Nota Pastoral de D. Vitorino Soares realça legado pastoral e social do sacerdote

O bispo do Algarve, D. Vitorino Soares, destacou o legado pastoral, social e humano do padre Elísio Dias, sublinhando a sua capacidade de estabelecer pontes entre a Igreja, a sociedade civil e os setores económicos ligados ao desenvolvimento turístico de Quarteira e Vilamoura. Em nota pastoral hoje emitida, dia do falecimento do sacerdote, o bispo salienta o contributo de um ministério marcado pelo diálogo, pela capacidade de acolhimento e pela atenção às necessidades concretas das populações.

D. Vitorino Soares recorda o padre Elísio Dias como “um grande construtor de pontes entre a Igreja, a sociedade civil e os promotores e empreendedores turísticos” que, a partir da década de 1960, começaram a desenvolver grandes projetos em Quarteira e Vilamoura.

Segundo o responsável diocesano, o sacerdote soube compreender as profundas transformações sociais, demográficas e económicas daquela região e procurou que a presença da Igreja acompanhasse o crescimento da população e do turismo, garantindo que ninguém ficasse sem uma comunidade de acolhimento.

A nota pastoral evidencia a importância do diálogo e da persistência do sacerdote na concretização de obras que contribuíram para a vida religiosa e pastoral da região. Entre elas encontram-se a igreja de Nossa Senhora da Alegria, em Vilamoura, a igreja de Nossa Senhora de Fátima, nas Pereiras, a igreja de São Pedro do Mar e o respetivo complexo pastoral, em Quarteira, bem como a profunda remodelação da igreja de Nossa Senhora da Conceição de Quarteira.

Para o bispo do Algarve, estas obras ultrapassam a dimensão material, constituindo “lugares de fé e de oração, de encontro e acolhimento, de evangelização” que continuam a servir as comunidades.

A caridade como resposta concreta

Outro dos aspetos destacados por D. Vitorino Soares é a dimensão social do ministério do padre Elísio Dias, particularmente através da fundação do Centro Paroquial de Quarteira, cujas valências continuam a apoiar crianças, idosos, famílias e pessoas em situação de pobreza, também nas áreas vizinhas de Almancil e Loulé.

O bispo sublinha a capacidade do sacerdote para aproximar pessoas com diferentes condições económicas e mobilizar recursos em favor dos mais vulneráveis. Através das relações de confiança que estabelecia, conseguiu envolver pessoas com capacidade económica no apoio aos mais necessitados, não apenas por meio de contribuições financeiras, mas também através da criação de empregos estáveis.

“Para ele, a caridade não era uma ideia abstrata. Era uma resposta concreta à vida e às dificuldades das pessoas”, escreve D. Vitorino Soares, destacando uma dimensão do ministério que associava a ação pastoral à resposta às dificuldades quotidianas da população.

Acolhimento e fraternidade sacerdotal

A capacidade de acolhimento e a fraternidade presbiteral constituem outras marcas evocadas na nota pastoral. O padre Elísio Dias recebeu sacerdotes vindos da Diocese de Aveiro em missão no Algarve, bem como presbíteros que colaboravam pastoralmente em Quarteira durante o verão, quando o aumento do número de turistas e visitantes exigia uma resposta pastoral reforçada.

Esta disponibilidade, observa o bispo, correspondia às exigências de uma paróquia turística, mas representava sobretudo uma expressão de comunhão e fraternidade sacerdotal.

Dirigindo-se particularmente à comunidade paroquial de Quarteira, D. Vitorino Soares lembra as várias gerações que foram batizadas, acompanhadas, formadas e servidas pelo sacerdote. A sua memória, escreve, permanecerá não apenas nos edifícios que ajudou a construir, mas também “nas pessoas, nas famílias e nas instituições marcadas pelo seu ministério”.

O bispo do Algarve dirige ainda condolências à família do padre Elísio Dias, agradecendo o sacerdote que ofereceu à Igreja e o trabalho apostólico desenvolvido durante quase cinco décadas no Algarve.

Um percurso marcado pela missão

Na nota pastoral, D. Vitorino Soares enquadra o percurso do sacerdote na sua disponibilidade missionária, que o levou a deixar a terra natal para servir uma diocese diferente daquela em que nasceu.

Natural de São Mamede de Vermil, no concelho de Guimarães, onde nasceu a 17 de dezembro de 1930, o padre Elísio Dias entrou no Seminário de Almada aos 25 anos, depois de um período de discernimento vocacional na Congregação do Verbo Divino. Foi ordenado sacerdote na Sé de Faro, a 30 de julho de 1967, por D. Júlio Tavares Rebimbas, então bispo do Algarve.

Depois de ter sido nomeado pároco coadjutor de Portimão, em outubro de 1967, assumiu a paróquia de Quarteira a 15 de setembro de 1968, onde permaneceu até 19 de setembro de 2014. Exerceu ainda funções como capelão do Carmelo do Patacão, membro do Conselho Presbiteral e do Colégio de Consultores da Diocese do Algarve e vigário da vara da antiga vigararia de Loulé/São Brás de Alportel.

Concluindo a nota pastoral, D. Vitorino Soares confia o sacerdote à misericórdia de Deus e agradece o seu testemunho de fé, dedicação e serviço, sintetizando o legado que deixa na Diocese: “Ao longo da vida construiu pontes entre a Igreja e o mundo, entre quem tinha muito e quem pouco tinha, entre os irmãos no sacerdócio”.

D. Vitorino Soares informa ainda que o padre Miguel Neto presidirá amanhã, 20 de outubro, a Eucaristia às 19h na igreja paroquial de São Mamede de Vermil, Guimarães, e que a missa exequial na quarta-feira, 21 de outubro, às 16h, na mesma igreja, será presidida pelo bispo emérito D. Manuel Quintas.

Faleceu o padre Elísio Dias que foi pároco de Quarteira durante 46 anos