Pudesse eu ter a paz quando nasci,
na primeira vez que encontrei o amor,
quando o meu corpo tremia
à sombra silenciosa da dor.

Pudesse a minha mão esculpir
a maior estátua de amor,
subir até ao seu cimo
e gritar ao mundo, com esperança:
é urgente amar.

Pudesse eu ceifar os braços das armas
e devolver-lhes olhos de ternura.
Pôr fim ao tráfico e ao desprezo,
e oferecer colo e cuidado
a quem caminha sozinho.

Pudéssemos todos reconhecer a paz,
essa fonte profunda
e infinita sede de amor.
Porque o maior flagelo do mundo
não é apenas a guerra —
é a indiferença dos corações
diante da dor e das desigualdades.