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"Foi uma decisão que eu tomei. Em tudo na vida temos de tomar decisões, foi uma decisão que tomei a de mudar de equipa e pronto". Sucinto, Sérgio Paulinho não lamenta ter abandonado a estabilidade da RadioShack para assinar pela Saxo Bank.

Para trás ficaram anos de vitórias, como aquela que alcançou na Volta a França de 2010, de alegrias, mas também de momentos difíceis, como aquele que viveu durante o duelo "fratricida" entre Contador e Lance Armstrong, em 2009, e que acabou por ditar o seu afastamento desportivo do amigo espanhol.

"São cinco anos que deixei para trás, cinco anos em que trabalhei com várias pessoas de quem gosto, mas a vida continua e nunca se sabe se no futuro posso voltar a trabalhar com elas", admitiu à AgênciaLusa o ciclista de 31 anos, que aos cinco anos na estrutura liderada pelo belga Johan Bruyneel soma mais dois de experiência internacional.

Quando se juntou à equipa dinamarquesa, Paulinho tinha como missão número um ajudar Alberto Contador a vencer o Tour, algo que, com o castigo de dois anos imposto pelo Tribunal Arbitral do Desporto ao corredor espanhol, pelo positivo por clembuterol na prova francesa, em 2010, caiu por terra.

Arrependimentos? Ele garante que não há: "Voltava a fazer a mesma coisa, não me arrependo de nada".

O golpe duro que significou a suspensão do madrileno para a Saxo Bank agravou-se ainda mais com a possibilidade de a formação dirigida por Bjarne Riis poder perder a licença do ProTour e, com ela, o acesso imediato às grandes Voltas.

"Não me preocupa só a mim, preocupa a equipa toda. O Tour é um objetivo que tínhamos e, com o que aconteceu ao Alberto, não sei quais serão as nossas metas. Poderão passar agora pela Volta a Espanha. Vamos rezar para que não aconteça nada e para que não percamos a licença ProTour", destacou.

Para o medalha de prata da prova de fundo dos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, seria uma pena a Saxo Bank ser excluída especificamente da Volta a França, já que a equipa tem "um orçamento bastante grande" e a não presença na maior prova do ciclismo mundial poderia ser "prejudicial" para o futuro.

Paulinho, que há muito trocou os objetivos individuais pelos coletivos, não sabe agora que planeamento lhe reserva a temporada: "O meu objetivo era o Tour, mas agora terei de repensar. Vamos aguardar pelo próximo estágio em que a equipa irá dizer qual será o meu calendário".

Apesar dos contratempos, o português e os restantes companheiros não desistem.

"O estado de espírito é bom. No princípio, [a decisão do TAS] abalou um pouco, mas agora é bastante bom. Não estávamos à espera do que aconteceu, acho que ninguém estava à espera, por isso quando soubemos da notícia surpreendeu-nos", contou.

Sem nada mais a fazer, resta agora a Paulinho "continuar a trabalhar e a lutar com o mesmo ânimo".

Lusa

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