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Qualquer cristão minimamente informado, com facilidade depreende como o Santo Padre sente e sofre com a situação, tantas vezes dramática, da Igreja de hoje.

Aliás, já na homilia que Bento XVI proferiu na passada Quinta-feira Santa evocando concreta e explicitamente o caso de alguns sacerdotes austríacos que assinaram aquele célebre e infeliz documento a pedir o acesso das mulheres à ordem sacerdotal, a abolição da obrigação do celibato sacerdotal e até o acesso à comunhão dos divorciados recasados…

Sem dúvida que a desobediência de qualquer membro da hierarquia faz sofrer o Papa, quanto mais um grupo organizado, digamos assim, que assina e publica um “Apelo à Desobediência” não fará amargurar o Santo Padre!…

Já há quem afirme que atitudes destas poderão descambar em heresias ou cismas, o que seria de grande consternação não só para o Vigário de Cristo como para toda a Igreja Católica.

Agora que tantos esforços se fazem para a união do cristãos, há membros da hierarquia a fomentar a separação, defendendo pontos e orientações sobre as quais a Igreja já se manifestou de maneira irrevogável e definitiva.

Sem dúvida que todos os que pensam e agem desse modo, estão bem longe daquela preciosa regra que Santo Inácio de Loiola apresenta nos seus “Exercícios Espirituais”: sentir com a Igreja, sentir com o Vigário de Jesus Cristo na terra!…

No fundo, no fundo, parece-nos que falta espírito de fé e o sentido sobrenatural da verdadeira obediência que, na Ordenação Sacerdotal, todos prometem praticar.

Que haja fraquezas, deslizes é o próprio da fragilidade humana e o Pai do Céu na Sua infinita misericórdia está sempre pronto e de braços abertos para receber os que, com coração contrito, para Ele se voltam implorando, com humildade, o perdão.

Mas um acto de rebeldia, um procedimento à maneira do mundo, não pode nem deve ser aprovado por qualquer católico que ame, de facto, a Igreja que o Espírito Santo rege através do legítimo representante de Jesus Cristo na terra.

Por isso, mais do que nunca, todos devemos pedir a Deus que ilumine, proteja e dê forças ao Santo Padre para, apesar dos sofrimentos e das amarguras que alguns filhos da Igreja lhe vão causando, levar ao bom porto do Reino a Barca de Pedro.

De qualquer maneira, uma coisa é certa: por agitadas que sejam as ondas, o timoneiro que vai ao leme, assistido pelo Espírito Santo, continuará firme ainda que amargurado e sofrendo como, aliás, de um modo ou de outro, tem sucedido com os Papas, desde os primórdios do Cristianismo.

Joaquim Mendes Marques

O autor deste artigo não o escreveu ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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