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Numa pergunta dirigida ao primeiro-ministro e apresentada pelo grupo parlamentar socialista, os deputados do PS querem saber os contornos da venda pública e se o Governo "está empenhado em evitar que o acervo com mais de 150 anos saia do concelho de Silves".

Para Miguel Freitas, deputado socialista eleito pelo círculo de Faro e um dos subscritores do documento, "é impossível imaginar que um acervo cultural da dimensão histórica como a do Museu da Cortiça possa vir a ser dispersado, sair do concelho de Silves ou mesmo da região algarvia".

O parlamentar recorda a importância que o museu tem para a região, "não só em termos culturais e históricos, como em termos económicos", realçando os mais de 100 mil visitantes que o museu recebeu em 2001, ano em que foi distinguido com o prémio "Luigi Michelett" de melhor Museu Industrial da Europa.

"A importância que o setor da cortiça teve no século XIX para o desenvolvimento do país e, principalmente, para a região algarvia é revelada através da documentação e maquinaria expostas, com mais de 150 anos", observou Miguel Freitas.

No documento entregue no parlamento, os deputados do PS lembram que "a história coletiva de um povo e de uma região, assenta na preservação da memória, através da preservação, dinamização e divulgação do seu património cultural, sendo os museus o local preferencial e de excelência para o fazer".

Os parlamentares recordam também que, em novembro de 2010, um projeto de resolução, aprovado na Assembleia da República, recomendava ao Governo "a adoção de medidas de proteção e valorização do património".

Segundo os deputados, na sequência dessa resolução, o executivo manifestou em janeiro, através da direção Regional de Cultura do Algarve, a intenção de apoiar tecnicamente os proprietários do Museu, na inventariação e aplicação de medidas de conservação para impedir a degradação do património museológico.

Contudo, destacam os deputados socialistas, com a redução do Ministério da Cultura em 2011 "desconhecem-se as medidas de preservação que foram adotadas".

"Ao verificar-se esta hasta pública não está garantida a reabertura do Museu, perde-se em definitivo o investimento que foi feito na ordem dos 12 milhões de euros", conclui o documento entregue no parlamento.

O complexo da Fábrica do Inglês, que inclui o Museu da Cortiça, em Silves, está a ser leiloado por dívidas ao Estado no sítio eletrónico da Autoridade Tributária e Aduaneira, com uma base de licitação de 1.898.820 euros, decorrendo o prazo para a apresentação das propostas até às 11:00 do dia 05 de junho.

Lusa

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