Realizou-se ontem à noite em Olhão, a celebração que une a manifestação pública da campanha de Natal da Cáritas ‘10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz’ e a distribuição da ‘Luz da Paz de Belém’, partilhada pelo Corpo Nacional de Escutas (CNE).


O CNE fez a entrega aos agrupamentos do CNE e à Cáritas Diocesana do Algarve da ‘Luz da Paz de Belém’, recolhida da gruta da basílica da Natividade, local atribuído ao nascimento de Jesus.

Os escuteiros algarvios colheram este ano a ‘Luz da Paz’ em Aveiro, na cerimónia nacional de partilha, sob o lema “Luz da Paz de Belém, uma Luz que nos Orienta!”, que decorreu no passado dia 14 deste mês para ser distribuída por todo o país.

Ontem, na igreja matriz de Olhão, a iniciativa ficou marcada pelo apelo à paz no mundo e à solidariedade. “Não há Natal se não nos predispusermos a acolher a «luz» que vem iluminar-nos e a ser «luz» para os outros, ou seja, através de gestos que iluminam a vida dos outros. Não há Natal se as nossas boas obras não brilharem, não forem «luz» que ilumina, que aquece o coração dos mais frágeis, daqueles que vivem à margem da sociedade, daqueles para os quais o Natal é uma época de bastante sofrimento pela situação por que estão a passar”, afirmou o bispo do Algarve, acrescentando que as luzes das ruas recordam essa outra «luz».

“Por isso, não esqueçamos de passar da luz que vamos levar connosco a essa «luz» que é a própria pessoa de Jesus, e, sobretudo, a «luz» que deve brilhar no nosso coração, que é o bem, que são as boas obras que somos chamados a fazer cada dia da nossa vida”, prosseguiu D. Manuel Quintas, realçando que essa «luz» deve aquecer o mundo de hoje, tão necessitado de gestos que exprimam esse sentido fraterno”.


O bispo diocesano desejou que aquela “celebração tão sugestiva” possa ajudar a “celebrar melhor o Natal”, “a ser essa «luz» que brilha no mundo de hoje, sobretudo no coração daqueles que o têm mais amargurado, mais entristecido, por tantas situações da sua vida”. “Sem estes gestos concretos, podemos ter celebrar o Natal, mas a coração fica vazio, frio e triste também. Que nesta noite o Espírito Santo abra o nosso coração à novidade que nos traz cada Natal. E a novidade está sempre no outro, está naquele que caminha a nosso lado, que nos proporciona podermos ter estes gestos fraternos e solidários”, concluiu.
Também o presidente da Cáritas Diocesana do Algarve apelou à “capacidade de escutar a voz dos sem voz para os compreender, de respeitar a vida, de rejeitar a violência, de ser generoso, de acolher o pobre, de acolher o que acaba de chegar, independentemente da sua raça ou da cor da sua pele, de redescobrir a solidariedade”.

Carlos de Oliveira lembrou que “Jesus cuidou e cuida de todos: os humildes, os pobres, os aflitos, os sós, os estrangeiros, as vítimas de violência doméstica e de muitos outros casos”.
Aquele dirigente lamentou as guerras existentes. “Vivíamos num tempo de aparente calmaria e, num ápice, tudo caiu por terra. Aparece a invasão da Ucrânia por tirania de alguns. O bem-estar de jovens que se divertiam é interrompido por guerrilheiros e abre-se um novo conflito no Médio Oriente”, afirmou, aludindo ainda ao problema da pobreza em Portugal como “um problema que se arrasta e que, apesar de muitas promessas e boas vontades, ainda não se resolveu”. “A opção preferencial pelos pobres incita-nos, enquanto Igreja, a ações concretas para superar as estruturas que geram miséria. Teremos de ser membros de uma Igreja pobre para os pobres, que acolhe a busca, a libertação e a promoção dos marginalizados”, afirmou.
Evidenciando que “a pobreza não é uma escolha, mas uma consequência de injustiças”, referiu que “a fome infantil, o repatriamento dos nossos concidadãos, o acolhimento de idosos e dos sós, vivendo abandonados em aldeias, muitas delas isoladas, os migrantes muito rejeitados, mas cuja presença é positiva na nossa sociedade, não podendo ser discriminados pela sua origem, são alguns exemplos de pobreza”.
Carlos de Oliveira lembrou que a a campanha de Natal da Cáritas no Algarve “será toda ela para o Fundo Diocesano Social, como resposta a situações de cariz social e económica, apoiando os agregados familiares em situação de vulnerabilidade ou que nela caíram e com fragilidade económica, que por essa razão se vejam impossibilitados de aceder a bens essenciais ou que enfrentem uma situação pontual e urgente de pobreza”. “O aumento dos sinais de pobreza de vária ordem e os consequentes pedidos de apoio às nossas comunidades paroquiais na nossa Diocese são a motivação para a criação deste fundo solidário”, justificou.
O presidente da Cáritas algarvia acrescentou que o valor das velas angariadas na campanha ajudará especificamente no pagamento de “rendas de casa, despesas de saúde como medicamentos, tratamentos ou equipamento, despesas de eletricidade, água, gás, educação e outros bens essenciais”, sendo estes “sujeitos a uma análise mais específica”. “Lamentamos que ainda muitos não tenham compreendido o alcance desta ação ’10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz’ como uma força dinamizadora de combate à pobreza e exclusão social, registando uma ausência total na aquisição de velas que dão suporte ao fundo”, criticou.
“A paz entende-se como um processo contínuo e uma missão fundamentada na nossa fé, manifestada por ações concretas de amor, de justiça, de solidariedade, para que possamos contribuir na construção de um mundo mais harmonioso e justo. A causa da paz merece que acreditemos nela. É preciso apostar e educar para ela. Nós, cristãos, cremos na paz porque somos seguidores do Príncipe da Paz. Se a paz fracassar, que não seja por nossa culpa”, disse ainda Carlos de Oliveira.
O chefe regional do CNE lembrou que a ‘Luz da Paz de Belém’ chega ao Algarve viajando “de mão em mão, de país em país, conduzida por escuteiros”. “Ao recebê-la, comprometemo-nos a ser mensageiros de bondade, de respeito e de solidariedade, espalhando-a entre a nossa família, os nossos amigos e as nossas comunidades”, acrescentou João Ramalho.

Aquele dirigente escutista lamentou que num “mundo marcado por conflitos, guerras e divisões, esta pequena chama recorda que cada ação positiva conta e pode fazer a diferença”. “A ‘Luz da Paz de Belém’ inspira-nos a trabalhar juntos, a ouvir e a ajudar, fazendo do amor ao próximo a nossa bandeira. Que esta luz continue a arder em cada um de nós, guiando os nossos passos e iluminando sempre os nossos caminhos”, desejou.

João Ramalho lembrou que este ano, a ‘Luz da Paz de Belém’ traz como tema associado ‘Uma luz que nos orienta!’. “Essa luz é nada menos que Jesus Cristo que nos guia e ilumina na nossa caminhada. Como escuteiros, aprendemos a seguir pistas ou orientarmo-nos pelos mapas com recurso a bússolas. Mas na vida é Cristo que deve ser a nossa verdadeira orientação. Ele mostra-nos o caminho do amor, da fraternidade e do serviço ao próximo. Só seguindo os seus ensinamentos faz sentido o nosso compromisso escutista”, desenvolveu.
O chefe regional do CNE acrescentou que “tal como o farol ilumina o rumo dos barcos que navega sem os empurrar, cada um tem a oportunidade de ser um ponto de luz silencioso que inspira a confiança, a segurança e a orientação”, lembrando que “os jovens aprendem mais com o que veem do que com o que ouvem”. “Por isso, se torna mais importante que todos, especialmente os mais velhos, sejamos exemplos vivos que orientam o caminho dos nossos irmãos mais novos”, concluiu na celebração que contou com a presença dos presidentes da Câmara e da Junta de Freguesia de Olhão.



A chama, entronizada na igreja matriz de Olhão, foi depois partilhada pelos representantes dos agrupamentos escutistas presentes, das Cáritas paroquiais e por particulares e hoje e amanhã é distribuída nas diversas paróquias e comunidades do Algarve a todos os que a queiram levar para casa.












