Assembleia Diocesana reuniu cerca de 200 responsáveis em Quarteira e apresentou o programa pastoral para 2026/2027, centrado no tema «Perseverantes na oração»

A Diocese do Algarve realizou, no passado sábado, 26 de setembro, no complexo paroquial de São Pedro do Mar, em Quarteira, a Assembleia Diocesana que marcou o arranque do ano pastoral 2026/2027. O encontro reuniu cerca de 200 responsáveis diocesanos e paroquiais, entre sacerdotes, diáconos, representantes de comunidades de vida consagrada, diretores e assistentes de Serviços Diocesanos e responsáveis de movimentos e associações eclesiais.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
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A manhã começou na igreja do complexo paroquial com um momento de oração e adoração eucarística, presidido pelo bispo do Algarve. Naquele momento, D. Vitorino Soares sublinhou a oração como ponto de partida da missão da Igreja. “A missão nasce da oração. Sem oração não pode haver missão”, afirmou, defendendo que a atividade pastoral deve partir da escuta de Cristo e não apenas dos projetos e iniciativas definidos pelas pessoas.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
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Já no salão do complexo paroquial, a Assembleia teve início com a saudação do bispo diocesano, seguindo-se a conferência intitulada “O encontro com Cristo: fonte de alegria e de esperança na renovação eclesial”, proferida pelo padre Nuno Fileno, da Diocese de Coimbra.

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Na sua intervenção, o sacerdote apresentou o episódio evangélico dos discípulos de Emaús como referência para a renovação da Igreja, defendendo uma pastoral marcada pela proximidade, pela escuta e pelo acompanhamento. Para o conferencista, “a Igreja vive de Jesus Cristo” e a renovação eclesial não depende apenas de maior eficiência ou de novas estruturas, mas da capacidade de permanecer centrada no encontro com Cristo.

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O padre Nuno Fileno destacou a necessidade de uma Igreja capaz de se aproximar das pessoas, conhecer aquilo que carregam e caminhar com elas antes de lhes apresentar respostas. A escuta foi apresentada como condição para o discernimento e como uma dimensão que a Igreja precisa de recuperar, sem a confundir com uma simples concordância com o outro.

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A esperança cristã foi igualmente abordada como fruto do encontro com Cristo ressuscitado e não como mero otimismo perante as circunstâncias. Neste sentido, o sacerdote afirmou que a esperança da Igreja “nasce da ressurreição” e defendeu a recuperação do “coração” como centro da vida pessoal e comunitária, associando a renovação interior à renovação das estruturas e dos processos eclesiais.

A Eucaristia ocupou também um lugar central na reflexão, apresentada como fonte da vida da Igreja e como experiência que conduz da posse ao dom, da competição à comunhão e da indiferença à compaixão. No final da intervenção, o padre Nuno Fileno retomou a imagem de Emaús para propor um caminho pastoral assente na escuta, na partilha, na abertura à Palavra e na capacidade de voltar a partir o pão, deixando o desafio de “regressar à estrada” e recomeçar.

“Perseverantes na oração”

A apresentação do Programa Pastoral da Diocese do Algarve para 2026/2027 esteve a cargo do padre António de Freitas, vigário episcopal para a Pastoral. O novo ano corresponde ao último do atual triénio pastoral e tem como tema “Perseverantes na oração”.

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O responsável pela Pastoral explicou que a proposta pretende dar continuidade ao caminho já realizado pela Diocese, mantendo a atenção à “conversão das relações e dos processos” e reforçando a dimensão espiritual, orante e litúrgica.

O programa assenta em três dimensões principais: eucarística, vocacional e performativa. Na primeira, é reforçada a centralidade da Eucaristia, do culto eucarístico, da visita ao sacrário e da adoração como momentos de encontro com Cristo. A dimensão vocacional é apresentada a partir da vocação batismal e da santidade, abrangendo a diversidade de ministérios, serviços e carismas. Já a dimensão performativa procura que a formação não se limite à transmissão de informação, mas conduza à configuração da vida com Jesus Cristo.

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Segundo o padre António de Freitas, o novo ano pastoral deverá fazer dos momentos espirituais, litúrgicos e de oração “lugares de encontro” e orientar a ação pastoral para o encontro com Cristo, em vez de colocar o sucesso das atividades no centro das preocupações.

O programa contempla ainda retiros e momentos de oração e reflexão para o clero, iniciativas de formação sobre a oração e a Eucaristia, momentos de oração nas comunidades paroquiais e a continuidade da utilização do método da conversação no Espírito. A nível regional, prevê o reforço da relação entre paróquias vizinhas, o Dia da Região Pastoral e iniciativas de formação e encontro para catequistas e animadores juvenis. Nas comunidades paroquiais mantém-se a atenção às relações humanas, à transparência, à prestação de contas e à participação dos leigos.

Quatro palavras para o caminho pastoral

Na intervenção conclusiva da Assembleia, D. Vitorino Soares apontou quatro palavras para o caminho pastoral da Diocese do Algarve no novo ano: “juntos”, “transformar”, “encontro” e “relações”.

A primeira, “juntos”, foi apresentada como expressão de uma caminhada que deve ser assumida por toda a Diocese. O bispo do Algarve salientou que o trabalho pastoral não deve ser entendido como uma questão individual ou particular de uma paróquia ou região, mas como uma responsabilidade comum de toda a Igreja diocesana.

A palavra “transformar” foi relacionada com a ação da oração na vida dos cristãos. D. Vitorino Soares afirmou que a transformação não acontece apenas pela iniciativa humana, mas a partir de Cristo, e defendeu que aquilo que nasce da oração deve depois refletir-se na ação pastoral.

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O “encontro” foi apresentado como outra dimensão fundamental da missão da Igreja. Recuperando a atitude de Jesus perante as pessoas com quem se cruzava, o bispo defendeu que a Igreja deve ser hoje “promotora de encontros”, criando condições para que as pessoas possam encontrar-se com Cristo e, a partir desse encontro, umas com as outras.

Por fim, ao falar de “relações”, D. Vitorino Soares sublinhou a necessidade de relações autênticas, nas quais cada pessoa seja reconhecida e valorizada. “Não é concorrente, é um irmão como eu”, afirmou.

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O bispo do Algarve terminou apelando à participação de todos na construção da Igreja diocesana: “Vamos contar com todos também para construir a Igreja que Ele quer aqui no Algarve, com o que somos, mas sobretudo com aquilo que o Senhor quer que nós sejamos”.

A Assembleia Diocesana marcou, assim, o início do ano pastoral 2026/2027, propondo à diocese um caminho que parte da oração e do encontro com Cristo e procura traduzir essa experiência na transformação pessoal e comunitária, na proximidade às pessoas e numa caminhada assumida em conjunto.

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