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Sismo: Consequências teriam sido mais graves com epicentro mais próximo de terra

Com uma magnitude de 6.0 na escala de Richter, o abalo, com epicentro a cerca de 160 quilómetros a Sudoeste do Cabo de São Vicente, no Oceano Atlântico, gerou algum medo mas não provocou danos materiais ou humanos.

Carlos Martins, engenheiro civil do Instituto Superior de Engenharia da Universidade do Algarve, disse à Lusa que, tendo o epicentro sido no Oceano Atlântico, a intensidade foi "dissipada" devido à distância.

Aquele especialista disse, contudo, recear que se instale entre a população um sentimento de "falsa segurança" por não ter havido danos apesar da força considerável do abalo.

"É bom que as pessoas tenham consciência de que por cada grau que se sobe na escala de Richter, existe uma diferença brutal e a energia libertada é muito maior", disse, explicando que aquela é uma escala logarítmica.

Neste tipo de escala, uma unidade a mais representa uma grande diferença, sublinhou Carlos Martins, dizendo que se com um sismo desta magnitude "correu tudo bem", com um, por exemplo, de 7,8 graus seria "algo do outro mundo".

No Algarve, muitas pessoas optaram por sair para a rua com receio do colapso das estruturas, mas Carlos Martins avisa que é preciso procurar locais amplos e ter cuidado com a eventual queda de objectos ou estruturas.

O sismo de hoje foi seguido de dezenas de réplicas de menor intensidade, situação comum que aquele docente universitário diz representar uma espécie de "acomodação" do movimento brusco que ocorreu.

Classificando o sismo que ocorreu hoje à 01:37 da madrugada como sendo de "gama média", Carlos Martins diz que apesar de um sismo ser um evento natural inevitável, a catástrofe pode ser evitável, o que se consegue "construindo com qualidade".

"Durante décadas construiu-se com qualidade desconhecida", diz Carlos Martins, aconselhando as pessoas que querem comprar casa a exigir uma cópia do projecto e ter mais em atenção a qualidade do que a estética.

O especialista diz ainda estranhar que o Estado para as obras públicas exija que um projecto seja verificado através de auditoria externa e que para as particulares seja suficiente a assinatura de um técnico inscrito numa associação profissional.

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