O Conselho da Juventude da Diocese do Algarve voltou a reunir-se no passado sábado, 24 de outubro, numa iniciativa promovida pelo setor daquela pastoral da Diocese do Algarve, que contou com a presença do bispo diocesano, D. Vitorino Soares.
O encontro, que teve lugar em Faro, no Seminário de São José, deu continuidade ao processo de reativação deste organismo consultivo, criado para escutar os jovens, conhecer as diferentes realidades da diocese e propor linhas de ação para a pastoral juvenil.
Recorde-se que aquele Conselho foi criado em 2008 para responder a uma necessidade cada vez mais sentida no trabalho com a juventude da diocese algarvia, mas também a uma resposta dos bispos portugueses manifestada no documento “Bases para a Pastoral Juvenil” de 2002. Na altura, aquele órgão consultivo, composto por todos os que trabalham com jovens, reuniu-se a 15 de novembro de 2008, a 27 de junho e a 10 de outubro do ano seguinte. Reativado depois em 2018, voltou a reunir em outubro e em dezembro daquele ano.
O Conselho reúne jovens das paróquias e dos movimentos eclesiais, procurando proporcionar um espaço de escuta, reflexão e discernimento no qual os próprios jovens assumam um papel ativo na definição dos caminhos da pastoral que lhes é dirigida.
Na sessão de acolhimento, Raquel Jacob, responsável do Setor da Pastoral dos Jovens da Diocese do Algarve, deu início ao encontro, que incluiu um momento de oração, a apresentação dos objetivos e do funcionamento do Conselho e a reflexão em grupos.
Na intervenção dirigida aos participantes, D. Vitorino Soares propôs três virtudes inspiradas em São Paulo — a humildade, a mansidão e a paciência — como referências para a vida cristã e para o trabalho desenvolvido no Conselho.
O bispo do Algarve destacou a humildade como reconhecimento daquilo que cada pessoa é, sem se colocar acima dos outros, considerando que esta atitude favorece a proximidade e evita a exclusão. Sobre a mansidão, sublinhou a capacidade de estabelecer relações pacíficas, sem violência ou agressividade, promovendo a união entre as pessoas.
Já a paciência foi apresentada como a virtude que permite perseverar perante as dificuldades, os erros e os fracassos, sem desistir do caminho. A partir destas três propostas, D. Vitorino Soares desafiou os jovens a alimentar o trabalho do Conselho e a ação pastoral nas respetivas comunidades, permanecendo unidos a Jesus Cristo.
Escutar, conhecer, criar e ligar
A apresentação do Conselho esteve a cargo de João Costa, também responsável do Setor da Pastoral dos Jovens da Diocese do Algarve, que explicou a intenção de alargar a participação dos jovens na reflexão e no planeamento da ação pastoral diocesana.
À semelhança do Conselho Diocesano de Pastoral, este organismo pretende ajudar o bispo e os responsáveis pastorais a conhecer as realidades existentes, pensar caminhos, planear iniciativas e apresentar propostas adaptadas aos diferentes contextos, mantendo Cristo como referência central.
O responsável explicou que o Conselho pretende reunir dois jovens de cada paróquia, comunidade ou movimento, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos e participação ativa na respetiva realidade eclesial. A escolha dos representantes deverá ser feita em articulação com o pároco ou assistente e com a sua anuência, procurando, sempre que possível, um equilíbrio de género e de idades.
A proposta de trabalho assenta numa dinâmica de escuta, partilha e criação, orientada por quatro verbos: escutar, conhecer, criar e ligar. Estes foram também retomados por D. Vitorino Soares na sua intervenção, que os relacionou com a vida espiritual e com a missão dos jovens nas comunidades.
O bispo começou por salientar a importância de escutar Jesus na vida pessoal e comunitária, reservando tempo para a oração, o silêncio e a atenção aos sinais através dos quais Deus se manifesta. Alertou ainda para a necessidade de conhecer verdadeiramente a realidade, o que exige capacidade de parar, observar e refletir, num contexto marcado por ritmos de vida acelerados.
Quanto ao verbo criar, D. Vitorino associou-o à promoção de encontros verdadeiros, capazes de aproximar pessoas e contrariar o isolamento. Considerou que esta missão exige iniciativa e disponibilidade para congregar, incluindo aqueles que se encontram mais afastados das estruturas habituais da Igreja.
Por fim, relacionou o verbo ligar com a possibilidade de ajudar outras pessoas a encontrar em Jesus Cristo uma fonte de vida e de felicidade. Para o bispo, os jovens são chamados a favorecer essa ligação, contribuindo para que os outros se sintam acolhidos, reconhecidos e acompanhados.
Reflexão sobre diferentes realidades juvenis
O plano de trabalho do Conselho prevê a reflexão sobre três áreas de intervenção da pastoral juvenil: os jovens já integrados na vida da Igreja, os que se encontram em aproximação ou procuram um sentido para a vida e os animadores juvenis que acompanham os grupos e as comunidades.
A reunião de 24 de outubro foi dedicada à primeira destas áreas, centrada nos jovens que já participam na vida eclesial, mas cuja ligação à Igreja pode assumir diferentes graus. O encontro de 10 de abril de 2027, previsto para Loulé, deverá dar continuidade ao trabalho, com a reflexão sobre os jovens que estão em aproximação e sobre o acompanhamento dos animadores juvenis.
Deste processo deverão resultar propostas para dinamizar a pastoral dos jovens na Diocese do Algarve e a escolha de dois representantes algarvios para o Conselho Nacional da Juventude.
A jornada terminou com um jantar de convívio, oferecido pela organização, e a participação no lausperene da Diocese do Algarve, iniciativa de oração contínua pelas vocações.
O trabalho do Conselho é orientado pelo lema escolhido pelo Setor da Pastoral dos Jovens para este ano pastoral: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos”.











