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Superior provincial explica reforço dos jesuítas no Algarve com necessidade de “ousar explorar outros caminhos”

Foto © Samuel Mendonça
O superior da Província Portuguesa da Companhia de Jesus com o bispo do Algarve – Foto © Samuel Mendonça

O superior provincial da Companhia de Jesus (jesuítas), em entrevista ao Folha do Domingo, explica o que levou o instituto religioso a reforçar a sua presença no Algarve, embora sem assumir mais paróquias, considerando que “a Igreja deve ousar explorar outros caminhos”.

O padre José Frazão Correia considera que, dada a diminuição do número de sacerdotes, é preciso uma nova abordagem pastoral, embora reconheça que “assumir mais paróquias seria, sem dúvida, um bem para a diocese” algarvia. “Se me perguntar como é que deveremos fazer para contornar ou para enfrentar esta escassez de párocos, eu não saberei dar uma resposta. Agora o que parece é que a Igreja deve ousar explorar outros caminhos porque a realidade é evidente. Nos próximos dez anos, a continuar com a realidade que temos – e não se prevê que haja alterações significativas –, ou a Igreja se satura de continuar este modelo, ou satura por completo os padres que ainda estão disponíveis, ou o próprio momento de crise e de necessidade levará a Igreja a ensaiar outras formas de presença que, neste momento, se calhar, não sabemos quais, mas que nos cabe procurar”, afirma.

Nesse sentido, o sacerdote diz que a opção tomada este ano em relação ao Algarve “em diálogo” com o bispo diocesano de iniciar uma “presença que, não apenas focada numa comunidade paroquial”, tem também o “desejo de tentar ensaiar outro modo de presença e outros caminhos”, não apenas no concelho de Portimão, mas “no conjunto da Diocese do Algarve”. O padre José Frazão Correia explica que esta opção foi tomada “sem ter a presunção de trazer qualquer novidade ou «descobrir a pólvora», mas de ajudar a Igreja diocesana a explorar esses caminhos”.

Aquele responsável explica que “era importante tomar uma decisão mais de fundo” no Algarve, motivada pela conjugação de vários fatores. “Por um lado, a necessidade de pensar objetivamente a sucessão do padre Arsénio [da Silva], já que o padre Luís [do Amaral] veio, temporariamente, e a própria presença da Companhia, sabendo que a idade do padre Domingos [da Costa] também vai avançando, apesar de ele estar muito bom. Por outro lado, esta decisão teria de passar pela constituição de uma comunidade. Apesar de 40 anos ser muito tempo e se poder viver assim, não faz parte do nosso modo de proceder e de viver como Companhia de Jesus, viver sem comunidade”, sustentou.

“Todos os dados me levaram a ponderar: ou se fazia uma aposta mais consistente com uma comunidade ou então a decisão também teria de ser mais radical”, acrescenta o superior da Província Portuguesa, explicando que “a chegada de alguns jesuítas novos e também a opção apostólica por reforçar a presença no Algarve permitiu tomar esta decisão” que pretende “dar um novo fôlego” à presença jesuíta no Algarve.

O padre José Frazão Correia explica assim que o contributo da Companhia de Jesus no Algarve “poderá passar por desenvolver um outro tipo de ministérios”, “não explicitamente no quadro de uma comunidade paroquial que, em si mesma, é bastante restrita”. “Os exercícios espirituais são próprios da Companhia de Jesus, o acompanhamento espiritual, a Pastoral Juvenil e a formação laical”, enumera como exemplos, considerando poder haver mais “fruto apostólico” associando à presença jesuíta “alguma mobilidade e alguma versatilidade do que se, simplesmente, se ficar restringida a uma comunidade” paroquial. “Parece-nos que o fruto apostólico e aquilo que é próprio da Companhia pode ser mais potenciado com alguma liberdade de movimentos, do que se assumir mais um conjunto de paróquias”, completou.

O responsável diz ainda que este reforço da presença jesuíta no Algarve constitui mesmo um alargamento geográfico que reconfigura um novo enquadramento do instituto em Portugal, que, para além do Algarve, tem ainda párocos nas dioceses de Braga, Guarda, Porto e Setúbal. “A nossa ação acontecia entre Lisboa e Braga. É evidente que já estávamos presentes no Algarve, mas no nosso quadro mental da geografia, com esta nova presença no Algarve, a Companhia terá de se compreender mais entre o Algarve e Braga”, justifica, acrescentando que a própria Companhia de Jesus “será beneficiária deste alargamento geográfico” ao sul. “Este alargamento geográfico para sul, para novas realidades culturais, sociológicas e eclesiais, penso que também ajudará a própria Província a abrir-se um pouco mais”, sustenta.

O superior provincial considera igualmente que esta mudança no Algarve poderá ter consequências noutras partes do país. “Gostaria muito que este reforço da nossa presença no Algarve também pudesse liderar este esforço de repensar a presença no mundo paroquial. Uma das missões que dou a este grupo de jesuítas é de não desistirem de ensaiar outras formas de presença no mundo diocesano e paroquial, que não estejam simplesmente assentes na presença do pároco”, refere.

O padre José Frazão Correia diz que a diminuição do número de vocações não é tão sentida na Província Portuguesa da Companhia de Jesus como noutras europeias, “onde há uma clara diminuição de jesuítas efetivos”. “Apesar de a Província [Portuguesa] ter vindo a diminuir o número de entradas, comparativamente com outras províncias da Europa temos tido um número bastante bom que nos permite pensar a médio e longo prazo com alguma esperança e com algum renovamento dos jesuítas que vão adoecendo ou falecendo”, testemunha.

A presença da Companhia de Jesus na diocese algarvia remota ao século XVI como o comprova, em Faro, o antigo Colégio de Santiago Maior (hoje Teatro Lethes), fundado em 1599, e, em Portimão, a igreja do Colégio dos Jesuítas, fundado em 1660.

Mais recentemente, desde 1975, a comunidade jesuíta no Algarve tem sido composta por dois sacerdotes. O padre Domingos da Costa veio naquele ano para a diocese, juntamente com o padre Arsénio da Silva, também jesuíta, falecido em 2012. Desde essa altura é pároco da Mexilhoeira Grande, missão à qual juntou, em 2013, a paroquialidade de Nossa Senhora do Amparo em Portimão, de que era pároco o padre Arsénio da Silva.

Já no final de 2010, a Companhia de Jesus tinha enviado para o Algarve o padre Estêvão Jardim para colaborar, provisoriamente, com o padre Arsénio da Silva, colaboração que se manteve até ao final de 2013. Em janeiro de 2014, chegou o padre Luís do Amaral que, desde julho do ano passado, é pároco in solidum das duas paróquias com o padre Domingos da Costa.

Este ano, a comunidade jesuíta algarvia, que ficará sedeada em Portimão numa casa adquirida para esse fim, foi oficialmente constituída e reforçada com a vinda do padre Frederico Lemos, que se juntou aos padres Domingos da Costa e Luís do Amaral.

No próximo ano virão mais dois sacerdotes jesuítas, mas um deles apenas temporariamente, pois não deverá ficar na diocese.

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