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Rede ‘Cuidar da Casa Comum’ foi apresentada a agentes algarvios da pastoral social

As XVII Jornadas de Ação Sociocaritativa da Diocese do Algarve – que este ano constituíram simultaneamente o VIII Encontro dos Centros Sociais Paroquiais e das Santas Casas da Misericórdia promovido pela diocese algarvia – contaram com uma apresentação da rede ‘Cuidar da Casa Comum’.

A apresentação, feita por Maria Luísa Ribeiro Ferreira no passado sábado no encontro que teve lugar no Centro Pastoral e Social da diocese algarvia, em Ferragudo, com 65 participantes de todo o Algarve, tem como objetivo principal “dar a conhecer e aprofundar a encíclica Laudato Si’” [Louvado Seja] do papa Francisco, de maio de 2015, que tem como temática central a ecologia. “O que nós pretendemos é que não se fique numa abordagem meramente teórica da encíclica”, explicou aquela professora catedrática de Filosofia Moderna e Contemporânea, considerando ser “difícil não concordar com o que lá está” escrito, mas “mais difícil passar para a realidade”. “E essa passagem do teórico para o concreto é a grande pretensão da rede”, acrescentou, concretizando que “esta rede, que foi recentemente formada, procura consciencializar as pessoas de uma necessária alteração do modo como tratam a natureza”.

A oradora disse ainda que outros dos objetivos da iniciativa passam por “promover uma real e operativa consciência do cuidado da «casa comum»” e por “proporcionar instrumentos de análise, aprofundar e difundir a Teologia da Criação”.

Maria Luísa Ferreira disse que a especificidade desta rede, constituída por iniciativa de um conjunto de pessoas individuais, a que entretanto se juntaram instituições, organizações e movimentos da Igreja Católica”, visa a criação da “espiritualidade ecológica” proposta pelo papa no documento. “Este rede é um convite para desenvolver a eco-espiritualidade”, assegurou.

Aquela ativista disse que o projeto já procurou sensibilizar algumas paróquias através de um “teste eco-diagnóstico” que procura, por exemplo, saber “se a comunidade tomou alguma iniciativa para tratar temas ecológicos”, “se o tema da criação está presente na catequese das crianças e dos adultos, nas homilias, na oração dos fiéis, nos cânticos das celebrações, no consumo das flores”, “se há grupos de jovens que se interessam pelo tema”, “se existe alguma preocupação ecológica na gestão dos espaços físicos, como por exemplo no consumo de energia”, incluindo “que tipo de lâmpadas se usa” a par das preocupações com “o aquecimento, o ar condicionado, o isolamento das janelas”, entre outros aspetos.

Frisando que “em França esta encíclica foi levada muito a sério pelos párocos”, a oradora instou a que o mesmo aconteça em Portugal, não apenas nas paróquias como nas casas particulares. “Há que procurar no nosso dia-a-dia como é que nós podemos alterar certo tipo de práticas e de hábitos que estão enraizados em nós, mas que acabam por levar a uma delapidação da terra. Há que questionar como é que produzimos, como é que consumimos e como é que nos deslocamos, as tecnologias que usamos, os efeitos dos lixos que acumulamos”, afirmou, exortando a “um novo estilo de vida” que “implica ultrapassar o individualismo”.

Neste sentido, Maria Luísa Ferreira desafiou à “ética do cuidado” que “tem a ver com a relação pessoa-a-pessoa”. “Temos de inventar um novo modelo civilizacional baseado nesta nova ética”, propôs, desafiando à criação de “focos de conversão ecológica” que são pequenos grupos de 5 a 10 pessoas que procuram “fomentar a conversão ecológica no seio das suas respetivas comunidades”. “A esses focos nós entregaríamos material para ser trabalhado”, acrescentou.

Maria Luísa Ferreira explicou ainda que a rede ‘Cuidar da Casa Comum’, “plataforma que está aberta à participação ecuménica, é constituída por “uma comissão executiva e uma comissão teológica e científica que dá apoio e suporte a tudo aquilo que vai sendo escrito e participado”. “A Conferência Episcopal Portuguesa está em consonância com a rede e, mais particularmente ainda, a Comissão Episcopal do Laicado e Família”, acrescentou, adiantando que, entre outras iniciativas, a organização pretende promover a celebração do “Dia da criação” em outubro.

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