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“Ainda não temos o orçamento completamente definido, estamos ainda à procura de alguns parceiros para esta época de 2013. Estamos a gerir tudo aquilo que temos à nossa disposição e continuamos à procura de um parceiro para podermos seguir esta época com mais tranquilidade”, disse à agência Lusa Nélson Vitorino.

Depois de vencer quatro edições da Volta a Portugal, entre 2008 e 2011, com David Blanco primeiro e Ricardo Mestre, depois, o Tavira viu as suas figuras principais – o mítico diretor desportivo Vidal Fitas, incluído – debandarem e os seus patrocinadores fugirem, devido quer à conjuntura económica, quer à pouca credibilidade da modalidade depois dos sucessivos casos de doping.

“Apesar de sermos uma equipa relativamente pequena, somos reconhecidos a nível internacional, em muitas partes do Mundo. Devíamos ser tratados de outra forma. Não que sejamos melhor do que os outros… Esta equipa, ao longo dos anos, tem feito muito trabalho, com muita qualidade e merecia outra situação que não a atual”, lamentou o novo diretor desportivo da Carmim-Tavira, apontando o dedo a algumas entidades e personalidades ligadas aos algarvios que nada fazem para ajudar.

O próprio Nélson Vitorino é reflexo da crise da formação mais antiga do pelotão internacional. Trabalhador incansável para os seus líderes, sacrificou-se mais uma vez pelo Clube de Ciclismo de Tavira.

“Fui um pouco empurrado. Aceitei, porque não podia virar costas a quem me pediu ajuda e a minha carreira também já estava por dias, mais um ano, menos um ano… Resolvi pôr um ponto final um pouco mais cedo do que aquilo que eu pretendia e abraçar aqui outra carreira”, explicou à Lusa.

O antigo ciclista “culpa” os seus corredores pela mudança de profissão, uma vez que foram eles que elegeram o seu nome para ficar à frente da equipa e se submeteram a condições precárias para manter a Carmim-Tavira na estrada.

“Este ano está garantido, mas isto é quase como… as coisas estão a mudar todos os dias e vamos andando. Também posso dizer que grande parte da responsabilidade desta equipa estar na estrada é dos corredores, que aceitaram as condições que nós temos. Se não fosse assim esta equipa neste momento estava parada”, confessou.

Apesar de estar ativa, a formação algarvia vive dias convulsos: ainda corre com os equipamentos da época passada – “optámos por não fazer já novos equipamentos para não gastarmos dinheiro duas vezes” – e esta terça-feira perdeu a sua direção que apresentou como justificações a a conjuntura atual, “que impede a direção de dar aos seus atletas aquilo que eles verdadeiramente merecem”.

Mas nem assim Nélson Vitorino perde a esperança. “Temos de pensar que amanhã as coisas vão ser melhores”, concluiu.

Lusa

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