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Responsável da Diocese de Leiria-Fátima veio desafiar ao voluntariado missionário

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A assembleia da Diocese do Algarve que serviu para apresentar, na manhã do último sábado, as linhas programáticas para o ano pastoral 2018/2019 que agora começou – o segundo ano do programa pastoral trienal que conduz a Igreja algarvia até 2020 – contou com uma mesa redonda composta por duas apresentações sobre os temas “Os jovens e a Igreja” e “Uma Igreja missionária do lado de cá”.

No âmbito da segunda dimensão teve lugar a intervenção do padre Joaquim Domingos Luís, missionário do verbo divino e diretor do serviço de animação missionária da Diocese de Leiria-Fátima, que veio substituir o anunciado padre António Lopes, diretor das Obras Missionárias Pontifícias, que não pôde estar presente “por motivos de saúde”.

O padre Joaquim Domingos Luís, que foi missionário no norte de Benim, começou por lembrar que a missão interna também deve ser realizada. “Missão cá dentro, sim. Missão lá fora, sim. Uma não exclui a outra. A missão é onde nós estamos, onde há pessoas. É, sobretudo, partilhar a nossa alegria de sermos discípulos missionários do Senhor”, afirmou, acrescentando: “não deixemos que nos roubem o entusiasmo missionário porque a missão não é nossa”. “A missão é de Deus e o protagonista é o Espírito Santo”, completou no encontro que reuniu cerca de 460 representantes das paróquias, dos serviços e movimentos da igreja algarvia no salão paroquial de São Pedro do Mar, em Quarteira.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O sacerdote de 57 anos aludiu à centralidade de Cristo no trabalho missionário. “Temos que ter sempre como centro e partir de Cristo. Cristo é o missionário por excelência”, realçou, advertindo que “não há missão sem esse encontro profundo com a pessoa de Jesus”. “Se calhar transmitimos muitos conteúdos, muita doutrina, mas o essencial e o que fica é precisamente nossa experiência de Deus”, afirmou, referindo que essa “experiência do Ressuscitado” é feita “na comunidade que se reúne para escutar a palavra, para celebrar a eucaristia, na liturgia e nos pobres”.

O missionário considerou ser urgente o anúncio do “querigma”, “o núcleo da mensagem cristã”. “E o núcleo é: somos amados por Deus infinitamente, sem condições”, acrescentou, desafiando também a que se retome o “percurso da iniciação cristã”. “A época da cristandade e de um Cristianismo sociológico já passou à história. Se queremos ajudar as pessoas a deixarem-se tocar por Jesus, a dar sentido à sua vida nesse encontro com Jesus, a iniciação cristã é fundamental”, considerou.

O padre Joaquim Domingos Luís exortou também à redescoberta da “dimensão comunitária” da fé. “A missão deve realizar-se em comunhão e a finalidade da missão é para construir comunhão”, sustentou, acrescentando que são “todos sujeitos e destinatários da missão”. “Ao evangelizar, eu próprio sou evangelizado. Quando eu partilho o evangelho e a minha experiência de Deus com o outro e o outro partilha a sua comigo, há um enriquecimento mútuo”, justificou.

O orador, que defendeu ser “fundamental que todos assumam a sua missão batismal e que sejam missionários em todas as situações”, desafiou ao trabalho em rede, envolvendo a comunidade local, e à criação de “grupos missionários paroquiais”. “Que esse grupo dinamize a paróquia na perspetiva missionária”, pediu.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O sacerdote considerou também uma “lacuna” na formação dos leigos e sacerdotes não haver uma “disciplina de missiologia na Universidade Católica”. “Os institutos missionários para colmatar essa lacuna criaram no verão um curso de missiologia de uma semana por dois anos.

É fundamental também a formação dos sacerdotes e dos leigos na espiritualidade missionária”, referiu, exortando ao surgimento de sacerdotes Fidei Donum diocesanos que, com o “apoio do seu bispo”, possam “servir Igrejas mais pobres”. “Se calhar, se temos pouco dinamismo missionário nas nossas comunidades, é porque nos fechamos. Uma comunidade que se atrofia, que não é generosa, não produz frutos. Se fossemos uma Igreja mais aberta, talvez conseguíssemos mais”, afirmou.

O orador apelou ainda à criação em cada diocese de um “centro missionário diocesano”. “Esse centro diocesano tem um diretor que é nomeado pelo bispo. A sua missão é precisamente animar e coordenar todos os organismos diocesanos neste espírito missionário”, explicou.

Por fim, destacou “a importância da formação para a missão”, apelou a que se passe da “transmissão da fé” à “personalização da fé” e disse ser importante fazer a “distinção entre voluntariado e voluntariado missionário”. “Ser voluntário missionário exige mais do que uma profissão, exige a fé, exige o envolvimento na comunidade, a preparação, a oração, a formação”, concluiu.

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