O Algarve acolheu hoje em festa o seu novo bispo na catedral de Faro. D. Vitorino Soares é o 34º bispo do Algarve desde a passagem da sede da diocese algarvia de Silves para Faro em 1577, superando a partir de agora o número de prelados diocesanos que esteve naquela cidade.

Logo de manhã, já uma multidão aguardava na escadaria da Sé pelo começo da Eucaristia. Mas antes da celebração de início do seu ministério como bispo do Algarve, D. Vitorino Soares saiu do Paço Episcopal para a Sé, acompanhado pelo núncio apostólico em Portugal, pelo arcebispo de Évora e pelo administrador apostólico para realizar os ritos da profissão de fé e do juramento de fidelidade. Acolhido à porta pelo deão do Cabido da catedral, o cónego Mário de Sousa apresentou-lhe os restantes membros capitulares, deu-lhe a cruz a beijar, e o diácono Luís Galante a relíquia de São Vicente, padroeiro da Diocese do Algarve.

Feito o acolhimento, todos se dirigiram até à capela do Santíssimo Sacramento, onde houve um momento de oração em silêncio. Ali foram apresentados os restantes membros do Colégio dos Consultores, o deão do Cabido fez uma oração pelo bispo e D. Vitorino Soares realizou o rito da profissão de fé e o juramento de fidelidade.

Após aquele momento regressou ao Paço Episcopal, de onde saiu o cortejo litúrgico para a catedral, que assistiu seguramente hoje a uma das maiores enchentes da sua história. A celebração iniciou presidida pelo arcebispo metropolita da Província Eclesiástica de Évora, que após uma palavra de saudação pediu que se lesse a bula apostólica do Papa de nomeação de D. Vitorino Soares como bispo do Algarve, o que foi feito pelo representante de Leão XIV, o núncio apostólico D. Andrés Carrascosa Coso.

Após a leitura, aconteceu um dos momentos mais simbólicos da celebração com a entrega do báculo ao bispo eleito do Algarve. D. Francisco Senra Coelho conduziu depois D. Vitorino Soares à cátedra. A cátedra do bispo — que dá nome à Igreja: catedral — é símbolo da sua missão de ensinar, governar e santificar, ou seja, de evangelizar e edificar a comunidade cristã. Ao sentar-se nela, o bispo assumiu a missão que lhe foi entregue pelo Papa, deixou de ser designado bispo eleito e passou a ser, para todos os efeitos, bispo do Algarve. Nesse momento ouviram-se os sinos a tocar.

Depois da tomada de posse canónica, houve a saudação por dois membros do Colégio de Consultores e depois pelos representantes dos sacerdotes, dos diáconos, dos religiosos e três representantes dos leigos, um por cada uma das regiões pastorais (barlavento, centro e sotavento).

A celebração prosseguiu presidida por D. Vitorino Soares que, após as leituras, fez a sua primeira homilia, como bispo do Algarve. “Chego como sucessor dos Apóstolos, não para iniciar uma obra que me pertence, mas para servir a obra que é de Deus”, foi o principal aspeto que realçou.

Depois da oração da comunhão, o chanceler da diocese, cónego Rui Barros Guerreiro, leu o auto da tomada de posse que foi assinado pelo novo bispo do Algarve, pelo arcebispo metropolitano de Évora, D. Francisco Senra Coelho, pelo núncio apostólico, D. Andrés Carrascosa Coso, pelo bispo emérito do Algarve, D. Manuel Quintas, pelo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Virgílio Antunes, pelo cardeal D. Américo Aguiar, pelo patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, e pelo arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, pelo vigário-geral da Diocese do Algarve, cónego César Chantre, pelo deão do Cabido, cónego Mário Sousa, pelos representantes do Colégio dos Consultores e pelo chanceler da diocese algarvia, cónego Rui Barros Guerreiro.

Posteriormente, foi lido o primeiro decreto de D. Vitorino Soares, no qual o novo bispo do Algarve confirmou e manteve todos os leigos nos ofícios e funções eclesiais que requerem nomeação episcopal e foi-lhe oferecida uma cruz peitoral com as marcas gráficas da diocese pelo Conselho Pastoral diocesano.

Agradeceu à comissão para o seu acolhimento e tomada de posse, “o que rezaram antes de conhecer o novo bispo e, sobretudo, depois disso”, ao coro e músicos, à Câmara Municipal de Faro, a todos os presentes, e, bastante emocionado, à sua “família de sangue” e a Eucaristia terminou.

A celebração foi transmitida através de uma emissão streaming, assegurada por mais uma parceria entre o jornal Folha do Domingo e a Mais Algarve que foi disponibilizada nas plataformas habituais dos dois órgãos de informação, da diocese algarvia e em diversos órgãos de comunicação social. A transmissão foi também acompanhada num ecrã no Largo da Sé, para as pessoas que não couberam dentro da catedral de Faro.

A Eucaristia foi concelebrada pela grande maioria dos bispos portugueses e de padres das dioceses do Algarve e do Porto, para além de outras dioceses portuguesas.
“Chego, não para iniciar uma obra que me pertence, mas para servir a que é de Deus” (c/vídeo)











