A quarta edição do ‘labOratório’, “um programa de introdução à música litúrgica, baseado numa experiência de vida em comunidade e de formação prática”, irá decorrer na Diocese do Algarve.

A semana de “formação e criação em música litúrgica, vivida em comunidade, com oração, trabalho prático e serviço à Igreja local” decorrerá, de 18 a 26 de julho, em Portimão. A organização explica que o “centro da semana” do ‘labOratório’26’, destinado a jovens entre os 16 e os 35 anos, acontecerá “na cidade e nas suas comunidades” e que “a experiência inclui também uma dimensão de acolhimento”, uma vez que “as dormidas serão em famílias, como sinal de comunhão e de proximidade com a vida real das paróquias” que recebem os participantes.

Os organizadores explicam ainda ser “uma forma concreta de «sair do centro» e chegar a outras realidades, encontrando a Igreja onde ela está: nas paróquias, nas famílias, nas ruas e no ritmo de uma cidade”. “Ao longo da semana, procuramos aprender a cantar a liturgia e a ajudá-la a ser rezada, com especial atenção ao modo como a música pode acompanhar a vida cristã e dar voz à oração também em momentos sacramentais, sem entrar em detalhes nem «receitas», mas aprendendo a servir com sensibilidade, simplicidade e verdade”, acrescenta.

Cada participante terá quatro modalidades de participação à escolha, “para ter um foco de trabalho ao longo da semana”. A primeira – ‘labcanta’ – destina-se a “quem quer aprofundar o canto ao serviço da liturgia: técnica vocal aplicada ao canto comunitário, afinação e unidade, dicção do texto, respiração, e prática de conduzir a assembleia a cantar (sem “exibir”, mas ajudando a rezar)”. “Inclui trabalho em conjunto com instrumentistas e direção, para que o canto seja simples, belo e verdadeiramente celebrativo”, acrescenta a organização.

A segunda – ‘labMaestro’ – destina-se a “quem quer aprender e praticar a direção: condução de ensaios, construção de som de conjunto, leitura da assembleia e serviço da oração através do gesto e da organização musical”; a terceira – ‘labToca’ – destina-se a “instrumentistas que querem aprofundar o serviço musical à liturgia: acompanhamento do canto, escuta, escolhas de timbre, dinâmica, e trabalho em equipa com quem canta e dirige”; e a quarta – ‘labCria’ – destina-se a” quem quer trabalhar criação e arranjo: composição, escrita de vozes, harmonizações simples e eficazes, e reflexão sobre o que torna um canto verdadeiramente «rezável» e útil para a liturgia”.

Há ainda atividades comuns a todos os participantes. “Independentemente da modalidade, há espaços que são o coração da semana e que todos vivem em conjunto: ‘Coro’ – ensaio e prática comum, onde convergem as modalidades. É o lugar onde se cresce em escuta, unidade e serviço, e onde se prepara o que se vai cantar ao longo da semana; ‘labEscuta’ – tempo para aprender a ouvir: a liturgia, os textos, a assembleia, a tradição e também o silêncio. A escuta é parte do método: cantar melhor começa muitas vezes por escutar melhor; e ‘labPastoral’ – espaços de formação e partilha sobre o serviço da música na vida da Igreja: celebração, comunidade, missão, e critérios simples para escolher, preparar e servir bem”, concretizam os organizadores, acrescentando que “os ateliês do ‘labOratório’ são de participação exclusiva para as pessoas inscritas”, mas “há atividades abertas a todo o público, de maneira gratuita, nomeadamente os momentos de oração e os concertos”.

O ‘labOratório’ realiza-se desde 2017, “reunindo jovens com interesse em servir a liturgia através da música”. “Em cada edição, procura-se unir aprendizagem e prática, formando para a celebração e incentivando a criação de repertório que possa ser cantado nas comunidades. Ao longo das edições de 2017, 2019 e 2021, o ‘labOratório’ consolidou-se como uma comunidade de portas abertas, e parte do trabalho desenvolvido tem vindo a ser disponibilizado em materiais e gravações”, explica a organização, sendo que algumas dessas composições estão já disponíveis no Spotify.

A organização refere ainda que “além destas edições formais, o ‘labOratório’ colaborou noutras iniciativas, entre as quais o ‘labTríduo’20’, uma proposta conjunta com o Ponto SJ para ajudar a viver o Tríduo Pascal durante as quarentenas da Pandemia; o ‘labMagis’23’, uma experiência internacional no âmbito da pré-JMJ organizada pela Companhia de Jesus; e em concertos e formações dadas por elementos da equipa”. “Por isso, hoje o ‘labOratório’ é muito mais que uma atividade para jovens, mas uma Comunidade composta por todos os que participaram nas diferentes edições, e que continuam a juntar-se para compor, cantar juntos e trocar experiências”, acrescenta.

Um dos fundadores do ‘labOratório’ foi o padre Rui Fernandes que trabalha na Diocese do Algarve desde 2021. Em entrevista, no ano seguinte, ao Folha do Domingo, o sacerdote jesuíta explicou como surgiu e no que consiste o ‘labOratório’. Outro criador da iniciativa foi o padre Duarte Rosado, uma das referências nacionais na música católica.

Os interessados em participar na atividade deverão formalizar a sua inscrição através de formulário eletrónico.