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“Foi o concretizar de um sonho de miúdo”, confessou, admitindo que os seus próximos sonhos a concretizar são estar numa grande volta e correr numa equipa ProTour.

O ciclista da Tavira-Prio não vai duvidar quando a oportunidade de dar o salto surgir: “É isso que me dá motivação para treinar. Sou um ciclista ambicioso e isso passa por melhorar as prestações”, acrescentou.

Depois de 11 dias na estrada, Mestre pode finalmente descansar, depois de uma edição muito competitiva, embora aparentemente mais pobre.

“Penso que os adversários estavam fortes, pelo menos por aquilo que atacaram. Talvez o pelotão fosse mais fraco. A diferença era mais em termos de qualidade das equipas estrangeiras e dos nomes sonantes, do que em termos de competitividade. Houve muita competição”, esclareceu.

Em dia de consagração, o ciclista da Castro Marim teve de agir para poder festejar sossegado a conquista da amarela: “No início houve uma série de ataques, mas falámos com as equipas para conseguirmos ter uns quilómetros de paz para desfrutar do dia”.

Depois houve tempo para o champanhe, que bebeu, porque “brindar sem beber não é o mais correto”.

O corredor algarvio, que dedicou a vitória a Brito da Mana, fundador da formação algarvia, a Benjamim de Carvalho, médico da equipa, e à sua família, foi surpreendido pela visita da família na chegada a Lisboa

“Não estava à espera. Até esta manhã, a Vânia disse-me sempre que não viriam. Depois de passarmos na meta vi-as”, revelou de sorriso nos lábios, mas já sem a chupeta que ostentou nos últimos dias, não por uma questão de superstição, mas para sentir a filha Lara, de oito meses, “mais perto do coração”.

Sem tradição velocipédica na família, Mestre começou a andar de bicicleta com o irmão e apanhou-lhe o gosto – “Depois começa-se a ganhar aquele bichinho e a querer-se mais”. O passo seguinte foi inscrever na escola de ciclismo de Tavira, única equipa que conheceu no seu percurso profissional.

“Na equipa vivemos como uma segunda família. Quando comecei já era assim e agora continua a ser”, descreveu, reconhecendo que o facto de ser um algarvio de uma equipa algarvia “acaba por ter um significado especial”, mas não o define enquanto ciclista.

O dorsal número 2 da 73.ª edição da prova rainha do calendário nacional sente-se orgulhoso por representar a escola em que se formou, um feito que dá maior relevância à sua vitória, construída depois de um longo processo de aprendizagem.

“Em 2006, quando ganhei uma etapa e andei de amarelo perdi-a porque não tinha experiência. Tanto eu como o Vidal pecámos pela falta de experiência. Aprendi muito a trabalhar para o Cândido [Barbosa] e para o David [Blanco] e agora estou aqui”, concluiu o algarvio de 27 anos.

Folha do Domingo/Lusa
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