“«Ressuscitou! Não está aqui» — disse o anjo — «Ide dizer aos discípulos que Ele ressuscitou, que está vivo». Somos nós esses discípulos. É para nós hoje essa alegre notícia que mudou o curso da história, que mudou o mundo”, afirmou o bispo do Algarve esta noite na Vigília Pascal, a que presidiu na Sé de Faro.


“Uma coisa é viver a fé apoiada na ressurreição de Jesus e na certeza que, porque Ele ressuscitou, nós também vamos ressuscitar. Outra coisa é viver, é viver sem esta fé”, acrescentou D. Manuel Quintas.


Considerada como o coração do ano litúrgico e a mãe de todas as vigílias, a celebração teve início com a liturgia da luz que consiste na bênção do fogo, na preparação e acendimento do círio pascal no lume novo (símbolos da luz da Páscoa que é Cristo, luz do mundo), seguindo-se a entrada na catedral às escuras que foi sendo iluminada pela chama do luzeiro.


O bispo diocesano começou por referir-se a toda esta simbologia. “Começámos lá fora com o rito da luz, a bênção do lume novo. Entrámos guiados por esta luz, este círio pascal que representa Cristo vivo, Cristo luz do mundo”, afirmou, evidenciando que a primeira parte da celebração é “toda centrada na luz”.
Depois da liturgia da luz ou “lucernário” e da proclamação do precónio pascal, a Vigília Pascal prosseguiu com a liturgia da palavra com a proclamação de sete leituras do Antigo Testamento e mais duas do Novo Testamento. “Todas estas leituras que foram lidas é para nos ajudar a acolher e a entender o texto do Evangelho. Esta grande notícia que receberam estas mulheres que foram ao túmulo”, explicou.

O bispo do Algarve prosseguiu indicando que se seguiria a liturgia batismal com o canto da ladainha dos santos, a bênção da água (o outro símbolo da noite). “O círio vai ser mergulhado na água para que aquela ela receba a força de Cristo vivo, Cristo ressuscitado, que está presente de maneira particular na ação do Espírito Santo que vai consagrar aqueles que vão ser batizados e que vão ser crismados”, explicou.
O bispo diocesano batizou, crismou e deu a Primeira Comunhão a quatro mulheres na Vigília. D. Manuel Quintas administrou ainda o sacramento do Crisma a mais nove adultos na celebração. O responsável católico regozijou-se ainda por esta noite terem recebido aqueles sacramentos da iniciação 60 adultos em toda a Diocese do Algarve.

O bispo do Algarve acrescentou que a liturgia batismal incluiria ainda a aspersão de toda a assembleia com a água benta, depois da renovação das promessas batismais, e a oração universal. D. Manuel Quintas recordou que aquela água “significa a água da vida que brotou do lado aberto de Cristo, água que significa o Batismo, que significa a Palavra, que significa o Espírito Santo também”.
“E concluímos, continuando o percurso para a mesa com a celebração da Eucaristia para nos dizer que sempre que nos reunimos em Eucaristia estamos a atualizar tudo aquilo que celebramos na Vigília Pascal. Portanto, culmina esta celebração na mesa eucarística para depois, fortalecidos, partirmos para a vida”, continuou, explicando o sentido da liturgia eucarística.

No final da vigília, o bispo do Algarve fez questão de deixar “uma palavra de estímulo e encorajamento” aos que completaram a iniciação cristã. “Rezei muito por vós nesta Missa. Pensei muito em vós, sobretudo na vossa fidelidade”, disse-lhes, desejando que esta sua iniciação cristã, assim como a dos 60 adultos que a fizeram em toda a diocese, “não seja uma etapa final”. “Não desistais, não desanimeis, fazei que cada domingo seja para vós a Páscoa, a evocação desta Vigília Pascal, abeirando-vos da Eucaristia. A força do Batismo, a força da nossa condição de discípulos de Jesus está na fidelidade à Eucaristia, celebrada com a comunidade a que pertencemos. Isso sim, é sinal de muita alegria e de um rejuvenescimento também da nossa Igreja diocesana”, concluiu.










