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Rota da cal e do barro recupera memória e tradições do interior algarvio

© Luís Forra/Lusa
© Luís Forra/Lusa

Da terra calcária do barrocal algarvio que outrora dava a matéria-prima para o negócio da cal no concelho de Loulé restam as memórias e as tradições que uma jovem historiadora usou para criar uma rota turística e cultural.

Aos 34 anos, Susana Calado Martins concorreu à segunda edição do “Projecto Querença” – iniciativa que adotou o nome da freguesia onde decorre desde 2011 com o objetivo de combater o despovoamento do interior algarvio e ajudar jovens a criar novos produtos ou empresas e a dar nova ‘genica’ à economia local.

Cruzando o saber das pessoas da aldeia com os conhecimentos dos seus colegas de projeto, e depois de conhecer a zona da Fonte da Benémola (paisagem protegida local), Susana criou um leque de percursos e atividades que dão corpo à Rota da Cal e do Barro.

Nascida naquela aldeia há 80 anos, Filipa Faísca tem partilhado os seus conhecimentos com os jovens do “Projecto Querença” e disse à Lusa ter esperança de que esta rota possa mostrar aos mais novos “como se fazia as paredes branquinhas” com a cal.

“Caiávamos todos os anos. A tinta hoje é muito mais cara e se a gente não pintar todos os anos começa a esverdear e a escurecer. Mas enfim… são os tempos modernos”, observou.

Enquanto caiava um pequeno muro do seu jardim, a dona Filipa (como é conhecida na terra) recordou os tempos em que, ainda menina, ia de burro até aos fornos onde a cal tinha acabado de ser cozida.

© Luís Forra/Lusa
© Luís Forra/Lusa

“A cal segurava muito bem as paredes. Havia uma ‘rachazinha’ na parede e a gente tapava com a cal e, ao caiar, ficava tudo tapado e segurava a parede”, contou, lembrando que o mês de maio era o preferido para essa tarefa, nas casas da aldeia.

Hoje, restam vestígios dos montes recheados de fornos de cal e, segundo a mentora da rota, o forno do sítio de Porto Nobre é o único que se mantém intacto no concelho e talvez em todo o Algarve.

Susana Calado Martins pretende ter a rota a funcionar no início de 2015, altura em que os visitantes vão poder fazer os percursos temáticos e interpretativos de forma autónoma ou guiada.

A par dos percursos, será possível participar em atividades paralelas, como, por exemplo, aprender a preparar a cal e a dar-lhe diferentes cores ao adicionar-lhe pigmentos naturais recolhidos das rochas apanhadas no campo.

O ponto de partida é Querença, no entanto a rota estende-se por todas as áreas do barrocal, sub-região natural do Algarve localizada entre a serra e o litoral caracterizada geologicamente pelos terrenos calcários.

“Segue também para Loulé, cidade que não pode ficar de fora porque era um dos pontos onde se vendia a cal, onde ela era aplicada e onde havia armazéns de cal”, explicou.

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