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Na última edição dos encontros ‘Algarve Rumo ao 23’ que se realizou no passado dia 23 de setembro, o cónego Carlos de Aquino alertou os jovens algarvios para o perigo “fast-food religioso”.

O cónego Carlos de Aquino • Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Hoje consumimos mais do que consumamos. Consumimos as coisas, mas não as consumamos, não as trazemos ao coração, não transformamos a vida”, lamentou o sacerdote no encontro de preparação para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em 2023, em Lisboa.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A iniciativa do Comité Organizador Diocesano (COD) em colaboração com o Setor da Pastoral Juvenil da Diocese do Algarve, que teve lugar à noite na igreja de Almancil, contou com cerca de uma centena de jovens de vários pontos do Algarve.

Estes encontros em cada dia 23 realizam-se com programação sempre diferente e alternadamente em cada uma das quatro vigararias que compõe a diocese algarvia, mas destinam-se a jovens de todo o Algarve e não apenas aos das paróquias que constituem a vigararia onde eles acontecem.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

No encontro, que teve início com o acolhimento, seguindo-se uma dinâmica de grupos para os participantes se conhecerem melhor e terminou com a celebração da eucaristia, o cónego Carlos de Aquino alertou também para a “fragilidade” até da “própria comunicação” dos cristãos. “Falamos tanto durante o dia, dizemos tantas palavras, mas vale a pena cada um de nós perguntar-se em quantas palavras ditas nos revelamos. Dizemo-nos nas palavras que dizemos? E dizemos Deus nas palavras que dizemos?”, questionou.

O sacerdote desafiou ainda os jovens a serem “homens e mulheres da Palavra”. “Aquilo que nos é pedido não é sermos doutores no conhecimento da Sagrada Escritura. É que essa Palavra da Escritura, que para nós é Cristo, nos possa verdadeiramente transformar, tocar a nossa vida, mudar-nos por dentro”, explicou.

“A Palavra de Deus está convosco? Quando escutais a Palavra de Deus arde o vosso coração? A Palavra de Deus conta alguma coisa para os nossos sonhos, projetos, ambições?”, interrogou, apontando alguns “aspetos para valorizar a Palavra”. Nesse sentido, exortou os jovens a “olhar para a Palavra como acontecimento”. “Deus fala, não está mudo, não desistiu de mim, ama-me, conta comigo. Tenham esta certeza”, pediu, desafiando-os a aprender a “crescer nesta escuta”. “Aprender a escutar a Palavra e perguntar o que é que diz à minha vida”, completou, lembrando que para “saber escutar” precisam “gastar tempo, silenciar, parar”.

O orador afirmou ainda que “a Igreja e o mundo de hoje não precisam de jovens cristãos hipócritas”. “Precisamos urgentemente de profetas”, considerou.

O padre Nelson Rodrigues • Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na eucaristia, que encerrou o encontro, um dos assistentes do Setor Diocesano da Pastoral Juvenil, também desafiou os jovens a comprometerem-se verdadeiramente com Cristo. “Podemos ser doutores em Cristianismo sem sermos cristãos”, alertou o padre Nelson Rodrigues, reforçando o apelo do cónego Carlos de Aquino. Neste sentido, desafiou também os jovens a anunciar Jesus aos que não são cristãos e a serem autónomos no crescimento como cristãos. “Ao iniciarem o ano pastoral nas vossas paróquias não estejam à espera de fazer simplesmente aquilo que os vossos catequistas e animadores vos apresentam como itinerários. Sejam audazes, valentes, tomem iniciativa. Criem hábito da oração de manhã, de abrir a Bíblia para recolher a palavra que o Senhor vos quer dar naquele dia, de ter gestos de caridade, de visitar o vosso familiar mais velho que não visitam há muito tempo”, pediu.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo do Algarve, que também esteve presente, deixou aos participantes “uma palavra de estímulo e exortação”. “Contamos todos (a diocese, os párocos) convosco não apenas para dinamizar os vossos colegas, jovens, mas também as nossas comunidades porque a JMJ não é apenas para os jovens. É para a Igreja toda, pela presença do Papa. E queremos que a nossa diocese seja envolvida, dinamizada por vós, de modo que a nossa fé fique mais viva e mais robusta na pessoa de Cristo”, pediu D. Manuel Quintas, lembrando que o “modelo deste percurso” é a Virgem Maria.

O bispo do Algarve, D. Manuel Quintas • Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Os encontros ‘Rumo ao 23’, que decorrem no dia 23 de cada mês em todas as dioceses portuguesas por desafio do Comité Organizador Local (COL) da JMJ.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
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