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A 36.ª Volta ao Algarve de bicicleta vai proporcionar a sete dos estrangeirados gozarem mais uns dias em solo pátrio, entre hoje e domingo, fazendo aquilo de que mais gostam, numa modalidade em que trabalhar para um patrão estrangeiro só implica as deslocações necessárias para as provas em que se é inscrito.

“Vai ser uma corrida difícil, com tantos campeões. Espero uma boa estreia, embora ainda não esteja na melhor forma. O meu dia a dia não mudou quase nada, só ao nível da exigência, mas acredito que posso fazer disto a minha vida”, disse à Agência Lusa o vice-campeão do Mundo de contrarrelógio Sub-23, Nelson Oliveira, contratado em 2010 pela espanhola Xacobeo-Galicia.

Filho do antigo ciclista do Sangalhos Celestino Oliveira, o “jubenile” – como é tratado pelos novos colegas por ser o mais novo -, começou a competir com 13 anos no clube em que o pai se celebrizou, passando depois para a Escola de Ciclismo Fernando Carvalho, seguindo-se o projeto lusogalego Ciudad Lugo.

Apesar de ter passado do nível amador para o escalão Continental Profissional, o ciclista de 20 anos, que acumulou dois títulos de campeão nacional de “crono” em cadetes (2004 e 2005) e em esperanças (2008 e 2009), continua a treinar as cerca de três horas diárias nas imediações do Vilarinho do Bairro, sua terra natal.

“Limitamo-nos a cumprir o plano à risca. Só estamos fora em estágio e competição. Os meus objetivos para esta temporada, além de ajudar a equipa, passam pelos Campeonatos Nacionais, os Europeus e os Mundiais”, continuou o estudante de eletrotecnia.

Outro jovem corredor em estreia com novas cores é Tiago Machado, que se transferiu do Boavista para a equipa do recordista de vitórias no “Tour” (sete), o norte-americano Lance Armstrong.

Na recém-formada RadioShack, o “Pica” de Famalicão, com 23 anos, tem ainda o apoio do diretor desportivo José Azevedo, do mecânico Francisco Carvalho – ambos ex-corredores – e do experimentado vice-campeão olímpico de fundo em Atenas2004, Sérgio Paulinho, ligado à equipa cazaque Astana em 2009.

“Só passando por elas é que se tem a noção do que isto é. O meu nono ano de instrução não me permite encontrar adjetivos que descrevam este sonho. É espetacular ter todas estas condições. É uma organização diferente, outra dimensão”, explicou Machado à Lusa.

Como nas restantes equipas, os planos e cargas de treino, assim como a calendarização das corridas são personalizados, “tudo em watts (medida de potência)” e comunicados através de correio eletrónico ou telefone.

A grande diferença é que as viagens “agora são de avião e não de autocaravana”, conta Machado, cujo primeiro nome é confundido com “Santiago” por alguns dos colegas estrangeiros.

Também no Algarve estão o campeão nacional de fundo, Manuel Cardoso, natural de Paços de Ferreira e contratado pela espanhola Footon à extinta Liberty Seguros, tendo já este ano vencido a terceira etapa do Tour Down Under, e o varzinense Rui Costa, numa segunda época ao serviço da espanhola Caísse d’Epargne, que já lhe rendeu um triunfo no Troféu Déia (Maiorca).

O único ciclista emigrante não bafejado com a inscrição na “Algarvia” foi João Correia, de 35 anos e há muito radicado nos Estados Unidos, onde se dedicou durante uma década à gestão da revista especializada Bicycling Magazine até ter protagonizado em 2010 a mais inesperada contratação da suíça Cervelo.

Lusa

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