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Peregrinacao_jubilar_seminario_2016 (53)O Seminário de São José de Faro realizou no passado sábado, 20 de fevereiro, a sua peregrinação jubilar ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade, popularmente evocada como Mãe Soberana, em Loulé, uma das cinco igrejas jubilares na Diocese do Algarve neste Ano Santo da Misericórdia (dezembro 2015 a novembro de 2016).

A peregrinação a pé, realizada no âmbito do Ano Santo da Misericórdia sob a assistência espiritual do padre Nelson Rodrigues, prefeito do Seminário diocesano, e participada por 15 seminaristas, pré-seminaristas e membros da equipa de apoio ao Pré-seminário, teve início às 8 horas à porta da Sé de Faro com a oração e bênção do peregrino.

O padre Nelson Rodrigues considerou aquela iniciativa como uma oportunidade para reconhecer os limites da existência terrena. “Damo-nos conta de que afinal não somos eternos, omnipotentes. Todos esses atributos pertencem unicamente a Deus”, salientou o sacerdote, acrescentando o principal objetivo da iniciativa. “Caminhamos, não só para nos darmos conta dos nossos limites, mas também para alcançar Aquele que não tem limites na nossa vida e que nos quer dar a vida eterna. Hoje fazemos esta peregrinação no Jubileu da Misericórdia. É o Senhor que olha para nós, para a nossa história, e não obstante tudo aquilo que possa ter acontecido e que constitui essa mesma história, o nosso Deus quer tocar os nossos corações, quer estabelecer a amizade, talvez perdida, com cada um de nós e contar connosco a partir de agora para que outros o possam procurar nas suas vidas e possam fazer parte desta geração”, afirmou.

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Foto © Samuel Mendonça

Após, a oração e bênção, a caminhada – que contou também com a participação de 10 elementos do grupo que está a trabalhar na recuperação do Caminho Português para Santiago de Compostela –, iniciou-se pelas 8.05 horas com os peregrinos a seguirem até à igreja de São Pedro e Largo do Carmo, rumo à estrada da Senhora da Saúde, passando por detrás do Forum Algarve, estrada da Malvada, até ao Carmelo algarvio no Patacão.

À chegada ao Mosteiro de Nossa Senhora Rainha do Mundo, após cerca de cinco quilómetros de caminhada, realizaram uma oração com meditação sobre o amor, lembrando que “ser cristão é levar dentro de si, onde quer que se vá, uma presença: uma relação pessoal com Deus que acompanha a vida”.

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Foto © Samuel Mendonça

Depois de um breve abastecimento visitaram as irmãs Carmelitas Descalças daquele mosteiro. À chegada desafiaram-nas a responder a uma pergunta: “como é que se percebe a vontade de Deus acerca da nossa vida?”. “O caminho é o abandono na criança que adormece, sem medo, nos braços de seu Pai. Eu amo, eu amo tudo o que Ele faz”, responderam a cantar as irmãs, citando Teresa do Menino Jesus. A irmã Miriam Godinho, que testemunhou sinteticamente o discernimento da sua vocação, explicou que “orar é essencial para conhecer a vontade de Deus”. “Trata-se de pedir-lhe que me mostre o caminho”, acrescentou.

Questionadas sobre “qual a arma para combater as dificuldades da vida para além da oração”, a irmã Maria do Carmo explicou disse ser preciso “receber tudo das mãos de Jesus”. “Recebemos o bem, por que não receber aquilo que é menos agradável?”, questionou.

No final da visita, em que os peregrinos fizeram também questão de presentear as religiosas com uma música, realizaram em conjunto uma meditação sobre a oração e a sua importância na vida.

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Foto © Samuel Mendonça

Dali arrancaram para quase mais oito quilómetros até ao lar de idosos do Centro Paroquial de Santa Bárbara de Nexe. À chegada à instituição meditaram sobre as obras de misericórdia, rezaram pelos doentes e almoçaram. Depois do almoço puseram em prática a obra (corporal) de misericórdia que recomenda a visita aos enfermos, animando com canções populares os idosos e passando alguns momentos a falar com eles. “A vossa missão primordial é rezar por nós. No muito tempo livre que agora tendes, procurai rezar por nós. Nós prometemos rezar por vocês”, afirmou o padre Nelson Rodrigues.

À saída realizaram uma meditação sobre a vontade de Deus, que concluíram ser “sempre possível”, “sempre o melhor” e a “escolha mais inteligente”, e partiram em direção a Loulé para os últimos quase 11 quilómetros que os levou a passar pelo sítio do Canal e pela Goldra.

À chegada ao Santuário da Mãe Soberana, depois de cumpridos quase 22 quilómetros de peregrinação, realizaram uma oração antes de atravessar a ‘Porta Santa’, rezando também pelo papa Francisco, e outra já no interior da ermida de Nossa Senhora da Piedade.

A peregrinação é uma das caraterísticas de um Ano Jubilar que pretende significar em cada cristão a sua condição de membro de uma Igreja peregrina. A celebração do Ano Santo no Algarve prevê assim a realização de peregrinações à igreja jubilar mais próxima, à Sé de Faro ou ao Santuário da Mãe Soberana, em dias a estipular por cada uma das entidades.

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