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Visita “ad Limina” foi “momento privilegiado de comunhão eclesial e de estímulo”

Foto © L'Osservatore Romano
Foto © L’Osservatore Romano

A visita ad limina apostolorum constitui uma das obrigações dos Bispos diocesanos, e deve, em princípio, realizar-se cada cinco anos. Os Bispos visitam os túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo, apresentam um relatório à Santa Sé sobre o estado da diocese que lhe está confiada e encontram-se pessoalmente com o Papa, enquanto Bispo de Roma e sucessor de Pedro.

O espaço temporal, entre as visitas, pode ser alterado de acordo com a disponibilidade do Santo Padre. O conteúdo dos relatórios obedece a um questionário enviado a cada Bispo diocesano, cerca de um ano antes da visita.

Nesta visita ad limina, realizada de 7 a 12 de setembro, os Bispos Portugueses encontraram-se duas vezes com o Papa Francisco: no encontro pessoal e privado, logo no dia 7, e na audiência geral do dia 9.

Para além destes encontros celebraram a Eucaristia junto ao túmulo de Pedro e de Paulo, nas Basílicas de S. João de Latrão e Santa Maria Maior, e na Igreja de Stº António dos Portugueses.

A maior parte do tempo da visita foi ocupado em encontros com os diversos organismos da Santa Sé (Congregações e Conselhos Pontifícios) abordando em cada um deles o assunto ligado ao âmbito do seu pelouro (Doutrina da Fé, Culto divino, Causas dos santos, Bispos, Evangelização dos povos, Clero, Consagrados, Educação católica, Leigos, Família, Cultura, Justiça e Paz, Comunicações sociais, Promoção da nova evangelização…).

Durante a sua permanência em Roma, os Bispos ficaram hospedados no Colégio Pontifício Português, propriedade da Conferência Episcopal, onde ficam alojados os padres diocesanos (estudantes) enviados para Roma, para aí completarem os seus estudos académicos.

O Bispo de Algarve, em declarações ao Folha do Domingo, indicou como momentos fortes desta visita os dois encontros com o Papa Francisco, a concelebração eucarística nos túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo e o ambiente fraterno criado com todos os bispos portugueses que participaram nesta visita, para o que muito contribuiu o acolhimento que lhes foi dispensado pelo Reitor e a comunidade do Colégio Português. Esta visita constituiu, no seu todo, “uma experiência privilegiada de comunhão eclesial e de estímulo para realizar a missão que o bispo tem na sua diocese”, bem como, no nosso algarvio, para “encorajar todos os diocesanos algarvios: clero, consagrados e leigos”.

Foto © L'Osservatore Romano
Foto © L’Osservatore Romano

Acompanhado pelo Bispo emérito do Algarve, D. Manuel Madureira Dias e pelo padre António de Freitas, acabado de chegar a Roma, D. Manuel Quintas recorda as palavras dirigidas ao Papa no momento de apresentação de cumprimentos. “Disse-lhe: Santidade, trago uma saudação de todo o povo algarvio, particularmente dos membros da diocese que me está confiada. Manifestei-lhe, igualmente, o quanto apreciamos o modo como está a conduzir a Igreja, que muito nos estimula a todos na vivência, celebração e testemunho da fé; que estamos muito unidos a ele e que procuramos corresponder aos apelos que nos faz. Na despedida, na quarta-feira, à seguir à audiência geral, disse-lhe que trazia as suas preocupações e recomendações para a nossa diocese, e que nos empenharíamos todos em lhes corresponder”, relatou.

Era habitual o encontro com o Papa encerrar a visita ad limina. Desta vez, foi o primeiro, logo após a celebração eucarística junto ao túmulo de S. Pedro. Processou-se em dois turnos de uma hora e meia cada. Refere o Bispo do Algarve: “Foi um encontro verdadeiramente fraterno, marcado pela simplicidade, cordialidade e alegria, caraterísticas habituais nos seus encontros e que pudemos vivenciar como Bispos portugueses, chamados a realizar a nossa missão em estreita comunhão com o sucessor de Pedro. No acolhimento que nos dispensou e na palavra que nos dirigiu, vi nele não só um «pai e pastor», mas também um «irmão mais velho», preocupado com o bem de todos”.

“O que conhecíamos desta sua cordialidade, através das imagens que nos chegam ou que lemos nas suas intervenções, tivemos oportunidade de o verificar e experimentar neste encontro… Também nos encontros realizados nas diversas Congregações e Conselhos Pontifícios se refletiu esta mesma experiência gratificante de comunhão eclesial”, acrescenta.

D. Manuel Quintas recorda que no encontro com o Santo Padre abordaram diversos assuntos, sobretudo os que, neste momento, mais aponta à Igreja e para os quais pretende o envolvimento de todos: a “centralidade da pessoa de Cristo na vida dos cristãos” e a “identificação e o encontro pessoal com Ele”; a prioridade das prioridades: o anúncio do Evangelho… uma Igreja constantemente “em saída”… a “grande missão” da Igreja e da cada cristão é “revelar Cristo com toda a força do seu amor e da sua misericórdia”; o Ano da Misericórdia: que ninguém se sinta excluído do amor e da misericórdia de Deus. E a Igreja, como mãe, deve manifestar esse acolhimento e celebrar esse amor sob a forma de perdão”. “Detivemo-nos, igualmente, já na proximidade da celebração do próximo Sínodo, no tema da Família, tendo o Santo Padre reiterado quanto vem afirmando sobre este assunto; no tema dos refugiados com toda a interpelação que ele lança à Igreja e cada Diocese e paróquia e na urgência em encontrar uma solução; na dificuldade que sentimos como Bispos, e que é também dos nossos párocos, de uma convergência de critérios na administração dos sacramentos, particularmente o sacramento do batismo de crianças; o abandono de tantos jovens após o crisma, assunto que abordou amplamente na mensagem final; no clericalismo que começa a surgir, um pouco por todo o lado, particularmente presente em padres jovens e se manifesta nomeadamente na recuperação do que não é essencial e que tem pouco a ver como nosso tempo; na sua visita a Fátima em 2017, que ele deseja realizar do fundo do coração…”, acrescenta D. Manuel Quintas.

Foto © L'Osservatore Romano
Foto © L’Osservatore Romano

O Bispo diocesano lembra ainda que, no encontro final com todos os prelados portugueses, Francisco, em lugar de ler a mensagem que entregou, pessoalmente, a cada um, deixou duas recomendações. “A intensificação da oração pessoal e o assumirmos anúncio do evangelho como tarefa quotidiana da nossa missão de bispos. Que tudo aquilo que somos, projetamos e concretizamos tenha sempre como princípio inspirador o mandato de Cristo «ide pelo mundo e anunciai o evangelho» ”, referiu.

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