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“Video Lucem” começou ontem a levar cinema às igrejas do Algarve

Foto © Samuel Mendonça
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Arrancou ontem à noite, com a igreja de Nossa Senhora do Carmo completamente lotada, o projeto “Video Lucem” (em português, “Vejo a Luz”) que leva cinema às igrejas do Algarve e que conta com o apoio da Diocese do Algarve através do Setor Diocesano da Pastoral do Turismo e do Setor Diocesano da Pastoral da Cultura, Património e dos Bens Culturais.

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O responsável por este último organismo congratulou-se com a “excelência do evento” que considerou um “extraordinário” projeto do Cineclube de Faro – em parceria com a Direção Regional da Cultura do Algarve e que integra também o programa 365 Algarve –, “acolhido sem reservas e com grande entusiasmo desde a primeira hora” por aqueles setores da Igreja Católica algarvia.

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“O cinema é na verdade, como a fé, uma significativa linguagem de luz e de procura, de revelação, mesmo que seja da noite e a partir dela, do cinzentismo ou do obscurantismo de vidas não sustentadas pelo trilho de Deus ou mesmo construídas e alicerçadas a partir dos seus caminhos. O cinema é uma janela, um espelho, como a fé. Pode e deve constituir para nós cristãos uma singular oportunidade para a concretização primeira da nossa própria missão: evangelizar”, afirmou o padre Carlos de Aquino, considerando que “o cinema, ainda agora, é espaço onde sobrevivem grandes mitos e as grandes narrações sobre a vida, a história, o sentido, os espaços; lugar onde se hospedam, por vezes, grandes conflitos, mas se oferece sempre uma sua hermenêutica”. “Não poucas temáticas de caráter religioso e existencial nasceram no cinema e chegam ao público através da linguagem cinematográfica”, constatou.

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“Já não estamos, felizmente, nos finais da década de 50 ou 60, historicamente afirmado como o tempo de modernidade do cinema que pôs no centro dos seus interesses próprios o problema do eclipse do sagrado, nem olhamos hoje, como Igreja, com suspeição ou reserva para esta linguagem da sétima arte porque o caminho da Igreja será sempre o caminho do homem. Por isso, abrir as igrejas – como espaços simbólicos e sagrados onde se aprende e matura, celebra e vive a fé e se faz cultura, se refunda a existência –, a este singular projeto, acolhido como momento e oportunidade evangelizadora, parece-nos uma iniciativa muito significativa e oportuna”, regozijou-se.

Sobre a projeção inaugural, “Aurora” (1927), de F. W. Murnau, o sacerdote considerou ser “bem curioso e apelativo o seu título”. “Na sagrada escritura, a expressão hebraica para dizer aurora tem também por significado procurar, mas um procurar cheio de urgência como se diz na escritura ou ainda do belo uso que o Livro dos Provérbios faz da expressão, colocando-a na boca do próprio Deus: «Aqueles que me procuram, encontram»”, relacionou, deixando o convite: “venham ver cinema na casa de família que também é vossa”.

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Dália Paulo agradeceu à Diocese do Algarve a “excelente colaboração e partilha deste projeto” e ao Cineclube de Faro a “iniciativa de apresentar uma proposta ao programa 365 Algarve”.

A comissária do 365 Algarve destacou que cultura e turismo uniram-se naquele programa, pensando não apenas nos que vivem na região, mas também nos que a visitam. “É um programa de coesão territorial feito por nós, para nós e para quem nos visita, mas acima de tudo para que todos possamos experienciar cultura todos os dias no Algarve”, realçou, frisando que o evento, “feito por algarvios”, “pensou nos criadores e nas associações do Algarve”. “Nós fazemos cultura no Algarve! Este não é aquele programa que foi imposto de cima para baixo. É aquele programa que foi aos criadores e às associações algarvias e pediu-lhes: «queremos que programem e queremos oferecer a nossa cultura, daqueles que pensam o Algarve há muito tempo», enfatizou.

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Carlos Rafael Lopes disse que o Cineclube de Faro e esta atividade orgulham-se de “contribuir para o esbater de diferenças” e contrariar a tendência de um “estranho mundo” “em que hoje em dia as pessoas parecem apostadas em erguer cada vez mais muros e barreiras”.

O presidente do Cineclube de Faro explicou que “Video Lucem” une o cinema e as igrejas. “Nem é sacralizador do cinema, nem pretende ser dessacralizador dos espaços de culto. Antes abri-los ao mundo, revelá-los e fazer ver e crer que cinema e Igreja também têm pontos de contato”, advertiu.

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Aquele cinéfilo adiantou que a iniciativa “pretende, com a programação que elencou, fazer uma breve passagem pela história do cinema, mostrando filmes e realizadores que conquistaram o seu espaço na história do cinema e mostrar filmes que, cada um deles, questionam a condição humana nas histórias e fórmulas que representam”, lembrando que “em que todas elas há uma relação com a Igreja, com a espiritualidade”.

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O filme de ontem à noite foi acompanhado pela interpretação de Filipe Raposo no órgão de tubos e a sessão contou ainda com a atuação do Coro de Câmara da Sé de Faro. “Video Lucem” tem hoje continuidade na igreja de Santa Bárbara de Nexe que receberá também pelas 21.30h a projeção de “Confesso!” (1953), de Alfred Hitchcock.

O projeto de projeções com entrada livre estende-se até 12 maio de 2017, segundo o programa divulgado (ver abaixo).

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