A quarta edição do ‘labOratório’, que foi a primeira realizada no Algarve, reuniu em Portimão na última semana 60 músicos, dos quais 46 formandos, oito formadores e seis outros participantes de diversas dioceses como Braga, Beja, Porto, Évora, Guarda, Lisboa ou Setúbal e também da diocese algarvia que ficaram alojados na Escola EB 2,3 D. Martinho Castelo Branco.



O grupo dos formadores era composto na sua maioria por músicos profissionais, cantores do Coro Gulbenkian, professores universitários e diretores corais de Lisboa, do Porto e de Braga, e ainda por sacerdotes jesuítas que também são músicos.



E entre os formandos, jovens dos 16 aos 35 anos, houve desde “músicos profissionais” a “amantes de música no chuveiro”, como fez questão de referir no concerto final, no passado sábado, o padre Rui Fernandes, que é um dos fundadores do ‘labOratório’ e também um dos sacerdotes da comunidade jesuíta algarvia.



Também o responsável desta edição — que é outro dos jesuítas que está desde o início daquele “programa de introdução à música litúrgica, baseado numa experiência de vida em comunidade e de formação prática” — disse ao Folha do Domingo que a mesma contou “desde o jovem que toca guitarra e canta no coro, mas não tem formação musical formal” a “alunos com o 5º ou 8º graus do conservatório” ou outros já com cursos superiores de música.

Alguns inscreveram-se como cantores, outros como instrumentistas, outros ainda como maestros ou criadores, mas todos com o objetivo de compor música como resultado da oração e da experiência da comunidade para as paróquias poderem “viver e celebrar melhor as suas liturgias, conforme a sua linguagem musical — seja ela mais formal, mais coral ou mais ligeira —, mas que possam fazê-lo com rigor, com arte e beleza”, explicou Diogo Couceiro, jesuíta rumo ao sacerdócio, que em breve será ordenado diácono.



Esta edição do ‘labOratório’, que teve como tema os sacramentos, iníciou-se no dia 18 deste mês e terminou este domingo, 26 de julho. No sábado à noite, os participantes apresentaram na igreja de Nossa Senhora do Amparo um concerto orante, como resultado de parte do trabalho semanal, que incluiu “movimento, poesia, música, texto sagrado e texto inspirado”.



Tratou-se de uma “caminhada ao longo do percurso dos sete sacramentos, desenhado de forma invertida”, explicou Diogo Couceiro, sobre a performance que teve início com a referência ao sacramento da Santa Unção, seguindo-se o da Ordem, o Matrimónio, a Confirmação, a Confissão, a Eucaristia e, por fim, o Batismo. “Uma viagem do fim para o princípio que nos pode ajudar a reviver a profundidade da nossa identidade cristã ao sairmos daqui lançados de volta ao mundo”, antecipou o jesuíta que também é músico de formação.



Ao Folha do Domingo, aquele responsável disse que o concerto orante reuniu “uma espécie de best of do repertório dos cerca de 30 e tal cânticos que foram feitos para esta edição” e foi uma forma de pôr em prática o objetivo do ‘labOratório’. “Aprender a pôr a nossa arte ao serviço da celebração e não o contrário”, precisou.



Os participantes inseriram-se no ritmo da comunidade e, para além do concerto orante, todas as orações e celebrações foram abertas aos paroquianos. Na quarta-feira estiveram ainda com a comunidade na oração ao estilo da Comunidade de Taizé, realizada no Centro Social que foi o espaço utilizado para as formações e ensaios. O plano semanal contou diariamente com oração de laudes, oração da hora intermédia ou de vésperas e Eucaristia.



Diogo Couceiro explicou ainda que a iniciativa incluiu a dimensão da “formação para ajudar a melhorar as competências musicais”, mas sublinhou que “a grande força vem da experiência da vida em comunidade: do partilhar espaços, do rezar juntos, do cantar juntos, do ensaiar, do errar, do falhar, do gravar, do criar”. “Não temos aqui propriamente aulas de formação musical”, clarificou.



Cada participante teve então quatro modalidades de participação à escolha, segundo a sua condição de cantores, maestros, instrumentistas ou criadores. A primeira – ‘labCanta’ – destinou-se a quem quis “aprofundar o canto ao serviço da liturgia: técnica vocal aplicada ao canto comunitário, afinação e unidade, dicção do texto, respiração, e prática de conduzir a assembleia a cantar (sem “exibir”, mas ajudando a rezar)”. A segunda – ‘labMaestro’ – destinou-se a quem quis “aprender e praticar a direção: condução de ensaios, construção de som de conjunto, leitura da assembleia e serviço da oração através do gesto e da organização musical”; a terceira – ‘labToca’ – destinou-se a instrumentistas que quiseram “aprofundar o serviço musical à liturgia: acompanhamento do canto, escuta, escolhas de timbre, dinâmica, e trabalho em equipa com quem canta e dirige”; e a quarta – ‘labCria’ – destinou-se a quem quis “trabalhar criação e arranjo: composição, escrita de vozes, harmonizações simples e eficazes, e reflexão sobre o que torna um canto verdadeiramente «rezável» e útil para a liturgia”.


Houve ainda atividades comuns a todos os participantes como o ‘Coro’ — ensaio e prática comum, onde convergem as modalidades —, o ‘labEscuta’ – tempo para aprender a ouvir: a liturgia, os textos, a assembleia, a tradição e também o silêncio — e o ‘labPastoral’ – espaços de formação e partilha sobre o serviço da música na vida da Igreja: celebração, comunidade, missão, e critérios simples para escolher, preparar e servir bem”.
Todo o trabalho resultante desta quarta edição do ‘labOratório’ será acrescentado nas plataformas habituais como o Spotify, que já soma mais de 300 músicas daquele projeto, disponíveis gratuitamente, muitas delas gravadas. “Mas também estamos a construir um site que será lançado em breve — para além do site do ‘labOratório’ — que vai ter a biblioteca musical: partituras, gravações, conteúdos de formação das edições”, anunciou Diogo Couceiro, lembrando que da edição de 2019 já tinha resultado a edição do «Livro Cinzento» com 80 cânticos e da de 2021 publicações digitais.
A edição algarvia do ‘labOratório’ contou também com a participação do padre Duarte Rosado, outro dos fundadores do projeto, e uma das atuais referências nacionais na música católica.
Os responsáveis do ‘labOratório’ adiantaram ainda que a próxima edição não está marcada, mas poderá acontecer em 2028.
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