pela realização de, pelo menos, duas sessões. Em algumas escolas, a fim de rentabilizar a presença da formadora, propõem-se sessões com várias turmas em dias seguidos.

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