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«No sulco traçado pelo Vaticano II e percorrido pelos seus predecessores, ele [Papa Francisco] sublinha que a sinodalidade exprime a figura de Igreja que brota do Evangelho de Jesus e que é chamada a encarnar-se hoje na história, em fidelidade criativa à Tradição. Em conformidade com o ensinamento da Lumen Gentium, o Papa Francisco salienta particularmente que a sinodalidade “nos oferece o quadro interpretativo mais apropriado para compreender o próprio ministério hierárquico” e que (…) todos os membros da Igreja são sujeitos ativos de evangelização. Disso, resulta que a colocação em prática da Igreja sinodal é pressuposto indispensável para um novo ardor missionário que comprometa todo o povo de Deus.»
Comissão Teológica Internacional, in A Sinodalidade na Vida e na Missão da Igreja

 

A abertura deste ano pastoral, marcado pelo caminho sinodal iniciado pelo Papa Francisco, leva-nos ao enorme desafio de, nos próximos anos, concretizarmos esse caminho, sobretudo, na realidade mais próxima, que é a realidade paroquial. É o futuro a começar.

Definitivamente acabou-se o tempo em que pensávamos que os documentos do Magistério da Igreja eram só para ser aplicados pelos Cardeais, Bispos e alguns estudiosos e eruditos, que entendiam a linguagem hermética da Igreja e a discutiam e a aplicavam. Usando definitivamente a globalização em toda a sua potencialidade tecnológica e com todas as suas características sociológicas, o Papa Francisco teve o grande mérito de fazer descer o magistério eclesiástico à realidade existencial do cristão mais comum, aquele que outrora se limitava a viver a sua vida cristã ao nível paroquial, sem grandes preocupações de compreensão hierárquicas e teológicas, mas que agora toma parte da linguagem muito mais aberta da sua comunidade religiosa e tem a oportunidade de poder participar de outra forma. Mas, mais que tudo, tem a possibilidade de entender o seu verdadeiro papel enquanto batizado, filho de Deus e irmão de todos os homens, enquanto membro de uma Igreja que quer que todos os que formam parte dela usem os dons que Deus lhes conferiu, para o seu trabalho.

Este caminho sinodal, que agora se inicia, é sinal, também, de uma oportunidade para aprofundar esta participação de todos os católicos. Temos que dar passos fortes para avançarmos em direção ao tempo da corresponsabilidade paroquial, onde as tarefas pastorais, administrativas e até espirituais não podem estar centradas somente na figura do pároco, como aquele que manda e a quem todos obedecem, prefigurando o líder da Correia do Norte, no seu conhecido mote: eu sou o vosso querido Líder Pároco e vocês são os meus servidores e pouco sabedores paroquianos. Hoje em dia há, nas nossas comunidades, cristãos mais bem preparados do que nós, os seus párocos, sobretudo nas questões administrativas relacionadas com a gestão, o direito civil, manutenção e construção de património, cuidados de saúde, comunicação, etc. e é o pároco que os tem que ouvir e seguir as suas indicações e não o contrário, já que nós, presbíteros, salvo algumas exceções, não temos nenhuma formação nessas áreas. Por outro lado, desde há muitos anos a Diocese do Algarve, através do CEFLA, tem vindo sucessivamente a criar formas de formação de leigos na nossa Diocese. Sinal disso, é o curso básico de Teologia, que se inicia este ano e que será ministrado online. Ou seja, as nossas assembleias já não estão repletas de cristãos sem formação e capacidade critica. Aliás, sobretudo nas cidades, numa celebração eucarística muito dificilmente o presbítero é a pessoa com a melhor e maior formação académica que ali se encontra.

Assim, chegou a hora de concretizarmos a corresponsabilidade paroquial. Para isso, também é importante que os leigos queiram assumir o seu papel e a sua função de colaborar com os seus párocos e isso é verdadeiramente importante. Dando do seu tempo. Partilhando da sua responsabilidade. Assumindo tarefas que podem ser suas. É confortável para todos estarmos em casa a descansar. Mas se todos fizemos um pouco pela Igreja de Nosso Senhor, o nosso percurso será mais fácil e, certamente, estaremos a garantir que, enquanto Seus Filhos, estamos a cumprir o nosso papel de construtores de um mundo melhor!

E, já agora, deixo-vos o desafio de conhecerem um importante documento da Igreja sobre este tema da Sinodalidade, intitulado A Sinodalidade na Vida e na Missão da Igreja, elaborado pela Comissão Teológica Internacional e que podem consultar no sítio do Vaticano em: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_cti_20180302_sinodalita_po.html

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