
O decano dos padres que trabalham na Diocese do Algarve comemorou 92 anos de idade na passada segunda-feira e a paróquia onde foi pároco durante mais de 40 anos quis celebrar o aniversário com uma eucaristia.

A celebração, na igreja da Penina da paróquia de Alvor, foi presidida pelo bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, e concelebrada pelo aniversariante, o padre Manuel Honorato Antunes, e pelo atual pároco, o padre Miguel Ângelo Pereira. “Naturalmente que a nossa presença, em comunhão com ele, quer significar, antes de mais, darmos graças a Deus pelo dom da vida que lhe concedeu e continua a conceder”, afirmou o prelado, que manifestou ao sacerdote nonagenário o “reconhecimento” e a “gratidão” pelo seu serviço à igreja algarvia, “fruto de outro dom que Deus lhe concedeu que é o dom do ministério ordenado do sacerdócio, da vida consagrada, da vida missionária”.


“Ele constitui para nós motivo de júbilo, de alegria, de ação de graças e de reconhecimento ao Senhor”, afirmou o bispo diocesano, destacando a iniciativa dos antigos paroquianos do sacerdote. “Foi um gesto, não apenas de carinho, mas também de surpresa, que esta gente que continua a gostar de si quis exprimir neste dia e quer exprimir, de maneira particular, nesta eucaristia a que eu tenho muito gosto em associar-me também”, observou.
D. Manuel Quintas destacou o sacerdócio do padre Honorato Antunes, exercido na diocese “com tanta dedicação, persistência e de um modo silencioso”. “O padre Honorato é silencioso, discreto, não faz barulho, mas é como a chuva miudinha: não faz barulho, mas «entra na terra e fecunda-a»”, comparou, lembrando “o seu testemunho, a sua presença e o seu modo discreto, próximo, familiar, de amigo, de estar com todos”. “Ele é um dom para nós e é um dom também estarmos aqui com ele a celebrar o seu aniversário”, complementou o bispo do Algarve que se alegou com a iniciativa. “Foi muito bom. É muito agradável ver o povo de Deus reunido para louvar o Senhor pelo dom da vida de um dos nossos sacerdotes”, concluiu.

Considerando que o prelado – o 12º a quem lembrou prestar “obediência” – “falou mais com o coração”, o aniversariante disse não ser “merecedor” daquela iniciativa e deixou três palavras: “louvor, gratidão e desculpas”. “Gratidão a Deus por me ter criado, me ter feito cristão, missionário e sacerdote e conservado até este dia. Já são 74 anos de sacerdote. Ordenámo-nos 17 e estamos vivos dois”, referiu.

Agradecendo a D. Manuel Quintas, manifestou, ao mesmo tempo, uma “gratidão muito profunda” a todos os que sempre o “rodearam com amizade e simpatia”. “Partilhaste comigo trabalhos, vida e missão”, lembrou, referindo as “gratificantes recordações”, agradecendo a Deus pelo “pouco bem” que fizeram juntos e pedindo “desculpa pelo muito que ficou por fazer”. “Deixo-vos a todos um abraço da dimensão do mundo, obrigado”, disse na eucaristia em que lhe cantaram os parabéns.

O padre Honorato Antunes, sacerdote da Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (claretianos) nasceu a 29 de janeiro de 1926 na freguesia de Penalobo, concelho de Sabugal, Guarda. Entrou a 8 de outubro de 1940 no Seminário de Alpendorada (Marco de Canaveses). Estudou depois filosofia em Jerez de Los Caballeros, Badajoz, e recebeu a ordenação sacerdotal em Valls (Tarragona) a 28 de junho de 1953, tendo completado este ano 64 anos de sacerdócio. Três meses depois, partiu para São Tomé e Príncipe como missionário.

Entre 1954 e 1955 exerceu funções de superior e pároco de Nossa Senhora das Neves, e entre 1955 e 1956, pároco de Santana. No triénio de 1956 a 1959 foi superior e pároco de Nossa Senhora da Conceição, na Ilha do Príncipe. Voltou a São Tomé nessa altura para desempenhar funções de superior e pároco da Santíssima Trindade (1959-1965). Entre 1965 e 1974 viveu na casa da cidade capital e aí desenvolveu assumiu a paroquialidade de Nossa Senhora da Graça (Sé), tendo regressado em 1976 a Portugal.

O padre Manuel Honorato Antunes, – que chegou a ser encarregado em abril de 1978 da paróquia de Odiáxere e foi de 13 de setembro de 1991 a 7 de outubro de 2001 também pároco “in solidum” (moderador) de Ferragudo juntamente com o padre Manuel Leitão Marques -, foi pároco de Alvor de outubro de 1976 a agosto de 2017. Em 2001, acrescentou àquela paróquia o vicariato do Sagrado Coração de Jesus da Pedra Mourinha, em Portimão. Do seu trabalho naquelas paróquias ficou, entre outras coisas, as construções do Centro Paroquial de Alvor, da igreja da Penina, do Centro Paroquial de Santo André, da igreja da Pedra Mourinha ainda em curso.
Atualmente já não tem responsabilidades pastorais, embora continue a colaborar com a paróquia de Alvor, onde ficou a residir.