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Numa conferência de imprensa concorrida, em Albufeira, após a primeira etapa da Volta ao Algarve, o triplo vencedor do “Tour” (2007, 2008 e 2010) rejeitou ainda que a decisão favorável do organismo competente da Real Federação Espanhola de Ciclismo (RFEC) tenha sido um “favorecimento nacionalista”

“Não fui absolvido por ser espanhol ou uma figura do desporto nacional (de Espanha). É um caso exemplar para demonstrar algumas situações que devem ser corrigidas para que não continuem a cometer-se injustiças”, disse o corredor madrileno de 28 anos.

O bicampeão em título da “Algarvia” revelou ainda que hoje foi um “grande dia” por ter voltado a competir, 205 dias depois das últimas comemorações nos Campos Elíseos, Paris, e quatro meses e 17 dias após ter sido suspenso preventivamente devido aos controlos antidoping positivos por resíduos de clembuterol durante o “Tour”.

“Desfrutei como há muito não fazia, voltando a montar a bicicleta, apesar do muito vento e chuva. Foram meses duríssimos, nos quais estive imenso tempo sem dormir, a pensar na situação que estava a viver. Quero deixar claro que não é uma questão de favorecimento ou que se trata de política. É uma coisa jurídica e científica. Quem fala e não sabe ou não está informado, que consulte o acórdão”, continuou.

Contador afirmou ainda que o que mais o “magoou” foram as “fugas de informação e especulações”, embora ressalvando não saber se o processo vai continuar, eventualmente com um recurso da União Ciclista Internacional (UCI) e da Agência Mundial Antidopagem (AMA) junto do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS).

“Os danos que isto me provocou foram grandíssimos. Irreparáveis. Disseram-se barbaridades atrás de barbaridades nestes cinco meses. Quando se fala, tem de se saber do que se fala. Não é injustiça eu ter sido ilibado. O importante é termos consciência de que a injustiça é haver mais gente suspensa pelas razões erradas. É uma oportunidade de mudar as coisas. Espero que este caso contribua para isso”, disse.

O novo diretor desportivo de Contador, o dinamarquês Bjarn Riis, também se mostrou “feliz” pela decisão, negando que o atleta ou a sua equipa de juristas tenham tido qualquer influência no desfecho.

“O Alberto (Contador) foi ilibado. O acórdão da instância da RFEC excluiu todas as outras hipóteses além de consumo acidental da substância. Isto prova que as autoridades competentes não encontraram provas de que o Alberto tenha feito batota intencionalmente. É muito importante para a equipa e para Alberto”, afirmou o vencedor do “Tour” em 1996, entretanto desapossado do título por ter admitido que recorreu a doping.

Lusa

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