Pub

No âmbito da Semana Nacional da EMRC foi-me solicitado um pequeno testemunho sobre a minha experiência enquanto docente de EMRC integrado na realidade algarvia.

Torna-se imperativo fazer um regresso ao passado e referir que tendo nascido em Lisboa e vivido na linha de Sintra (Algueirão) até ao meu 7º ano, a minha vinda para o Algarve e posterior ligação ao Seminário Diocesano de Faro entre 1991 e 1994 deixou claramente marcas naquilo que hoje sou enquanto pessoa e enquanto educador.

Tendo concluindo o 12º ano, e ficando com vontade de cursar matérias a que estive ligado durante alguns anos, resolvi candidatar-me ao curso superior de Teologia da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa.

E assim foi. Entre os anos de 1994 a 1999 frequentei a licenciatura em Teologia. A minha residência situou-se na zona de Sintra (Algueirão) nomeadamente em casa da minha falecida avó, a quem desde já deixo o meu tributo por me ter acolhido com a maior das alegrias e ternura e de tudo ter feito para me agradar.

Foram cinco anos de muito estudo, conhecimento e convívio com algumas pessoas que aos poucos e poucos foram influenciando o meu estilo de vida. E é deste modo que por volta do meu 3º ano da faculdade coloco verdadeiramente a questão de vir a ser docente de EMRC.

Inicialmente não foi fácil devido a diversas situações, que se me tinham colocado tais como vocação, perfil e dedicação. E outras mais burocráticas tais como habilitação pedagógica complementar. Com todas estas condicionantes ou não, decidi arriscar e desde esse momento que direccionei toda a minha formação para esse objectivo.

Não obstante sabendo que o Algarve a viver do turismo e atribuindo pouca importância ao fenómeno religioso, tornou esta aventura mais estimulante. Os alunos são certamente o rosto de uma região marcada por estas características.

Em Junho de 1999, após alguns contactos com o Bispo diocesano D. Manuel Madureira Dias e com o Padre responsável pelo secretariado diocesano Pe António Rocha, iniciei a minha experiência de professor de Educação Moral e Religiosa Católica no dia 13 de Setembro na Escola EB, 2,3 João de Deus e Escola Básica Integrada de Salir (completamento de horário).

No ano lectivo seguinte fico apenas colocado na Escola Básica Integrada de Salir. Posso dizer que os cerca de 8 anos que estive nesta escola descobri o que realmente era ser professor, colega e amigo.

Fui Professor de EMRC numa escola onde os alunos ainda inocentes e desinteressados de algumas realidades existentes no litoral me deram várias lições de vida. Aprendi muito com eles, onde a maioria acordava às 5h30 da manhã e apanhava diariamente dois transportes (camarário e privado) para se deslocarem para a escola. Nesta realidade ser professor de EMRC torna-se igualmente mais fácil porque a aproximação docente-discente fica facilitada. A disciplina com toda a certeza foi importante para muitos alunos que ainda hoje recordam com carinho e saudade as aulas, os conteúdos e a várias actividades realizadas. Ainda hoje existe um pequeno grupo de alunos com quem convivo e partilho algumas experiências.

Contudo quis o destino que deixasse Salir e fosse para Silves.

Desde 2008-09 que me encontro no Agrupamento Vertical Dr Garcia Domingues em Silves.

Foi uma mudança completa uma vez que passei a fazer 100km diários contra os 30 km que fazia anteriormente.

Encontrei uma escola com uma realidade muito diferente, com o triplo das turmas e de docentes. Relativamente à EMRC encontrei uma forte adesão e carinho à disciplina, apesar de facultativa. É de louvar igualmente o trabalho feito pela anterior docente, a Professora Leonilde.

Tive igualmente a felicidade de entrar em quadro de agrupamento na actual escola no último concurso externo.

Até ao momento presente a minha experiência nesta escola enquanto professor de EMRC tem sido fantástica. Tenho tido o apoio desde sempre da direcção do agrupamento e dos colegas. Sinto igualmente que tendo em conta actualmente o estado da nossa educação, este agrupamento oferece as condições que a maioria dos professores deseja para se realizar profissionalmente.

No que respeita às relações interpessoais existe um espírito de grupo e de inter-ajuda excelente. Tudo isto são formas de sentirmos e trabalharmos a escola como nossa, como fazendo parte do nosso dia-a-dia.

Relativamente à disciplina, sinto que é valorizada e respeitada como qualquer outra pertencente ao currículo.

Por um lado como professor encontro-me perfeitamente integrado no grupo, sendo mais um a colaborar na construção do projecto educativo do agrupamento.

Por outro lado, os alunos sentem que a disciplina além de promover a oportunidade de realizar actividades fora da sala de aula, nomeadamente teatros, jogos lúdicos, visitas de estudo, e outras actividades também sentem que aprendem temas importantes e valores que irão ser fundamentais para a sua vida futura tanto pessoal como profissional.

Apesar da disciplina ter sentido dificuldades (já resolvidas) no ano anterior relativamente a directrizes vindas do Governo, hoje – Março de 2010, ser professor e neste caso professor de uma disciplina que tenta transmitir uma conduta moral mais assertiva, oferece um estímulo maior para a construção da nossa sociedade que tanto necessita de uma boa, correcta e justa educação.

*Professor EMRC – Agrupamento de Escolas
Dr. Garcia Domingues – Silves

Pub