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Na 37.ª edição da ‘Algarvia’, o conjunto liderado pelo belga Johan Bruyneel e pelo recordista de vitórias no ‘Tour’ (sete), que quarta-feira assumiu a ‘reforma’ de vez, tem oito corredores, dois diretores desportivos, um médico, dois mecânicos e quatro massagistas – 17 elementos no total, divididos pelo hotel, em Albufeira, três carros, um camião e um autocarro, ou seja, é 35 por cento lusitano.

José Azevedo, antigo ‘escudeiro’ de Armstrong, é um dos técnicos e selecionou o vice-campeão olímpico de fundo em Atenas2004, Sérgio Paulinho, o terceiro classificado da Volta ao Algarve2010, Tiago Machado, e os recém-chegados Manuel Cardoso e Nelson Oliveira, além do ‘perito’ em bicicletas, Francisco Carvalho.

O ‘sprinter’ Cardoso, 25 anos, representou em 2010 a espanhola Footon, enquanto o vice-campeão mundial de ‘crono’ Sub-23 (2009), Nelson Oliveira, com 20 anos, envergou as cores da galega Xacobeo.

“O ambiente é muito bom e a presença de tantos portugueses ajuda, principalmente numa equipa destas. No ano passado, eram todos estrangeiros e foi mais difícil a integração. Aqui, o dia a dia torna-se menos monótono. Temos com quem falar, na nossa Língua, assuntos em comum”, disse à Lusa o ‘Mustang’ de Paços de Ferreira, assumindo que a dupla com o “jubenile” Nelson tem sido imbatível frente ao duo que já tinha representado a RadioShack em 2010.

Nelson Oliveira congratula-se com o facto: “nas outras equipas não tínhamos essa oportunidade e como somos quatro, dá duas equipas”, diz, referindo-se às “suecadas” nos tempos mortos.

“Eu e o Nelson ganhamos sempre, somos os melhores. Eles são bons a andar de bicicleta, não percebem nada de cartas”, insiste Cardoso, referindo-se aos ‘room mates’ Paulinho – há cinco anos ligado à estrutura herdeira da US Postal e da Discovery Channel -, e ao famalicense ‘Pica’ Machado.

José Azevedo esclarece que “todos são tratados da mesma forma” e, “quando chegam, são mais um da RadioShack”, embora Machado admita que, em caso de dúvida no “idioma oficial” (Inglês), as ideias sejam esclarecidas “em Português, pelo Zé”.

“Serem portugueses, espanhóis, americanos, neozelandeses ou australianos é-nos indiferente. O Tiago está no segundo ano de ciclismo internacional, adaptou-se bastante bem e é aposta para algumas provas. O Sérgio é um corredor já conceituado. O Manuel está a começar, é um sprinter e vai ter oportunidades. O Nelson é um jovem com trabalho longo a fazer e não vamos esperar resultados. Daqui a dois ou três anos esperemos que ande na frente”, resumiu Azevedo.

Sem tempo para ‘sueca’ anda ‘Chico’ Carvalho, com 40 anos, 27 dos quais passados a aprimorar ‘máquinas’ de Benfica, LA-Pecol e LA-Liberty, ocupado pelas limpezas e afinações, numa rotina que vai das 07:00 da manhã e “não tem hora para deitar”.

“Tratamos as bicicletas todas por igual, sejam de portugueses ou de outro país qualquer. É bom sinal, mais dois portugueses, pessoas com valor. É bom para o nosso ciclismo, que está a atravessar maus anos devido aos problemas. Não têm grandes manias. A gente entrega as bicicletas e está tudo bem. Não põem defeitos”, disse.

Fiel ao seu papel de ‘gregário’ neste conjunto com 12 milhões de euros de orçamento continua Paulinho, mesmo após protagonizar o 10.º triunfo individual português no ‘Tour’, em julho, na localidade de Gap, 21 anos depois do último, Acácio da Silva.

“Mais uma época que arranca no Algarve. Vai ser idêntico. Vamos levar as coisas com calma para depois estar em forma quando for altura de estar a 100 por cento. Toda a gente já sabe qual o meu papel: trabalhar em prol da equipa”, disse, acrescentando ser “ótimo” ter mais lusos na equipa porque é “o reconhecimento de que o ciclismo português está no bom caminho”, com “quatro corredores numa das melhores equipas do Mundo”.

Tiago Machado deseja “um dia fazer parte da equipa do ‘Tour’, de preferência com os portugueses a acompanhar”, mas mal pode esperar pela estreia numa “corrida de três semanas”, agendada para maio, o ‘Giro’, para “tentar estar o melhor possível e chegar ao fim na melhor classificação possível”.

Lusa

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