O padre António Farias, de 78 anos de idade, completou, no passado dia 22 de deste mês, 50 anos de sacerdócio e a efeméride foi assinada na véspera, na Eucaristia dominical, na paróquia de São Brás de Alportel, onde é pároco juntamente com a paróquia de Santa Catarina da Fonte do Bispo.




“Convido-vos a dar graças a Deus por estes anos de serviço a Deus e aos homens e graças a Deus pelo dom que recebi e assim ser um servidor do Evangelho de Deus”, afirmou na celebração o sacerdote da Congregação do Espírito Santo (espiritano) que veio para o Algarve em 2017, agradecendo a todos os que se cruzaram consigo pelos países por onde passou. “Agradeço a todos, em diversos países onde andei – Angola, Moçambique, Brasil, Amazónia, Paraguai, Roma e agora aqui, em São Brás -, o facto de me terem suportado e apoiado no serviço de Deus e dos homens”, afirmou na Eucaristia que teve lugar na igreja matriz de São Brás de Alportel.






O padre António Farias desempenhou vários cargos na sua congregação (inclusive ao nível do Conselho Geral) e em 2013 foi como missionário para a Amazónia, de onde regressou em maio de 2027, antes de rumar ao Algarve.



Antes da Eucaristia do passado domingo, os paroquianos ofereceram-lhe a alva que usou na celebração e que foi benzida pelo padre Domingos Vitorino, também espiritano.





Na Missa, o aniversariante considerou que a vida de um sacerdote “deve ser uma constante construção de pontes”. “A vida do padre é construir pontes para que as pessoas se relacionem com Deus, para que nas famílias haja diálogo e encontro; para que na comunidade todos se relacionem bem; para que os grupos apostólicos saibam apreciar-se mutuamente”, realçou, considerando que o papel do padre serve “para que todos se sintam membros ativos e da comunidade cristã”.



O sacerdote encontrou semelhanças na vida de um sacerdote e de um casal. “A nossa vida de fidelidade exige sacrifício, doação, morreremos para o nosso ego, para superar o nosso egoísmo para nos doarmos aos outros. E isto acontece na vida do padre e na vida de um casal”, comparou.

A Eucaristia contou ainda com a interpretação do ‘Ave Maria’ de Schubert pela cantora lírica Catarina Viegas e com a distribuição da ‘Luz da Paz de Belém’.



No final da celebração, a presidente da Câmara de São Brás de Alportel atribuiu um voto de louvor ao padre António Farias que “foi proposto e aprovado por unanimidade na reunião de 19 de dezembro”.




A presidente Marlene Guerreiro considerou que o sacerdote “já é parte da família”. “Em nome do município de São Brás de Alportel e em nome da comunidade são-brasense, estou aqui justamente para agradecer ao nosso padre Farias tudo aquilo que nos dá dia a dia, pelo exemplo da entrega de vida ao serviço do próximo, pelo seu exemplo de discrição”, afirmou, acrescentando: “Sou muito grata pela sua mensagem, pela sua palavra, pelo seu exemplo, pela forma como tem conduzido a família paroquial de São Brás de Alportel, de uma forma verdadeiramente honesta, pura, com aquilo que temos de melhor: a solidariedade, a tolerância, a complacência, a compaixão e o perdão. São os valores mais importantes que Jesus nos deixou e que continuam tão atuais, tão presentes, tão urgentes como há dois mil anos”.
Acompanhada de quase todo o executivo municipal, Marlene Guerreiro ofertou ainda ao sacerdote um jarrão com o brasão municipal. O aniversariante foi ainda presenteado pela Santa Casa da Misericórdia de São Brás de Alportel e por familiares.


O bispo do Algarve, que também marcou presença no final da celebração, manifestou a sua alegria em nome da diocese pelas bodas de ouro sacerdotais. “Aproveito esta oportunidade para manifestar o meu reconhecimento pelo serviço pastoral que os missionários espiritanos prestaram na nossa diocese ao longo de tantos anos, quase 50”, afirmou D. Manuel Quintas.
O bispo diocesano lembrou todo o trajeto do aniversariante. “Atrevo-me a interpretar que tudo isso foi preparação para a missão que agora assume no Algarve, considerando-nos beneficiados dessa tão grande e enriquecedora experiência”, disse, lembrando que o sacerdote, para além de pároco, é também vigário da região pastoral do sotavento. “Obrigado, padre António, por estes 50 anos de dedicação, doação e amor. Obrigado por ser instrumento da misericórdia de Deus na vida de quantos encontrou e continua a encontrar no seu ministério sacerdotal. Obrigado também paróquias de São Brás e de Santa Catarina pelo modo como tendes acolhido e colaborado com todos os missionários espiritanos que, por aqui, têm passado”, agradeceu.

Por fim, o superior provincial dos Missionários do Espírito Santo em Portugal, que concelebrou a Eucaristia, lembrou ter tido o padre António Farias como seu formador e ter trabalhado na mesma diocese brasileira, no interior do Amazonas, embora em datas não coincidentes. Completando o que o aniversariante afirmou, o padre Hugo Ventura disse que, para além de ser um fazedor de pontes, o sacerdote “deve ser alguém que sabe pôr o avental e servir à mesa”.






No final, o padre António Farias agradeceu as palavras que lhe dirigiram. “Obrigado ao povo que me acolhe e me ajuda a ser padre ao serviço de Deus”, afirmou ainda, agradecendo também aos seus familiares que ali se dirigiram, alguns vindos propositadamente da França e da Polónia.





Depois da Missa, nos anexos da igreja, o sacerdote partiu o bolo e foi servido um porto de honra, tendo ainda decorrido um almoço festivo e um concerto de Natal pelo Grupo Coral Ossónoba.












