Pub

© EPA/Luís Forra
© EPA/Luís Forra

O arranque animado do Rali de Portugal, com o temporal a dificultar o reconhecimento dos troços e os acidentes e escolhas de pneus a baralhar a tabela, acabou com o cenário habitual: vitória para Sebastien Ogier (Volkswagen).

O campeão do Mundo e líder do Mundial de pilotos partia para a 48.ª edição do Rali de Portugal como claro favorito: tem o melhor carro, o Volkswagen Polo-R (que ganhou 14 dos 17 ralis em que entrou), e a vantagem da experiência, graças às anteriores vitórias em Portugal (2010, 2011 e 2013).

Não foi surpresa, por isso, um arranque na frente, na superespecial de Lisboa, na quinta-feira. Ogier trouxe para o Algarve uma vantagem “magra” de 1,3 segundos para o seu colega de equipa, o finlandês Jari-Matti Latvala, mas foi nos primeiros troços de sexta-feira que a emoção apareceu pela primeira vez.

Num rali que exige aos navegadores notas muito precisas, para negociar curvas cegas, antecipar taludes e rodar em linhas de corrida mais limpas, as chuvadas dos dias anteriores ao Rali impediram um bom reconhecimento e baralharam todas as contas. Em piso lamacento e com pneus macios, o espanhol Dani Sordo (Hyundai i20 WRC) ganhou a liderança na PEC2, apenas para a perder outra vez para Ogier.

Além de pneus duros, o campeão ainda tinha de “abrir” a estrada (uma “prenda” por liderar o Mundial), limpando as linhas de corrida para os pilotos que se seguiam. O finlandês Mikko Hirvonen e o estónio Ott Tanak (Ford Fiesta WRC), ambos com pneus macios, controlavam a distância para o primeiro e apenas o colega de equipa de Ogier, Jari-Matti Latvala, parecia ter condições de disputar o primeiro lugar da geral.

Só que Latvala cometeu um erro na primeira especial da tarde de sexta-feira, capotou o carro e pôs fim à sua etapa, restando-lhe esperar que a equipa conseguisse arranjar o Polo-R em condições para sábado, o que aconteceu.

O acidente de Latvala pareceu funcionar como um sinal para os Ford de Hirvonen e Tanak, que capitalizaram os pneus macios e terminaram o dia na frente de Ogier. O francês diria mais tarde que pensou que os troços algarvios estavam mais secos do que estavam e que tinha sido um erro rodar com pneus duros.

Não contabilizou o custo pago pelas equipas que apostaram nos macios: usaram todos os pneus macios na primeira etapa, à espera que o tempo quente do Algarve secasse os troços para sábado. Mas, os troços não secaram o suficiente e ainda estava melhor para macios.

No sábado, Ogier voltou a restabelecer a ordem habitual no Mundial: depois de montar macios, passou Tanak, recuperou a liderança a Hirvonen e terminou o dia na frente. Hirvonen resumiu a segunda etapa: “Fiz tudo o que podia. Os pneus estão ‘slicks’ na traseira e ele (Ogier) está a fugir. Não há nada que possa fazer, mas vamos continuar”.

No final de sábado, já o estónio Ott Tanak estava de fora das contas, depois de se despistar na PEC10, e o francês da Volkswagen tinha a vitória na mão: 38 segundos de vantagem sobre Hirvonen e pneus frescos para gerir e disputar os pontos adicionais da Powerstage de hoje, última etapa.

Acabaria por vencer tudo: “Foi um grande fim de semana, com a nossa quarta vitória aqui (em Portugal). Não foi um rali fácil, mas, no final, outra vitória e também o máximo de pontos (três) na Powerstage. Perfeito”, disse.

Na estreante Hyundai, um surpreendente Dani Sordo partiu uma transmissão na ligação à primeira especial de hoje e ficou impedido de lutar pelo terceiro lugar, enquanto o belga Thierry Neuville danificou o carro na manhã de hoje e terminou em sétimo.

Nota ainda para o melhor português em prova, Bernardo Sousa, que fez um quinto lugar na categoria WRC2 (15.º na geral absoluta), e para o polaco Robert Kubica (Ford Fiesta WRC): ainda não foi desta que acabou um rali e em Portugal junta mais dois despistes ao seu palmarés.

Pub