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O antigo “escudeiro” do norte-americano Lance Armstrong, recordista de vitórias no Tour (sete), está a habituar-se a pensar mais no coletivo e menos em si, cumprindo na 36.ª Volta ao Algarve a sua segunda prova como diretor desportivo, depois da estreia, aos 36 anos, no Tour Down Under.

“Enquanto corredores, pensamos só em andar de bicicleta e nos nossos objetivos. Agora, tenho de pensar em tudo. A grande preocupação é logística, programar e conjugar as coisas de forma a perder o menor tempo possível, mas temos as melhores condições. A ideia é os ciclistas só se preocuparem em rolar”, disse Azevedo em entrevista à Agência Lusa.

Ocupado com as limpezas, afinações e apertos diários das bicicletas vive o mecânico “Chico” Carvalho, enquanto os corredores Sérgio Paulinho e Tiago Machado sobem ao quarto de hotel partilhado para um retemperador banho a seguir à sessão de treino matinal.

“Adoro mexer em bicicletas. É uma paixão. Temos de rever tudo todos os dias – mudanças, travões, pneus, rodas… Tem de estar tudo ao milímetro”, afirmou Francisco Carvalho, com 40 anos, 27 dos quais passados a aprimorar as “máquinas”.

A rotina obriga a acordar por volta das 07:00 e “não há hora para deitar” contou o mecânico que já passou por Benfica, LA-Pecol e LA-Liberty até ser convidado este ano por Azevedo para integrar o conjunto com um orçamento global de 12,5 milhões de euros.

A RadioShack, patrocinada pelo gigante da eletrónica a retalho que tem 4470 lojas só nos Estados Unidos, conta com 26 ciclistas de 16 países diferentes e 41 outros membros do “staff”, originários de paragens como Nova Zelândia, México ou Lituânia.

Na estrutura criada em conjunto por Armstrong e o dirigente belga Johan Bruyneel, herdeira da US Postal e da Discovery Channel, além dos dois “managers”, há cinco diretores desportivos, um diretor de operações, sete funcionários administrativos, duas secretárias, oito massagistas, dois quiropatas, quatro médicos, oito mecânicos, um assessor de imprensa e um gestor de frota.

Ao todo, a estrutura sedeada na cidade belga de Brakel tem 20 veículos: 14 carros, quatro camiões e dois autocarros. O conjunto tem capacidade para se dividir em três frentes, mas para cada prova são carregadas 24 bicicletas, mais dois quadros para os percalços.

“Nos dois campos de treino que organizámos, em dezembro, em Tucson, e em fevereiro, em Calpe, ficou tudo delineado e o plano está traçado até outubro, nomeadamente os calendários de cada corredor. Agora é começar a ver os frutos de um grande trabalho de equipa”, desejou Azevedo, garantindo que os portugueses são tratados como quaisquer outros membros do conjunto.

Durante a “Algarvia”, a RadioShack vai ter um total de 16 elementos em Portugal, “o mínimo indispensável”: oito corredores, dois diretores, um médico, três massagistas e dois mecânicos, divididos por três carros, um camião e um autocarro.

Lusa

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