‘Cartas à Quinta – Para um cuidar da fraternidade’ é apresentado a 29 de novembro, em Loulé, numa obra que convida à reflexão sobre a sociedade, a fé e os valores humanos através do mundo animal.

O cónego Carlos de Aquino reúne em novo livro um conjunto de 22 crónicas originalmente publicadas no jornal ‘A Voz de Loulé’, entre setembro de 2024 e 23 de junho de 2025. Intitulada ‘Cartas à Quinta – Para um cuidar da fraternidade’, a obra será apresentada no próximo dia 29 de novembro, pelas 16h00, na igreja de São Francisco, em Loulé.

Através de cartas dirigidas a diferentes animais, o autor constrói uma reflexão sobre os comportamentos humanos, os desafios da sociedade contemporânea e a importância de valores como a fraternidade, a compaixão, a honestidade, a paz e o respeito pelo próximo.

Ratos, mochos, caracóis, corvos, cães, abelhas, andorinhas e muitas outras criaturas assumem o papel de protagonistas destas narrativas, funcionando como ponto de partida para abordar questões tão diversas como a inveja, a vaidade, a ganância, a liberdade, a tecnologia, a solidariedade e a esperança.

Inspirada na tradição alegórica e no diálogo com ‘O Sermão de Santo António aos Peixes’, do padre António Vieira, a obra recupera a utilização dos animais como espelho da condição humana. Através de uma linguagem de inspiração cristã, Carlos de Aquino procura transmitir uma mensagem de transformação pessoal e coletiva, lembrando a urgência de “curar as feridas da Terra e aprender a curar as feridas do coração”.

O livro conta com ilustrações, capa, composição e paginação de Hugo Vieira da Silva, que desenvolveu um trabalho gráfico a preto e branco, estabelecendo uma ligação visual entre os animais, a espiritualidade, a tecnologia e a dimensão humana.

A edição é da Traça Edições com o apoio da Ermo – Associação de Activismo Cultural e o prefácio é assinado por Marinela Malveiro, que destaca a proximidade da obra à tradição literária de padre António Vieira e a forma como o autor utiliza o mundo animal para questionar atitudes e comportamentos que fragilizam a sociedade. As 22 cartas, sublinha, constituem um apelo à fraternidade e à construção de um mundo mais humano.

O cónego Carlos de Aquino é presbítero da Diocese da Algarve, tendo sido ordenado em 1993. Natural de Vila Real de Santo António, é atualmente pároco de Loulé e Querença, sendo há vários anos o responsável pelo Departamento de Pastoral Litúrgica e do Secretariado de Liturgia, Música Sacra, Novas Igrejas e Espaços Culturais, bem como responsável do Setor da Pastoral da Cultura, Património e Bens Culturais da Diocese do Algarve. É também assistente da Cáritas Diocesana do Algarve e da Sociedade de São Vicente de Paulo na diocese, diretor do Centro de Bem-Estar Social de Nossa Senhora de Fátima de Olhão e professor de Pastoral Litúrgica no Instituto Superior de Teologia de Évora. É ainda membro do Cabido da catedral de Faro.

Enviado para Roma em 1999, ali se licenciou em Liturgia, pelo Pontifício Ateneu de Santo Anselmo.

O ministério sacerdotal do cónego Carlos de Aquino tem sido também muito marcado pela dimensão poética e artística que, aliada à formação litúrgica, tem contribuído para a edição de inúmeras publicações formativas e culturais. Entre as suas publicações literárias encontram-se ‘Dos Rostos da Casa’ (2021) e ‘Das Margens do Caminho – Cartografia do Vento’ (2026), coletânea de 33 poemas publicada por ocasião dos seus 33 anos de sacerdócio.

A apresentação de ‘Cartas à Quinta – Para um cuidar da fraternidade’ estará a cargo de Marinela Malveiro, da Fundação Manuel Viegas Guerreiro, e contará também com a presença de Nathalie Dias, diretora de ‘A Voz de Loulé’, e do ilustrador Hugo Vieira da Silva.

A sessão tem entrada marcada para as 16h00 de 29 de novembro, na igreja de São Francisco, em Loulé.