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Responsável da Pastoral da Cultura da Diocese do Algarve propõe criação de “Roteiros da Fé”

Foto © Samuel Mendonça
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O responsável do Setor da Pastoral da Cultura, Património e Bens Culturais da Diocese do Algarve apresentou, na passada quinta-feira, quatro propostas de “Roteiros da Fé” com vista à valorização do património cultural algarvio.

“A Igreja do Algarve ainda é pecadora na sua proposta e na vivência destes roteiros de fé, não apenas ao povo crente, mas também a quem nos visita porque já todos entendemos que o turismo no Algarve não é só praia e sol”, afirmou o padre Carlos de Aquino, lembrando que “o turismo também é a valorização do património cultural” e que “grande parte” desse património da região é “religioso, cristão, sagrado”.

Foto © Samuel Mendonça
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O sacerdote, que é também coordenador do Departamento da Pastoral Litúrgica e Arte Sacra e diretor do Secretariado da Liturgia, Música Sacra, Novas Igrejas e Espaços Culturais da diocese algarvia, foi o convidado da semana passada da rubrica “Conversas à 5ª”, promovida pelo Cine-Teatro Louletano que teve como tema da última edição “Roteiros da fé para a valorização do Património e do Turismo”.

Foto © Samuel Mendonça
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A primeira e principal proposta do orador foi a da criação de um roteiro de santuários marianos, explicando existirem no Algarve nove santuários – Nossa Senhora dos Mártires de Castro Marim, Nossa Senhora da Saúde de Tavira, Nossa Senhora da Piedade (Mãe Soberana) de Loulé, Nossa Senhora da Orada de Albufeira, Senhora do Pilar de Algoz, Nossa Senhora da Saúde de Messines, Nossa Senhora da Rocha de Porches, Nossa Senhora dos Aflitos de Lagos e Nossa Senhora de Guadalupe da Raposeira – que podiam “repropor-se como um percurso muito belo de espiritualidade”.

Foto © Samuel Mendonça
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“Alguns destes espaços estão abandonados, não estão cuidados, não estão identificados, não são espaços catequéticos a quem visita, não há referências, não se conhece a história e memória dos altares, imagens, azulejos, das pinturas”, criticou o sacerdote, lembrando que estes santuários “tiveram em determinado tempo grande pujança”, mas “hoje, parecem igrejas particulares”. “Há espaços destes que nem são conhecidos no Algarve como santuários”, lamentou.

Segundo o padre Carlos de Aquino, a degradação destes santuários prende-se também com o desaparecimento das confrarias. “Foram-se perdendo as confrarias, não se renovaram e isso também enfraqueceu porque muitas vezes eram as confrarias que cuidavam dos edifícios”, afirmou.

A segunda proposta do orador foi a da criação de um roteiro de igrejas identificativas de vários períodos da história, da Idade Média à Idade Moderna. Neste sentido, apontou a Sé de Silves como exemplar maior do gótico, os pórticos das igrejas de Monchique, Odiáxere e Alvor e as estruturas das igrejas da Conceição de Faro, Santa Bárbara de Nexe, Alcantarilha, Alte, Raposeira, Messines, Quelfes e Odiáxere como exemplares do estilo manuelino. Da renascença deu como exemplo as igrejas de Moncarapacho, Alcoutim, Cacela, Luz de Tavira, a Misericórdia de Tavira e o pórtico de Estômbar e, do barroco, as igreja Carmo de Faro e de Tavira, de Messines, Lagoa, a Misericórdia de Monchique e Sé de Faro. Como representantes do estilo neoclássico apontou os templos de Aljezur e Albufeira e a reconstrução de Santa Maria de Tavira.

O orador, que é também o pároco de Loulé, defendeu ainda a criação de uma percurso de “valorização do turismo na azulejaria”, quer de padrão, quer de figuração. “De padrão, por exemplo, temos uma igreja muito significativa no Algarve: Vila do Bispo. De figuração temos a igreja de São Lourenço do Almancil, a Senhora da Conceição de Loulé, Santa Maria de Tavira, Alte, matriz de Estômbar, a capela da Senhora do Rosário dos pretos da Sé de Faro e São Francisco de Faro”, enumerou.

Foto © Samuel Mendonça
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O último roteiro proposto pelo padre Carlos de Aquino foi o de “pintura sacra e religiosa”, garantindo que muito deste património foi já recuperado. As igrejas de Santiago e Santa Maria, São Pedro de Faro, São Francisco e a Sé de Faro são os templos que disse poderem integrar o itinerário.

O sacerdote apontou a “perda de sentido da dimensão simbólica da vida” como “uma das fragilidades mais acentuadas dos roteiros da fé” de hoje. “Acho que isso é trágico e é grave”, lamentou, acrescentando que “saber viver deveria significar olhar para a vida com olhos habituados a ver tudo como símbolo” e que “uma vida autêntica não pode existir sem símbolo”. “Os espaços religiosos cristãos são simbólicos desde a porta ao seu interior, às imagens e ao que lá se faz”, completou.

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