Bispo do Algarve apontou quatro palavras para o novo caminho pastoral: juntos, transformar, encontro e relações
“A missão nasce da oração. Sem oração não pode haver missão”. Foi com esta afirmação, apresentada como ideia central da sua intervenção, que D. Vitorino Soares se dirigiu aos participantes na Assembleia Diocesana do Algarve, realizada no passado sábado, no complexo paroquial de São Pedro do Mar, em Quarteira.

A declaração do bispo diocesano foi proferida na oração com adoração eucarística na igreja daquele complexo da paróquia de Quarteira que antecedeu aquele encontro de arranque do ano pastoral 2026/2027. Aquele momento de recolhimento, escuta e presença diante do Santíssimo Sacramento deve, segundo D. Vitorino Soares, constituir o ponto de partida da atividade pastoral nas paróquias, movimentos, instituições, famílias e na vida pessoal de cada cristão. “Mais do que falarmos e dizermos, é ouvir o que Jesus também tem a dizer a cada um de nós. E só a partir daí, é que tem sentido a nossa atividade pastoral, os nossos serviços, a nossa colaboração, a nossa presença”, realçou.

O bispo do Algarve sublinhou que os projetos e o trabalho pastoral não devem seguir apenas o sentido que lhes é atribuído pelas pessoas, mas procurar descobrir, através da oração, o sentido que Deus lhes coloca. “Que este ponto de partida seja referência para aquilo que é a nossa atividade pastoral”, pediu.
Um caminho assumido em conjunto
Explicando que a sua intenção naquele encontro era “ouvir para conhecer e aprender e integrar-se naquilo que é esta identidade da Diocese do Algarve”, D. Vitorino Soares insistiu na necessidade de uma visão diocesana da ação pastoral, acima dos interesses particulares. “Aquilo que vamos trabalhar em termos pastorais não é uma questão pessoal, não é uma questão da paróquia, não é uma questão da região, é uma questão da diocese”, afirmou.

A primeira das quatro palavras que quis realçar foi precisamente “juntos”. D. Vitorino Soares quis sublinhar que o início de um novo ano pastoral deve ser assumido como uma etapa comum, capaz de sustentar a caminhada quando ela se torna difícil. “Quando vierem os desânimos, quando vierem as dificuldades, quando vierem as nossas incapacidades, lembrar que nós começámos juntos esta etapa”, aconselhou.

O bispo diocesano realçou estar juntos não significa apagar a singularidade de cada pessoa ou comunidade, mas recordar que ninguém caminha sozinho e que mesmo quando existe distância física, há união nos princípios, nas orientações e nas propostas. D. Vitorino Soares desafiou ainda os agentes pastorais a recuperar o entusiasmo do início e a realizar cada tarefa “como se fosse a primeira vez”, deixando que a memória do começo renove o modo de celebrar, catequizar, acolitar ou servir.
A oração como espaço de transformação
A segunda palavra destacada foi “transformar”. D. Vitorino Soares considerou que a linguagem da transformação pode alcançar dimensões que nem sempre são compreendidas quando se fala apenas de conversão. “Acreditarmos também que a oração transforma”, exortou.

O responsável católico convidou os diocesanos a confiar que quem permanece com Jesus sai desse encontro transformado, mesmo quando não consegue antecipar como é que essa transformação acontecerá. D. Vitorino Soares destacou que a oração abre caminhos e possibilidades e permite que Cristo toque dimensões da vida que a própria pessoa ainda não consegue imaginar. “A transformação é possível. Não a partir de nós, mas a partir de Jesus Cristo”, afirmou, acrescentando que se essa transformação nasce da oração deverá manifestar-se depois na ação pastoral.
Uma Igreja promotora de encontros
A terceira palavra foi “encontro”. D. Vitorino Soares recordou que Jesus foi um promotor de encontros porque ia ao encontro das pessoas e permitia também que as pessoas se encontrassem com Ele. “A Igreja não pode perder esta dimensão: ser a promotora hoje de encontros”, considerou, esclarecendo que não se trata de promover encontros centrados apenas na Igreja ou nos seus agentes, mas de criar condições para que as pessoas possam encontrar-se com Jesus Cristo. Explicou que esses encontros podem acontecer “para além do religioso” e exigem “criatividade”. “Jesus nunca evitou um encontro e nunca fugiu aos encontros”, sublinhou, considerando que esta é uma dimensão que a Igreja deve explorar. “Os encontros não só permitem estar com Jesus, mas obrigam-nos depois a estar com os outros”, sustentou.
Relações autênticas e significativas
A quarta palavra apresentada foi “relações”. D. Vitorino Soares defendeu que as relações na Igreja e na sociedade devem ser autênticas e significativas. “Relações autênticas no sentido de reconhecer o outro, de não esmagar o outro, de valorizar o outro. Não é concorrente, é um irmão como eu”, afirmou.

No final, o bispo do Algarve apelou à participação de todos na construção da Igreja diocesana. “Vamos contar com todos também para construir a Igreja que Ele quer aqui no Algarve, com o que somos, mas sobretudo com aquilo que o Senhor quer que nós sejamos”, referiu.

Diocese do Algarve iniciou novo ano pastoral com apelo à oração, ao encontro e à caminhada conjunta











